Apesar do avanço na identificação do TEA, especialistas alertam que milhares de famílias ainda enfrentam dificuldades para conseguir acesso às terapias
Segundo o último e inédito levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o equivalente a 1,2% da população. A pesquisa, divulgada pela primeira vez com dados específicos sobre autismo, revelou ainda que a maior prevalência está entre crianças de 5 a 9 anos, refletindo o avanço da conscientização e da identificação precoce do transtorno no país.
Mas, enquanto o diagnóstico avança, milhares de famílias ainda enfrentam um desafio diário para conseguir acesso às terapias recomendadas, esbarrando em filas de espera, falta de profissionais especializados e dificuldades junto aos planos de saúde.
O cenário foi reforçado por um levantamento nacional divulgado em 2026 pelo Mapa Autismo Brasil, que apontou que o acesso ao diagnóstico e às terapias continua sendo limitado, apesar do aumento da conscientização sobre o transtorno. O estudo evidenciou que muitas famílias ainda encontram barreiras para obter atendimento especializado de forma contínua e no tempo adequado, especialmente fora dos grandes centros urbanos.
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Para a advogada especialista em Direito Médico, Dra. Gabrielle Brandão, o crescimento dos diagnósticos trouxe maior visibilidade para um problema que há anos afeta milhares de famílias brasileiras.
"O aumento dos diagnósticos é extremamente positivo porque permite que mais pessoas tenham acesso à informação e à possibilidade de intervenção precoce. No entanto, muitas famílias descobrem que o maior desafio começa justamente após a confirmação do diagnóstico, quando precisam buscar tratamentos e encontram uma estrutura insuficiente para atender à demanda existente", afirma.
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Fotos: Divulgação
Entre as principais dificuldades relatadas estão as longas filas de espera para consultas e terapias, tanto na rede pública quanto na saúde suplementar. Em diversas regiões do país, a oferta de profissionais especializados em áreas como psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e análise do comportamento aplicada (ABA) ainda é insuficiente.
"É comum que os responsáveis recebam a indicação médica para um acompanhamento multidisciplinar e, ao buscar atendimento, encontrem indisponibilidade de vagas ou uma espera prolongada. Em alguns casos, isso significa meses até o início das terapias, um período que pode fazer diferença importante no desenvolvimento da criança", explica a especialista.
Fonte: com informações Mariana Kotscho
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