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Elas nos inspiram - 17/01/2024

Diana Salazar: Conheça a procuradora-geral que luta contra a "narcopolítica" no Equador

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Foto: Reprodução Google

?A resposta a esta operação será, certamente, uma escalada de violência?, falou ela, sem hesitar, em 14 de dezembro.

Ela não é adivinha, mas a procuradora-geral Diana Salazar, de 42 anos, antecipou, semanas antes, uma das piores investidas do narcotráfico no Equador. “Que o país esteja preparado”, anunciou ela, após remover as fibras mais sensíveis das máfias e seus tentáculos no poder. “A resposta a esta operação será, certamente, uma escalada de violência”, continuou ela, sem hesitar, em 14 de dezembro.

 

Diana acabava de revelar a investigação “Metástase”, descrita como a pedra fundamental da “narcopolítica” no Equador. Existe uma “profunda decomposição estrutural que é galopante no país (…) Um sistema consumido pelo câncer da corrupção”, acrescentou. Juízes, políticos, procuradores, policiais, um ex-diretor da autoridade penitenciária e muitos outros membros de altos escalões do poder foram acusados de beneficiar organizações criminosas em troca de dinheiro, ouro, prostitutas, apartamentos e luxos.

 

Com mão de ferro, a primeira mulher negra a chegar à chefia do Ministério Público desvendou a trama, depois de escrutinar milhares de chats e registros de chamadas telefônicas de um temido chefão do tráfico assassinado na prisão, em outubro de 2022, durante um motim. Desde então, em suas poucas aparições públicas, ela usa colete à prova de balas e anda protegida por um robusto esquema de segurança.

 

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“Digo com nome e sobrenome (…) agora, venham me matar”, afirma, em tom de desafio, durante uma audiência, quando pediu a prisão de oito novos suspeitos.

 

Em 7 de janeiro, a previsão de Salazar se tornou realidade. Ao longo de uma semana, os narcotraficantes colocaram em xeque o Estado equatoriano, fazendo centenas de reféns nas prisões e lançando ataques com explosivos, agressões armadas à imprensa e tiroteios, em uma onda de violência que deixou cerca de 20 mortos.

 

Quando a situação parecia sob controle, o promotor antimáfia Carlos Suárez, que investigava a espetacular invasão, ao vivo, de homens armados ao canal de televisão TC, em 9 de janeiro, foi morto nesta quarta-feira em Guayaquil. “Diante do assassinato do nosso colega César Suárez (…) serei enfática: os grupos de delinquência organizada, os criminosos, os terroristas não vão deter nosso compromisso com a sociedade equatoriana”, afirmou Salazar na plataforma X.

 

Salazar x Correa 

 

 

Diana Salazar nasceu em junho de 1981 em Ibarra, no norte andino, conhecida como a Cidade Branca, com cerca de 160.000 habitantes. Em entrevista à imprensa local, contou que sua mãe, psicóloga, criou quatro filhos sozinha. Estudou Ciência Política, tem doutorado em Jurisprudência e vários diplomas em direitos humanos e proteção de pessoas afrodescendentes. Em 2011, tornou-se procuradora local.

 

Chegou ao cargo máximo em 2019 e, um ano depois, processou o popular ex-presidente Rafael Correa (2007-2017) por corrupção, recomendando a pena máxima de oito anos. Condenado e exilado na Bélgica, de vez em quando lança-lhe ataques. “Diana Salazar é tão desastrada que ela mesma mostra isso”, escreveu o ex-presidente na rede X em 8 de janeiro.

 

“Em minha escala de valores, não está contactar, ameaçar, nem conversar com condenados nem com foragidos da Justiça”, rebateu a procuradora-geral. Salazar já foi chamada de Loretta Lynch equatoriana, por sua semelhança com a procuradora-geral dos Estados Unidos que também expôs ninhos de corrupção e foi a primeira mulher negra a assumir esse cargo em seu país.

 

Fotos: Reprodução Google

 

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Em 2021, o Departamento de Estado americano reconheceu Diana Salazar como uma “campeã anticorrupção” por ser um exemplo “de heroína para juízes, advogados e procuradores em toda a América do Sul”. Embora tenha sido criticada por sua estreita proximidade com os americanos, a primeira procuradora do Equador, Mariana Yépez (1999-2005), acredita que muitas das acusações estejam relacionadas com machismo.

 

Salazar já denunciou racismo e ameaças de morte contra ela e sua filha.

 

Fonte: com informações da Revista IstoÉ 

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