A luta é coletiva, e somente juntas poderemos garantir que nenhuma injustiça, seja nas urnas ou nos escritórios, fique impune.
No último episódio do Ela Podcast, tivemos a honra de receber a advogada Dra. Adriane Magalhães, que expôs detalhes alarmantes sobre o pleito eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB/AM). Dra. Adriane, que concorreu com a Chapa 22 ao lado de Dra. Grace Benayon, relatou diversas irregularidades que colocam em xeque a lisura das eleições e defendeu a necessidade de um novo processo eleitoral.
De acordo com Adriane, uma das maiores preocupações foi a falta de clareza na contabilização dos votos. “O advogado que foi lá votar não tem ideia se esses votos foram contabilizados. Não há resultados claros nem segurança no processo. Isso é absurdo e inaceitável para uma eleição de tamanha relevância.”
A advogada destacou o caos organizacional durante o dia da votação, apontando falhas graves que comprometeram o direito ao voto de muitos advogados. Segundo Dra. Adriane, “a comissão eleitoral, através do presidente, retirou o direito das pessoas de votarem”. Ela ressaltou que advogados enfrentaram dificuldades logísticas, desde filas desorganizadas até a falta de informações sobre a localização correta para votação. Você sai da sua casa num dia de semana, enfrenta sol, chuva e trânsito, chega à arena e encontra essa desorganização absurda”, disse Dra. Adriane.
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Entre as falhas apontadas estão:
• Filas erradas, nas quais advogados eram redirecionados para outras sessões repetidamente;
• O uso de cédulas de papel em situações onde não havia necessidade;
• A montagem de uma tesouraria sem justificativa, com funcionários da OAB utilizando computadores para resolver pendências não explicadas;
• A ausência de livros de ata nas mesas dos juízes, substituídos por folhas avulsas de papel;
• Cédulas de votação sem espaços para votos nulos ou brancos e sem assinaturas de validação.
Dra. Adriane também chamou atenção para erros nas cédulas de votação. O nome da candidata da Chapa 22, Dra. Grace Benayon, foi omitido, sendo substituído por nomes desconhecidos, como “Ane”. “Quem é Ane? A nossa candidata chama-se Grace, e esse é o nome de campanha.Como colocam outro nome na cédula?”, questionou a advogada, destacando o impacto negativo dessa alteração na disputa eleitoral.
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Devido à gravidade das irregularidades, Dra. Adriane informou que já realizou uma denúncia formal ao Conselho Federal da OAB e à Comissão Nacional. No entanto, o presidente da Comissão Nacional é o atual conselheiro federal, candidato pela Chapa 30, o que gera um evidente conflito de interesses. “Como ele pode julgar uma denúncia contra o presidente da comissão da OAB Amazonas, sendo que ele próprio é candidato? Essa análise precisa ser feita por outra pessoa”, afirmou Dra. Adriane.
A advogada revelou ainda que, caso a documentação necessária não seja entregue em até dois dias, como já solicitado formalmente, serão tomadas as seguintes medidas:
1. Solicitação de Intervenção do Ministério Público Federal (MPF): Para que ingresse com uma ação contra os responsáveis pelas irregularidades e determine a realização de um novo pleito.
2. Ação na Justiça Federal: Um processo de obrigação de fazer será movido, exigindo a apresentação da documentação pendente e a responsabilização dos envolvidos pelas falhas no processo eleitoral.
Dra. Adriane enfatizou que, mesmo que a chapa adversária tenha obtido mais votos, as irregularidades no pleito invalidam o resultado. “As ilicitudes ocorreram, as desorganizações ocorreram. Então, tem que ter um novo pleito, e nós vamos exigir isso, não tenha dúvida”, afirmou. Para a advogada, a OAB, enquanto instituição que deve representar a democracia e a legalidade, não pode tolerar tamanha falta de transparência e organização em um processo tão importante.

A situação descrita pela Dra. Adriane não afeta apenas os advogados do Amazonas, mas representa um problema institucional que ameaça a credibilidade da OAB em âmbito nacional. “O advogado que foi lá votar não tem ideia se o voto dele foi contabilizado. Como é que podemos confiar num processo assim?”, questionou a advogada, destacando a urgência de uma resposta efetiva das autoridades responsáveis.
As denúncias apresentadas pela Dra. Adriane Magalhães no Ela Podcast levantam questões sérias sobre a condução das eleições da OAB/AM. Com medidas legais já em andamento, os próximos dias serão decisivos para definir os rumos da disputa e da credibilidade da instituição no estado.A advogada finalizou com um apelo à classe e às autoridades: “Esse pleito precisa ser anulado. Por mais que já tenha passado todos os prazos aceitáveis, é nossa obrigação lutar por transparência e respeito aos direitos dos advogados.”
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Fotos: Reprodução/Portal Mulher Amazônica
As denúncias apresentadas pela Dra. Adriane Magalhães não apenas expõem as irregularidades nas eleições da OAB/AM, mas também trazem à tona uma reflexão profunda sobre o papel das mulheres na advocacia e na luta por igualdade. É inegável que mulheres como Grace Benayon e Adriane Magalhães carregam consigo um simbolismo poderoso: o de liderar com coragem em um ambiente tradicionalmente marcado pelo domínio masculino.
Entretanto, a ausência de apoio de algumas mulheres advogadas às suas colegas, mesmo diante de tantas lutas históricas por equidade, respeito e espaço, é um aspecto que merece atenção e debate. Em uma sociedade onde as mulheres enfrentam obstáculos diários para romper barreiras, a sororidade – o apoio mútuo entre mulheres – deveria ser um pilar fundamental.
A trajetória de Grace e Adriane nas eleições da OAB/AM é um lembrete de que a luta por equidade de gênero no mercado jurídico, assim como em outras áreas profissionais, está longe de ser concluída. Apesar de representarem competência, ética e compromisso, elas não receberam o apoio unânime de mulheres que, como elas, também enfrentam os desafios de trabalhar em um ambiente que ainda não alcançou plena paridade.
Essa falta de apoio entre mulheres suscita um questionamento importante: se não nos unimos em prol da justiça e da igualdade, como podemos avançar de forma coletiva? Não é uma questão de voto ou de chapa, mas de reconhecer que, quando uma mulher ocupa uma posição de liderança ou luta por um espaço justo, ela não está apenas abrindo portas para si mesma, mas pavimentando o caminho para todas.
Que o chamado à união feminina se torne uma realidade, e que as mulheres percebam que, enquanto uma não estiver segura e respeitada em seu ambiente de trabalho, todas estarão em risco. A luta é coletiva, e somente juntas poderemos garantir que nenhuma injustiça, seja nas urnas ou nos escritórios, fique impune.
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