Cortinão de fumaça sobre o indiciamento por golpismo de Jair Bolsonaro
Apesar dos defensores da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) contra o aborto afirmaram que a proposta protege a vida, ela irá provocar mais mortes, afirmou a colunista Cris Fibe ao UOL News.
A PEC foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) hoje e, na prática, proíbe o aborto no Brasil, mesmo em situações previstas pela lei, como estupro.
Aqui no Brasil, a gente tem o direito legal [do aborto] previsto pela Constituição em caso de anencefalia do feto, ou de risco de vida da mãe e do bebê, ou em casos de estupro. Com essa PEC sendo aprovada — e eu acho que a gente tá falando aqui de um risco real, embora espere que isso não aconteça —, a gente tá falando de uma PEC que vai aumentar o número de mortes. Então, a gente não está falando de uma PEC de proteção à vida. Isso é mentira.
Veja também

Ministras da Cultura e das Mulheres conversam sobre ações da campanha Feminicídio Zero no Carnaval
Sob protestos, CCJ da Câmara aprova PEC que proíbe aborto legal

Quando usam essa expressão para aprovar essa PEC, 'estamos falando aqui do direito à vida, à concepção da vida desde o feto', isso é mentira, porque eles estão tentando criar mais um obstáculo para que mulheres que têm o direito legal ao aborto como proteção à sua vida, percam esse direito e morram. Morram nos hospitais, morram em locais clandestinos, onde elas vão buscar o aborto ilegal. Isso já acontece no Brasil hoje.

Se ela tiver o direito a buscar o aborto de maneira segura, com acesso à saúde, isso protege as vidas.Então, essa PEC, que é tida como uma PEC de proteção à vida desde a concepção, na verdade é uma PEC assassina, que vai causar mortes, aumentar o número de mortes, aumentar o número de abortos ilegais.Cris Fibe, colunista do UOL

Fibe destaca que, desde o governo Bolsonaro, meninas e mulheres têm enfrentado mais obstáculos para conseguir acesso ao aborto.Então, vamos imaginar que uma menina de 10, 11, 12 anos é estuprada pelo seu pai ou pelo seu padrasto ou pelo seu avô dentro de casa, engravida, e ela fica impedida por lei de tirar esse feto que coloca a sua própria vida em risco e é fruto de um estupro.

A gente já vem, desde a era Bolsonaro, vendo que as meninas e mulheres têm os seus direitos legais ao aborto mais dificultados. E meninas estão correndo risco de vida sério por causa disso. Então, [a PEC] é mais um passo nessa direção.

É claro que tem um componente do timing disso. Tem também o timing da investigação do indiciamento dos golpistas, que está tomando o noticiário brasileiro.

Então, a Câmara - olha que loucura - tenta proibir aborto em crianças estupradas como cortina de fumaça para o golpismo do Bolsonaro.Leonardo Sakamoto, colunista do UOL.

Sakamoto destaca que meses atrás a discussão sobre aborto legal havia voltado depois que outra PEC tentava prever pena de homicídio para pessoas que fizessem aborto.Vamos lembrar que a questão do estupro de crianças é uma questão que pegou muito forte meses atrás num projeto de lei bizarro que tava circulando no país.

E aí o pessoal foi pra cima. Pessoas religiosas, sem religião, conservadoras, progressista, falaram: "Pera lá, tem limite para tudo nessa vida, né? Vamos parar com isso, porque isso é um absurdo completo".

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no Facebook, Twitter e no Instagram.

Fotos: Reprodução/Google
Então, isso vai voltar. Se aprovar isso, crianças que ficarem grávidas após estupro que não tenham capacidade de levar adiante a gestação, serão proibidas de abortar. Tudo isso pra quê? Cortinão de fumaça sobre o indiciamento por golpismo de Jair Bolsonaro.
Fonte: com informações Uol
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.