Áreas afetadas são mostradas em capturas feitas pelo Imazon com imagens da Planet.
Uma análise de imagens de satélite de áreas afetadas pelo desmatamento mostra como o processo de degradação vem alterando a vegetação em Unidades de Conservação na Amazônia Legal. A comparação do antes e depois das regiões foi realizada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a pedido do g1.
As imagens de satélites de alta resolução da Planet mostram trechos nas 3 áreas de proteção ambiental que mais registram taxas de desmate durante os últimos 3 anos da série do PRODES, um relatório anual do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Foi justamente durante esses três anos do governo Jair Bolsonaro que o desmatamento em unidades de conservação pontuou as maiores taxas da série histórica (veja gráfico abaixo).
Veja também

Torres de 35m no meio da Amazônia vão medir estragos da crise climática em estudo inédito; entenda

A análise das imagens considera as seguintes UCs: Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu (com 1.404 km² no acumulado do período); Floresta Nacional do Jamanxim (com 413 km²) e Reserva Extrativista Jaci-Paraná (com 304 km²).
Veja as comparações abaixo.
Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu - Pará

Na primeira comparação de imagens de satélite, é possível ver trechos de desmatamento em 2020, 2021 e 2022 na Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, na bacia do rio de mesmo nome.
A região está localizada nos municípios de São Félix do Xingu e Altamira, no sudoeste do estado do Pará. Como é uma Área de Proteção Ambiental (APA), a ocupação humana é permitida desde que haja um uso sustentável dos seus recursos naturais.
O problema é que a região é palco de grande movimentação de grileiros que desmatam para se apossar de terras da unidade.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/B/2/YVL4SIRzmp6cohSDxktg/gp0sttzze-web-size-with-credit-line.jpg)
Foto: Reprodução (Região do Triunfo do Xingu em sobrevoo do Greenpeace de 2019.
Como destaca o Instituto Sociambiental, apesar de a maior parte do desmatamento ter ocorrido antes da criação da APA, a região continua atraindo madeireiros por causa da exploração do mogno (Swietenia macrophylla), que é uma madeira nobre muito comum nessa área .
Segundo um levantamento do próprio Imazon, a APA foi o território protegido da Amazônia mais pressionado pelo desmatamento no primeiro trimestre deste ano. Somente em 2021, a área desmatada na região foi de 531,74 km² de floresta, um pouco maior que o município de Manaus.

No destaque acima, é possível ver uma área de 4,6 km² desmatada na APA em uma foto de maio de 2022.
Floresta Nacional do Jamanxim - Pará

Na segunda imagem o destaque é a Floresta Nacional do Jamanxim, um área de 1,3 milhão de hectare também no sudeste do Pará, na cidade de Novo Progresso. Na imagem, também é possível ver trechos de desmatamento entre 2020 e 2022.
Como mostrou o g1, a extração ilegal de madeira é algo recorrente na FLONA. Segundo um levantamento da Rede Simex, a maior parte da exploração madeireira ilegal nas unidades de conservação do Pará ocorreu na floresta.
O local teve 56 hectares com registros de exploração madeireira entre 2020 e 2021, o que representa 45% da área irregularmente afetada nas unidades de conservação do estado.
Somente em 2021, segundo o Prodes, a área desmatada na região chegou a mais de 190 km², uma área um pouco menor que Aracaju (SE).

No destaque acima, é possível ver uma área de 1,5km² desmatada na Floresta em uma foto de maio de 2022.
Reserva Extrativista Jaci-Paraná - Rondônia

Na terceira e última imagem vemos as transformações do desmatamento entre 2020 e 2022 na Reserva Extrativista Jaci-Paraná, em Rondônia, uma unidade de conservação de mais de 196 mil hectares até 2021.
No ano passado, porém, o governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha, aprovou uma lei que tentou reduzir os limites da floresta em mais de 150 mil hectares (veja imagem abaixo), mas o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) a declarou inconstitucional.
O governo argumentava que a leia seria uma forma de regularizar as propriedades já existentes e solucionar os conflitos agrários na reserva.
Na época, o TJ argumentou que não houve uma justificativa do governo para a redução das áreas nem estudo prévio dos impactos ambientais na região, palco de conflitos de caça, pesca, desmatamento, pastagem, grilagem e queimadas.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/A/J/hSgINQTt6jSUbpMsBuBw/resex-jaci-parana-antes-e-depois.jpeg)
Em 2021, durante esse período de alteração da área da reserva, o desmatamento aumentou consideravelmente na região. Somente na Resex, o crescimento foi de 2700%, segundo dados da WWF Brasil.
Já segundo o Prodes, somente em 2021, 107,09 km² da floresta foram desmatados - uma área equivalente à capital do Espírito Santo.

Fotos: Reprodução
No destaque acima, é possível ver uma área de 2 km² desmatada na reserva em uma foto de agosto de 2022.
Fonte: Com informações do Portal G1
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.