Katryna destacou a necessidade de políticas públicas inclusivas e de uma sociedade mais empática e informada. "A educação é a chave para combater o preconceito.
No mais recente episódio do Ela Podcast, apresentado por Maria Santana, Katryna Bernardo compartilhou sua inspiradora história de vida como pessoa trans, abordando suas lutas e conquistas. Katryna, formada em gastronomia e direito, está agora se preparando para enfrentar um novo desafio: concorrer ao cargo de vereadora na Câmara Municipal de Manaus (CMM) pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Sua trajetória de ativismo social, especialmente em prol da comunidade LGBTQI+, destaca seu compromisso com a causa.
Durante a conversa sincera e emotiva, Katryna abordou questões pessoais e sociais enfrentadas ao longo de sua jornada. Ela revelou que aceitar sua identidade trans foi um processo complexo e desafiador.
"Assumir minha identidade trans foi um caminho repleto de autoconhecimento e autoconfiança. Pessoalmente, enfrentei o medo do julgamento e da rejeição. Socialmente, a falta de compreensão e a discriminação foram obstáculos constantes," disse Katryna. A resistência da sociedade em aceitar a diversidade de identidades de gênero ainda é um grande desafio, e ela destacou a importância de educar e sensibilizar as pessoas sobre essas questões.
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Ao ser questionada por Maria Santana sobre a discriminação e homofobia ao longo de sua trajetória e o impacto dessas experiências em sua saúde mental e bem-estar emocional, Katryna respondeu: "Infelizmente, a discriminação e a homofobia são realidades constantes na vida de muitas pessoas trans. Essas experiências tiveram um impacto profundo na minha saúde mental, causando ansiedade e depressão em diversos momentos."
Katryna compartilhou um momento particularmente difícil em que foi alvo de agressões verbais e físicas. "Foi um dos momentos mais desafiadores da minha vida," lembrou ela. Maria Santana também perguntou sobre ações que podem ser implementadas para oferecer melhor apoio psicológico à comunidade LGBTQI+. "Cuidar da saúde mental é crucial para a comunidade LGBTI+," afirmou Katryna. "Precisamos de mais programas de apoio psicológico acessíveis e especializados. Ações como a criação de centros de acolhimento e suporte, linhas de atendimento emergencial e campanhas de conscientização sobre a importância da saúde mental podem fazer uma grande diferença."
Katryna destacou a necessidade de políticas públicas inclusivas e de uma sociedade mais empática e informada. "A educação é a chave para combater o preconceito. Precisamos de mais campanhas educativas, treinamentos em diversidade e inclusão em empresas e instituições, e políticas públicas que garantam o acesso a serviços de saúde mental para todos."

Seu envolvimento na Associação de Travestis, Transexuais e Transgêneros do Estado do Amazonas (ASSOTRAM) foi motivado pela necessidade de lutar por direitos e dignidade para a comunidade trans. A ASSOTRAM tem sido uma plataforma poderosa para promover a igualdade e oferecer suporte àqueles que mais precisam.
Ainda durante a entrevista Maria Santana e Katryna lembraram do caso de Manuella Otto, morta aos 25 anos no dia 13 de fevereiro de 2021, dentro de um quarto de motel no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus, com tiros pelas costas. O principal suspeito é o ex-cabo da polícia militar do Amazonas, Jeremias da Costa Silva, 28 anos. Jeremias foi preso preventivamente no dia 18 de fevereiro daquele ano. A defesa tentou um habeas corpus para que ele respondesse pelo crime em liberdade, mas o pedido foi negado pela ministra Laurita Vaz do Superior Tribunal de Justiça em decisão do dia 17 de dezembro de 2021.
O processo sobre o transfeminicídio de Manuella Otto corre em segredo de Justiça. O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) informou que Jeremias da Costa Silva, agora réu, vai a júri popular, conforme decisão de 1ª instância. A defesa ingressou com recurso e o pedido aguarda análise em 2ª instância. “Após transitar em julgado e havendo a manutenção da pronúncia, o processo será pautado para julgamento em plenário”, informou o TJAM.

Katryna Bernardo também abordou os desafios locais de homicídios homofóbicos. O Brasil, pela 14ª vez consecutiva, é o país que mais mata pessoas trans no mundo, segundo o Relatório de 2021 da Transgender Europe (TGEU), que monitora dados globalmente em parceria com instituições Trans e LGBTQIAP+. Entre outubro de 2020 e setembro de 2021, foram registradas 125 mortes de pessoas trans no país, sendo as mulheres as maiores vítimas de transfeminicídio.
A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em seu Dossiê Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais publicado em 2022, coloca o estado do Amazonas na 10ª posição na lista de lugares com mais homicídios de pessoas trans, com quatro notificações.O Relatório de Mortes Violentas de LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais e mais) no Brasil, publicado em 2021 pelo Grupo Gay da Bahia, aponta Manaus como a terceira capital brasileira mais insegura para pessoas LGBT+, ao lado de Rio de Janeiro e Curitiba, com sete ocorrência.
Para entender o contexto local, é importante analisar os índices de homicídios homofóbicos. O Amazonas registrou a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes na região Norte e a segunda maior do Brasil em 2021. Manaus, como capital do estado, enfrenta desafios significativos nessa área. Em 2022, a cidade teve 1.041 homicídios, resultando em uma taxa de 50,66 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Esses números são alarmantes e exigem ações efetivas para proteger a população LGBTQIA+.
Como pré-candidata a vereadora, Katryna tem planos ambiciosos e bem definidos. "Pretendo implementar políticas de inclusão no mercado de trabalho, programas educacionais que abordem a diversidade desde a infância e reforçar as leis contra a discriminação," afirmou. "Também quero criar um centro de apoio para a comunidade LGBTI+ em Manaus, onde as pessoas possam encontrar suporte psicológico e jurídico."

Ao concluir a entrevista, Katryna deixou uma mensagem de encorajamento para outras pessoas enfrentando desafios semelhantes. "Gostaria de dizer que vocês não estão sozinhos. Procurem apoio, seja de amigos, familiares ou organizações. Acreditem na sua força interior e lembrem-se que, juntos, somos mais fortes. Continuem lutando e nunca desistam dos seus sonhos e da sua identidade."
A entrevista com Katryna foi uma lição de resiliência e determinação, mostrando que, mesmo diante de adversidades, é possível encontrar força para transformar a realidade. Ela continua a ser uma voz poderosa na luta pelos direitos da comunidade LGBTI+ e uma inspiração para todos que buscam justiça e igualdade.

Fotos: Reprodução/Portal Mulher Amazônica
O Portal Mulher Amazônica e Ela Podcast conclui esta matéria declarando que ninguém tem o direito de julgar o outro com base em sua identidade de gênero ou orientação sexual. A justiça pertence a Deus, e nossa missão é agir com amor e equidade, garantindo que todos possam viver com dignidade e segurança. Katryna é uma inspiração para todos nós, lembrando que, com coragem e determinação, é possível transformar a realidade e construir uma sociedade mais justa e inclusiva.
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Fonte: com informações do Portal Mulher Amazônica
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