Um dos problemas mais comuns é a falta de entrega dos produtos
O universo das compras on-line promete praticidade, variedade e preços irresistíveis. Mas, para muitos consumidores, essa comodidade pode se transformar em um pesadelo. Foi o que aconteceu com a artista e professora brasiliense Daniele Dias, de 19 anos. Com uma rotina intensa, dividida entre os palcos, as salas de aula e a universidade, ela precisava otimizar seu tempo e decidiu adquirir novas roupas para suas aulas de dança em uma loja virtual. O resultado? R$ 350 gastos, 20 peças compradas e nenhuma entrega.
O que começou como uma simples compra se tornou um verdadeiro teste de paciência. Primeiro, vieram as promessas de que o pedido estava “em revisão”. Depois, um vago status de “processando”. E então, o silêncio absoluto. Os e-mails passaram a ser ignorados e a loja simplesmente desapareceu. “Avisei que recorreria ao Procon, e só assim fui atendida”, relata Daniele, que, após 60 dias de espera e muita insistência, finalmente conseguiu seu dinheiro de volta.
Casos como o dela são cada vez mais comuns. Com um faturamento previsto de R$ 224,7 bilhões em 2025, o comércio eletrônico no Brasil segue crescendo, mas os golpes e fraudes acompanham esse ritmo. Segundo o Relatório de Identidade Digital e Fraude da Serasa Experian, a confiança dos consumidores na segurança oferecida pelas empresas caiu de 51% para 43%. E mais: 48% dos entrevistados já desistiram de uma compra por suspeitarem da idoneidade do site.
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O advogado Igor Marchetti, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), alerta para um dos problemas mais recorrentes: o descumprimento de oferta, ou seja, quando o produto simplesmente não chega. “Isso gera enorme frustração. No ano passado, um terço das reclamações registradas foram sobre esse tipo de situação”, afirma. Outro problema grave é a venda de produtos defeituosos, além da cobrança abusiva do frete, muitas vezes usada para mascarar o verdadeiro preço do item.
O professor de direito Nauê Bernardo, do Centro Universitário de Brasília, chama a atenção para os falsos marketplaces, sites que imitam plataformas famosas e enganam consumidores desatentos. O truque mais comum? Ofertas irresistíveis. “Se o preço está muito abaixo do normal, desconfie. Além disso, é fundamental verificar a reputação do vendedor”, alerta.

Foto: Reprodução/Google
Os idosos e pessoas com pouco acesso à informação são os mais vulneráveis. O advogado Igor Marchetti destaca que, para muitos, a internet ainda é um ambiente desconhecido e traiçoeiro. “O acesso digital é desigual, e os consumidores mais vulneráveis acabam sendo as vítimas mais frequentes”, explica. Por isso, especialistas defendem campanhas educativas sobre direitos do consumidor desde a escola.
Mas o que fazer se você for vítima de um golpe on-line? Documente tudo. Guarde e-mails, prints de conversas e comprovantes de pagamento. Registre a queixa no site consumidor.gov.br e procure o Procon da sua cidade. Se a questão não for resolvida, uma ação no Juizado Especial Cível pode ser a solução – e sem necessidade de advogado para valores de até 20 salários mínimos.
O Código de Defesa do Consumidor é um grande aliado nessa batalha. “É uma legislação moderna e um verdadeiro tesouro. O que não podemos permitir é que, sob a justificativa de modernização, direitos sejam flexibilizados”, ressalta Nauê Bernardo. Em tempos de um comércio digital em ascensão, a melhor defesa continua sendo a informação. Afinal, em um ambiente onde as armadilhas se sofisticam a cada dia, a prevenção é o único caminho seguro.
Fonte: com informações da Agência Brasil
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