Elizabeth Hughes
Em um tempo em que a medicina ainda tateava no escuro frente ao diabetes tipo 1, a jovem Elizabeth Hughes, filha do então secretário de Estado dos EUA, Charles Evans Hughes, tornou-se símbolo de resiliência e fé na ciência. Diagnosticada em 1919, com apenas 11 anos, ela foi submetida à única “cura” conhecida da época: a terapia da fome, um regime de extrema restrição calórica que mais prolongava o sofrimento do que oferecia real esperança de vida.
Na prática, crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 eram privados quase completamente de comida — sobrevivendo com 400 a 600 calorias por dia — numa tentativa de controlar os níveis de açúcar no sangue. A maioria morria em poucos meses ou anos. Elizabeth, porém, viveu por mais de três anos sob essa dieta severa, chegando a pesar cerca de 20 kg aos 15 anos.
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Foi em 1921, no Canadá, que dois jovens cientistas mudaram o rumo da história da medicina: Frederick Banting e Charles Best, auxiliados por John Macleod e James Collip, conseguiram isolar uma substância produzida pelo pâncreas de cães — a insulina — que regulava os níveis de glicose no sangue.
Em janeiro de 1922, o primeiro tratamento bem-sucedido com insulina foi aplicado em Leonard Thompson, um garoto de 14 anos à beira da morte. Poucos meses depois, Elizabeth Hughes foi levada discretamente a Toronto para receber o novo tratamento.
Do desespero à vida plena
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Charles Best e Frederick Banting, dois dos responsáveis
pela descoberta da insulina
Elizabeth foi uma das primeiras pessoas no mundo a ser tratada com insulina. O resultado foi extraordinário: seu corpo esquelético voltou a ganhar peso, sua energia retornou, e ela pôde voltar à escola, viver, sonhar.
Ela viveu por mais 58 anos após o início do tratamento, casou-se, teve filhos e nunca deixou de aplicar insulina — totalizando mais de 42 mil injeções ao longo da vida. Morreu em 1981, aos 73 anos, e nunca tornou pública sua história em vida, preferindo o anonimato.
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A descoberta da insulina transformou o diabetes tipo 1 de uma doença fatal em uma condição crônica tratável. Ainda hoje, milhões de pessoas em todo o mundo dependem da insulina para sobreviver — um recurso essencial que, infelizmente, nem sempre é acessível a todos.
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Leonard Thompson, foi a primeira pessoa no mundo a receber um
remédio chamado INSULINA (Fotos: Reprodução/Google)
A história de Elizabeth Hughes é mais do que um capítulo da medicina. É um lembrete do poder da ciência, da persistência e da solidariedade. Graças a ela e a todos que participaram dessa revolução científica, milhões de crianças com diabetes tipo 1 têm hoje a chance de viver plenamente.
Fonte: Portal Mulher Amazônica
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