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Meio Ambiente - 28/05/2024

Desmatamento total cai 11,6% no Brasil em 2023, na Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e Pantanal

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Foto: Reprodução/Google

Apesar de grande redução na Amazônia, devastação no Cerrado aumentou e bioma lidera agora ranking do desmatamento.

Em 2023, o desmatamento no Brasil caiu. Na conta que considera todos os biomas nacionais – Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e Pantanal – a redução foi de 11,6%. O cálculo faz parte do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD), lançado nesta terça-feira (28/05) pelo Mapbiomas.

 

Isso não significa que o cenário seja positivo em todo o país. Enquanto o corte da Floresta Amazônica despencou 62,2% no ano passado, o do Cerrado disparou e, pela primeira vez, liderou o ranking da destruição.

 

Foram 11,1 mil quilômetros quadrados perdidos deste bioma, o que representa 61% do total.Desde que o RAD começou a ser compilado, em 2019, é a primeira vez que o desmatamento da vegetação nativa teve uma reversão de tendência, destaca Tasso Azevedo, coordenador da iniciativa. Mas a velocidade da destruição do Cerrado observada no ano passado preocupa.

 

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“O desmatamento no Cerrado foi duas vezes e meia maior que o observado na Amazônia em 2023. Se você pensar que ele ocupa metade da área comparada à da Amazônia, proporcionalmente, é como se o Cerrado estivesse desaparecendo cinco vezes mais rápido”, afirma à DW Azevedo,

 

Em todo o Brasil, menos de 1% das propriedades rurais devidamente registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) teve indício de desmatamento em 2023. Mas elas fazem um grande estrago: são responsáveis por 89% da área de vegetação suprimida no país.

 

O epicentro do desmatamento

 

 

Outro registro capturado pelo relatório é a frente de destruição que avança pelo Matopiba. A região, acrônimo para os estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, é a fronteira agrícola em rápida expansão e respondeu por quase metade (47%) de toda perda de vegetação.“É a primeira vez que um estado fora do bioma amazônico lidera o ranking do desmatamento. O Maranhão, embora tenha uma pequena área de Floresta Amazônica, é principalmente coberto por Cerrado”, comenta Azevedo.

 

De 2022 para 2023, o Maranhão saiu da quinta posição para a liderança entre os estados, com um aumento de 95,1% do corte de vegetação. A maior parte, 87% dos casos, não foi autorizada pelos órgãos ambientais responsáveis.

 

O estado do Piauí, por outro lado, foi o único do Matopiba a registrar queda de um ano para o outro. Segundo especialistas ouvidos pela DW, a explicação pode estar na nova política estadual de prevenção e combate ao desmatamento ilegal. Uma lei estadual obriga proprietários rurais a manterem 30% da vegetação de Cerrado como reserva legal, acima dos 20% estabelecidos pelo Código Florestal.

 

Mudança de foco

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O aumento da fiscalização na Amazônia em 2023, promessa de campanha do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, é a principal causa apontada para a queda do corte de floresta. A retomada do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), criado em 2004 e abandonado pelo governo de Jair Bolsonaro, prevê ainda em sua nova fase o incentivo a atividades produtivas sustentáveis e o ordenamento fundiário e territorial.

 

Uma das hipóteses é que a maior vigilância sobre a Amazônia pode ter empurrado a indústria ilegal para o Cerrado. “Desmatar custa caro. E como estamos neste momento de maior restrição na Amazônia, quem financia o desmatamento pode ter mudado o foco para o Cerrado”, analisa Azevedo.Uma outra possível explicação para o cenário é a nova regulamentação ambiental europeia. Aprovada em abril último, a lei proíbe a importação de produtos vindos de áreas com desmatamento identificado até dezembro de 2020. A regra, que passa a valer no fim do ano, tem um outro componente: os produtores que desejam exportar para a União Europeia terão que estar de acordo com a legislação nacional.

 
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Segundo o RAD, pelo menos 208 mil eventos de desmatamento aconteceram no Brasil após dezembro de 2020 totalizando 49 mil km2 – uma área maior que a da Bélgica, onde fica a sede do Parlamento Europeu. Se a regulamentação for levada ao pé da letra, 230 mil propriedades rurais brasileiras estariam impedidas de vender seus produtos ao bloco.

 

Fonte: com informações da Revista IstoÉ

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