Enquanto campanhas destacam inclusão, famílias, especialmente mães, relatam abandono, falta de políticas públicas e exaustão emocional no cuidado diário
No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a discussão sobre inclusão e direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ganha visibilidade global. Em 2026, o tema da campanha “Autonomia se constrói com apoio”, reforça a importância de redes estruturadas de suporte.
Mas, na prática, uma parcela essencial dessa rede segue invisível: as mães de pessoas autistas, que concentram a maior parte do cuidado e enfrentam uma rotina marcada por sobrecarga, renúncias e ausência de apoio institucional.
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O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social. Estimativas internacionais indicam que 1 em cada 31 crianças está dentro do espectro. No Brasil, projeções apontam para cerca de 6,9 milhões de pessoas autistas, embora ainda não existam dados oficiais consolidados em nível nacional.
Especialistas e organizações alertam que, apesar do aumento nos diagnósticos, o país ainda enfrenta entraves importantes:

• dificuldade no acesso ao diagnóstico precoce
• escassez de terapias especializadas no sistema público
• desigualdade regional na oferta de serviços
• fragilidade na implementação de políticas públicas
Rotina de cuidado recai, majoritariamente, sobre as mães

Na maior parte dos casos, o cuidado diário de pessoas com TEA é assumido pelas mães. São elas que acompanham consultas, organizam terapias, lidam com crises e intermediam o processo educacional.
Além disso, muitas relatam precisar:
• abandonar ou reduzir a jornada de trabalho
• arcar com custos elevados de tratamento
• enfrentar longas filas por atendimento no sistema público
A sobrecarga não é apenas prática, mas também emocional. Falta de rede de apoio, isolamento social e desgaste psicológico são recorrentes entre essas mulheres.
Direitos previstos na lei ainda esbarram na realidade

O Brasil conta com legislações que garantem direitos às pessoas com TEA, como a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Autismo. No entanto, famílias relatam dificuldades para acessar serviços básicos.
Entre os principais problemas apontados estão:

• demora no atendimento pelo SUS
• número insuficiente de profissionais especializados
• escolas sem preparo para inclusão efetiva
• necessidade frequente de judicialização para garantir direitos
“Autonomia exige suporte”, dizem especialistas
O tema da campanha deste ano reforça que a autonomia de pessoas autistas depende diretamente de acompanhamento adequado. Entre as medidas consideradas essenciais estão:
• atendimento multidisciplinar contínuo
• inclusão escolar com suporte especializado
• políticas de inserção no mercado de trabalho
• apoio às famílias e cuidadores
Para especialistas, não é possível falar em independência sem considerar o impacto da sobrecarga familiar, especialmente sobre as mães.
Cuidado invisível levanta debate sobre desigualdade de gênero
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A concentração do cuidado nas mulheres também reacende discussões sobre desigualdade de gênero no Brasil. No contexto do autismo, mães frequentemente acumulam múltiplas funções:
• cuidadoras em tempo integral
• mediadoras terapêuticas
• responsáveis pela articulação de direitos
Sem políticas específicas voltadas a essas mulheres, o risco de adoecimento físico e mental aumenta.
Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

Fotos: Reprodução/Google
O Portal Mulher Amazônica defende que o debate sobre autismo no Brasil precisa avançar para além da conscientização simbólica. Para o portal, é necessário:
• ampliar o acesso a terapias pelo SUS
• estruturar políticas públicas voltadas a mães e cuidadoras
• garantir inclusão escolar com preparo técnico
• criar programas de apoio psicológico e autonomia financeira
O entendimento é de que não há inclusão real sem suporte a quem sustenta o cuidado diariamente. Por trás de cada avanço, há uma rede invisível e, muitas vezes, solitária, que precisa ser reconhecida, apoiada e incluída nas políticas públicas.
Fontes:
Organização das Nações Unidas
Ministério da Saúde
Canal Autismo
Biblioteca Virtual em Saúde
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