A meta proposta diverge do arcabouço fiscal aprovado no ano anterior, o qual almejava um superávit de 0,5% do PIB até 2025.
No anúncio bombástico do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2025, o governo federal deixou muitos economistas em estado de alerta e ceticismo. Segundo especialistas, a rota para alcançar o tão almejado déficit zero está repleta de obstáculos, levando a previsões sombrias de que só poderemos ver essa meta realizada lá pelo ano de 2032.
Felipe Salto, renomado economista-chefe da Warren, mergulhou fundo nas entranhas das contas públicas e emergiu com uma conclusão preocupante: com um déficit primário projetado de 0,79% do PIB em 2024 e 0,77% em 2025, o Brasil enfrenta um caminho árduo rumo à estabilidade fiscal, com o zero fiscal apenas vislumbrado no horizonte distante de 2032.
Mas por que essa jornada é tão tortuosa? Salto aponta para os desafios inerentes ao compromisso com as premissas e os mecanismos do Marco Fiscal, ressaltando a necessidade premente de manter o leme estável, sem alterações que possam comprometer os acionamentos dos gatilhos para ajuste e controle das despesas.
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Porém, não são apenas as manobras internas que lançam sombras sobre o panorama fiscal. A incerteza paira também sobre os gastos, como aponta Tiago Sbardelotto, economista da XP. Com projeções de redução substancial apenas a partir de 2027, e parte dos precatórios sendo pagos fora do teto, a pressão sobre investimentos e custeio administrativo se intensifica, abrindo espaço para uma possível revisão das regras fiscais.
E as receitas? Aí está outra pedra no caminho. Salto prevê um crescimento menos exuberante, impactando as projeções para 2024 e além. O resultado? A necessidade premente de ajustes nos bimestres seguintes, possivelmente culminando em contingenciamento de gastos discricionários.
Mas o que torna essa saga ainda mais dramática é a mudança brusca de rumo. Enquanto o governo propõe agora um déficit zero para 2025, o regime fiscal aprovado no ano passado almejava um superávit de 0,5% do PIB para o mesmo período. Uma reviravolta e tanto!
Com uma margem de tolerância já estabelecida de 0,25% do PIB para mais ou menos, fica evidente que a jornada rumo à estabilidade fiscal será repleta de turbulências e desafios inesperados. Será o Brasil capaz de navegar nessas águas revoltas e alcançar o tão almejado déficit zero? Os próximos anos dirão.
Fonte: com informações da CNN Brasil
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