Responsável por gerar cerca de 2 mil empregos diretos e outros 5 mil indiretos, em 2024, a central teve um aumento de 4,74% em relação ao ano anterior. Conheça histórias de personagens que madrugam para atender o brasiliense
A partir das 3h da madrugada, enquanto grande parte dos brasilienses ainda dorme, um dos principais motores da economia verde da capital começa a funcionar: a Central de Abastecimento (Ceasa), localizada no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Responsável por gerar cerca de 2 mil empregos diretos e outros 5 mil indiretos, em 2024, a central movimentou R$ 2,15 bilhões, um aumento de 4,74% em relação ao ano anterior, quando o volume chegou a R$ 2,05 bilhões.
A central começa a atender os consumidores a partir das 4h30, sempre de segunda a sábado. O local reúne vendedores e compradores em busca de produtos frescos e de alta qualidade. Para se ter uma ideia, em 2024, foram movimentadas 338.943,53 toneladas de alimentos, uma média diária de 941,51 toneladas.
Às segundas e quintas-feiras, impulsionadas pela liberação da área conhecida como Mercado Livre do Produtor, os dias são mais movimentados. O local abriga 500 produtores cadastrados — divididos entre fixos, flutuantes e de entrega direta. Além disso, 17 organizações participam do Mercado da Agricultura Familiar, que ocorre aos sábados. São 176 empresários fixos ocupando boxes, e 214 atuam como varejistas, fortalecendo a diversidade de negócios e ampliando o alcance da Ceasa.
Veja também

Azul suspende operação em 12 cidades brasileiras
Uber Bus chega ao Brasil como alternativa de transporte coletivo econômico e confortável
Foto: Reprodução/Google
Em meio ao frenesi de funcionários transportando caixas repletas de frutas e verduras e, ao constante vaivém de caminhões e veículos, a Ceasa é um microcosmo urbano pulsante no coração do DF, quase uma pequena cidade. Antes mesmo de o sol aparecer, a reportagem presenciou o intenso movimento no local. A abertura aos compradores ocorre às 4h30, mas quem trabalha lá conta que as atividades começam bem mais cedo.O produtor rural Altamiro Ramos, de 64 anos, é um dos que madrugam no Ceasa.
Todos os dias, ele vem do município de Flores de Goiás (GO), a 236km da capital, a fim de garantir as vendas. Ele começou essa trajetória há 16 anos, como uma extensão do que já fazia em sua terra natal: cultivar e comercializar produtos agrícolas. "Às vezes, chego aqui umas 3h. Meus companheiros ajudam a aprontar a mercadoria, e a gente transporta tudo para o Ceasa", explica, com orgulho.
O trabalho, no entanto, não é isento de desafios. Segundo Altamir, a concorrência desleal é um problema crescente na Ceasa. "Pago aluguel de quase R$ 500, mas muitos produtores vendem direto no estacionamento sem pagar imposto. Isso acaba afetando nossas vendas", desabafa. Ele sugere uma fiscalização mais rigorosa desse tipo de prática. Segundo a Ceasa, a equipe de mercado e de fiscais de piso terceirizados exercem atuam para coibir essa atividade principalmente em dias de Mercado Livre do Produtor, às segundas, quintas e sábados
Do campo à mesa
Percorrer a Ceasa é como folhear um álbum de histórias de vida, no qual cada rosto revela a jornada de quem, com suor e dedicação, tira da terra o próprio sustento. A produtora Ester Carvalho, 25, por exemplo, mantém viva a tradição familiar de comercializar folhagens. De Brazlândia, a família dela tem raízes profundas na agricultura e, há cerca de sete anos, abastece o mercado local com produtos frescos, como alface, couve, cheiro-verde e acelga. "Fomos criados nesse meio. É o que sabemos fazer. Precisávamos de dinheiro, então, viemos para cá", conta Ester.
Mesmo durante a entrevista, a jovem vendedora não parava de atender clientes interessados em seus produtos. A cada venda, um sorriso iluminava seu rosto, demonstrando o orgulho por oferecer itens de qualidade. "Escolhemos bem as folhas, as mais bonitas, e atendemos pedidos feitos com antecedência. É muito satisfatório ver nossos produtos fazerem a diferença", comenta.
Fonte: com informações Correio Braziliense
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.