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Comportamento - 02/04/2026

Do "old" ao "tô gag": a linguagem da geração Z que domina as redes

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Foto: Reprodução

Gírias que misturam humor, ironia e referências digitais criam um vocabulário próprio e revelam novas formas de comunicação entre jovens

Basta alguns minutos no TikTok, no X ou nos comentários do Instagram para perceber que nem sempre é fácil entender tudo o que está sendo dito. Expressões como “gag”, “fomo” e “jurou” surgem com naturalidade e para quem não está inserido nesse universo, podem soar como um idioma à parte. Já para quem vive dentro desse universo, essas palavras carregam significados mais específicos do que aparentam.

 

A linguagem usada pela geração Z nas redes sociais vai além de simples gírias. Trata-se de uma forma de comunicação construída a partir da internet, moldada por memes, vídeos virais e interações digitais. Nesse ambiente, palavras são encurtadas, adaptadas e até ressignificadas. Grande parte desse vocabulário, inclusive, tem raízes na cultura ballroom e na comunidade drag, sendo popularizado por mulheres e pela comunidade LGBTQIA + antes de ganhar espaço no universo digital.

 

Expressões como “Queen”, “servi” e “slayy” funcionam como elogios. São usadas quando alguém se destaca, seja por estilo, atitude ou presença. Já termos como “serviu cunt” e “a mais mais” reforçam essa ideia de admiração, transformando pessoas em ícones. Ao mesmo tempo, parte desse vocabulário traduz comportamentos típicos das relações digitais. “Ghost”, por exemplo, descreve o ato de desaparecer de uma conversa sem dar explicações. É uma prática comum nas interações virtuais e que acabou ganhando um nome próprio, fácil de reconhecer e reproduzir.

 

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Outras expressões misturam sentimentos de forma direta. “Coringar” virou sinônimo de surtar diante de uma situação. “Fomo”, sigla em inglês para medo de ficar de fora, expressa a ansiedade de não participar de algo importante. Já “old” funciona como uma variação de “óbvio”. A popularização dessas gírias está diretamente ligada ao funcionamento das redes sociais. Plataformas baseadas em vídeos curtos e respostas imediatas favorecem uma comunicação mais ágil, em que dizer muito com poucas palavras se torna natural. Nesse contexto, as gírias funcionam como atalhos de linguagem.

 

 

O uso dessas expressões atua como um marcador de pertencimento, dominar esse vocabulário sinaliza conexão com comunidades digitais específicas. No caso da comunidade LGBTQIA +, essas gírias funcionam como um 'pajubá' moderno, um código de identificação e resistência que fortalece os laços internos. Por outro lado, o desconhecimento desses termos pode gerar um distanciamento, criando barreiras comunicacionais até mesmo entre indivíduos da mesma geração.

 

Fotos: Reprodução

 

Nem todos conseguem acompanhar o ritmo dessas mudanças. Dentro da própria geração Z, há quem se depare com termos desconhecidos ou usados de formas diferentes dependendo do contexto. Uma mesma palavra pode variar de sentido conforme o tom da conversa ou o tipo de conteúdo em que aparece. A velocidade com que essas expressões surgem e desaparecem é outro traço importante. Diferente de outras épocas, em que gírias levavam anos para serem marcantes, hoje uma palavra pode viralizar em um único dia e perder força pouco tempo depois. As redes funcionam como aceleradores desse processo.

 

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Ainda assim, o fenômeno não é novo. A língua sempre se transformou ao longo do tempo. O que muda agora é a intensidade e o alcance dessas mudanças. A internet permite que uma gíria criada em um grupo específico atravesse fronteiras e se espalhe globalmente em questão de horas. Esse vocabulário mostra uma maneira de existir no ambiente digital. Entre ironias, abreviações e referências, a geração Z e agora junto da Alpha constrói uma linguagem que não apenas comunica, mas performa, diverte e conecta.

 

Fonte: com informações do Correiio Braziliense 

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