17 de Fevereiro de 2026

NOTÍCIAS
Inspiração Amazônica - 17/07/2023

Doutoranda da UEA é aprovada no Programa de Mobilidade Internacional Indígena para universidade na França

Compartilhar:
Foto: Daniel Brito/Ascom UEA e Arquivo Pessoal

Indígena da etnia Kokama, Alícia Patrine garantiu uma bolsa de estudos na Université Paris 8, na França

“Eu preciso dar voz ao meu povo”. Essa é a meta de Alícia Patrine Cacau dos Santos, indígena da etnia Kokama, que conquistou a aprovação no Programa de Mobilidade Internacional Indígena "Guatá", garantindo uma bolsa de estudos na Université Paris 8, na França.

 

Alícia é doutoranda do Programa de Pós-Graduação de Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas (PPGMT/UEA), em Doenças Tropicais Infecciosas, em parceria com a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado. O "Guatá" é resultado da parceria entre a Assessoria de Relações Internacionais (ARI) da UEA e o governo francês, por intermédio da Embaixada da França, em Brasília.

 

A UEA integra um grupo de cinco universidades brasileiras credenciadas ao programa: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).

 

Veja também 

 

Pesquisadora Márcia Perales é empossada como membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Amazonas

Barbie negra: menina faz própria capa de caderno vestida como a boneca e viraliza



 

Natural de Tabatinga (distante 1.108 quilômetros de Manaus), Alícia explica que já havia participado de outras seleções, mas sem sucesso. “Ao buscar programas sanduíches na internet, notei que a UEA estava no programa Guatá.

 

Vi a bandeirinha do Brasil e disse: é a minha oportunidade. Separei toda a documentação e, quando recebi a resposta, chorei de alegria. Durante todo o processo do aceite, a ARI me deu total apoio. No momento, estamos no processo de vistos”, explica Alícia.

 

 

Para o reitor da UEA, o Prof. Dr. André Zogahib, é de extrema importância a universidade investir em parcerias visando a capacitação de alunos. "Nos alegramos imensamente de ver o crescimento profissional de pessoas formadas pela UEA. Elas estão ganhando o mundo, levando o nome da nossa instituição, do nosso estado, pelo mundo afora", enfatizou.

 

A reitora em exercício da UEA, Prof.ª Dra. Kátia Couceiro, reforça que a UEA surgiu para desenvolver o Amazonas, principalmente a educação do ribeirinho e do indígena. “A gente precisa dar oportunidade para as pessoas realizarem os seus sonhos. Vemos o desempenho, força de vontade e entusiasmo da Alícia. Isso é motivo de orgulho para a universidade", destacou.

 

 

A tratativa da parceria entre UEA e Embaixada da França iniciou no primeiro trimestre de 2023. Por meio da iniciativa, estudantes indígenas de pós-graduação da UEA, em todas as áreas do conhecimento, têm a oportunidade de estudar em universidade francesa por até 11 meses, com bolsa de estudos no valor de 800 euros e outros benefícios, como seguro-viagem. Além disso, a UEA ofertará um curso de idiomas.

 

A diretora da Assessoria de Relações Internacionais, Prof.ª Dra. Vanúbia Moncayo, explica que a parceria veio em um momento oportuno, pois a ARI passou por uma reestruturação. “Conseguimos o acordo e colocamos a UEA no programa Guatá, ao lado de grandes universidades”.

 

Fotos: Daniel Brito/Ascom UEA e Arquivo Pessoal

 

Vanúbia ressalta ainda que, pós-pandemia, o mundo vive em um processo intercultural muito pujante. “Justamente para congregar culturas diferentes e valorizar a identidade de cada um. E, para a nossa alegria, temos a primeira aluna indígena aprovada da UEA”.
Processo de reparação histórica

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.

 

Formada em Biomedicina, Alícia acredita que o momento da etnia Kokama é de resgate da identidade cultural. “Somos da região do Alto Solimões. Nossa etnia foi quase extinta. Foi um processo longo e muito violento da colonização. Durante muito tempo a gente se escondeu”, ressalta.

 

Ao relembrar a sua trajetória acadêmica, Alícia ouviu muito dos pais que os indígenas precisam estar em todos os lugares. “Tive crises de identidade por ser indígena e estar em contexto urbano. Não tive aulas de física no Ensino Médio, a infraestrutura no interior é complicada. Estudei para o Enem com livros que seriam queimados. Então, é uma luta. Porque sempre somos associados a pessoas matutas, preguiçosas, sujas. Na graduação, percebi que em muitos eventos falavam sobre a Amazônia, mas os amazônidas não estavam presentes. Ou seja, as pessoas que conhecem a realidade, que vivem em área ribeirinha, em área indígena”, contou a doutoranda. 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.