23 de Abril de 2026

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Política - 01/06/2022

Em comissão da Câmara, artistas e produtores pedem derrubada de vetos de Bolsonaro à cultura

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Foto: Reprodução

Congresso deve analisar vetos presidenciais e pode derrubá-los

Produtores culturais, artistas e representantes de secretarias estaduais de Cultura participaram nesta quarta-feira, 1, de uma audiência na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados na qual defenderam a derrubada de dois vetos do presidente Jair Bolsonaro a projetos voltados para o setor cultural.

 

O grupo pretende fazer uma articulação junto a parlamentares e lideranças de bancadas para tentar garantir um número expressivo de votos pela derrubada dos vetos.

 

Aprovados pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, os projetos conhecidos como nova Lei Aldir Blanc e Lei Paulo Gustavo previam a destinação de recursos para o setor cultural, mas foram vetados por Bolsonaro.

 

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Estava prevista para esta quinta-feira, 2, uma sessão do Congresso Nacional a fim de analisar os vetos presidenciais a projetos aprovados pelo Legislativo. No entanto, até a última atualização desta reportagem, a sessão ainda não havia sido confirmada por não haver consenso entre os parlamentares.

 

Cabe aos parlamentares a análise de vetos presidenciais, e deputados e senadores podem derrubá-los.

 

Atriz Julia Lemmertz discursa em audiência na Câmara — Foto: Reprodução/TV Câmara

Atriz Julia Lemmertz discursa em audiência na Câmara

 

As leis vetadas


O projeto vetado por Bolsonaro conhecido como nova Lei Aldir Blanc previa o repasse anual, pela União, de R$ 3 bilhões a governos estaduais e municipais ao longo de cinco anos.

 

Pelo projeto, os recursos seriam destinados a editais, cursos, produções e atividades artísticas, além de ações de incentivo a programas e projetos que busquem democratizar o acesso à cultura.

 

Entenda a Lei Paulo Gustavo e mais leis de incentivo à cultura | Guia do  Estudante

 

A Lei Paulo Gustavo, por sua vez, também vetada por Bolsonaro, previa o repasse de verba, pela União, a estados e municípios para o enfrentamento dos efeitos da pandemia sobre o setor cultural.

 

Pelo projeto, seriam repassados 3,86 bilhões a estados e municípios. Do total: R$ 2,79 bilhões seriam destinados a ações no setor audiovisual; R$ 1,06 bilhão, para ações emergenciais no setor cultural.

 

Nos vetos, Bolsonaro alegou que os projetos contrariam o interesse público.

 

A audiência na Câmara

 

Artistas e produtores defendem em sessão de comissão da Câmara a derrubada de vetos de Bolsonaro à cultura — Foto: Marcela Mattos/g1

 

Durante a audiência pública desta quarta-feira, a atriz Júlia Lemmertz pediu respeito ao setor cultural e disse que a derrubada dos vetos é uma forma de "olhar para a cultura".

 

"Eu venho pedir pela derrubada dos dois vetos, não só porque são leis complementares, mas porque é preciso de uma vez por todas que a gente olhe para cultura e a gente possa ter um Plano Nacional de Cultura", afirmou.


"Vamos ser honestos nisso uma vez na vida: você consome, você paga, você fomenta", acrescentou a atriz.

 

O presidente da Associação dos Produtores de Teatro, Eduardo Barata, disse que os artistas têm sido considerados no atual governo "inimigos e bandidos".

 

"Somos tratados como a escória da sociedade. Isso prejudicou muito nosso setor, mesmo antes da pandemia" afirmou.

 

Barata ressaltou ainda que o setor cultural passa por um "desemprego enorme", o que afeta técnicos, artistas e criadores.

 

"A nossa cadeia produtiva está muito prejudicada. Essas duas leis são essenciais para a sobrevivência do setor", afirmou.
A atriz Rosi Campos, por sua vez, afirmou durante a audiência pública que as duas leis vetadas são "absolutamente importantes" para o Brasil inteiro.

 

Atriz Rosi Campos participa de audiência na Câmara — Foto: Reprodução/TV Câmara

Atriz Rosi Campos participa de audiência na Câmara

 

"Nós temos uma representatividade cultural incrível, nós somos admirados no mundo todo e nós não podemos ser tratados como pessoas irresponsáveis. Nós sabemos que as artes regeneram as pessoas, reeducam as pessoas e fazem as pessoas mais felizes", disse.

 

Estratégias

 

Na audiência, deputados, artistas e produtores também discutiram estratégias para obter votos favoráveis à derrubada dos vetos.

 

Deputado Federal Arthur Lira - Portal da Câmara dos Deputados

Arthur Lira

 

O plano passa por reuniões com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), além de líderes das bancadas e abordagens aos demais congressistas. Eles também querem mobilizar parlamentares com campanhas nas redes sociais e em contatos por meio de um aplicativo de mensagens.

 

O deputado Celso Sabino (União-PA), relator do projeto da Lei Aldir Blanc na Câmara, sugeriu uma mobilização para que os vetos sejam analisados em uma quarta-feira, quando os deputados estão em Brasília. Às quintas-feiras, ressaltou, os parlamentares se deslocam para as bases políticas, o que esvazia o Congresso e pode ameaçar as votações.

 

"Se realmente estiver na pauta amanhã da reunião do Congresso, vamos nos mobilizar pelo telefone, pelo WhatsApp para que esse veto seja derrubado. Se ficar para a semana que vem, numa quarta-feira, acredito que o cenário seja mais favorável para nós", acrescentou Sabino.

 

Deputado Federal Afonso Florence - Portal da Câmara dos Deputados

Afonso Florence (Fotos: Reprodução)

 

O deputado Afonso Florence (PT-BA) disse que teve uma "reunião demorada" nesta quarta-feira com o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (PL-TO), sobre a situação do veto.

 

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De acordo com Florence, o líder governista relatou que parlamentares da base "têm disposição" para ajudar na derrubada dos dois vetos. No entanto, acrescentou, o governo não autoriza a medida, e, portanto há uma “ausência de unidade” na base pela derrubada.

 

Fonte: Portal G1

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