19 de Abril de 2026

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Violência contra Mulher - 03/07/2022

Denunciar assédio ainda é privilégio para poucas

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Foto: Reprodução

O jornalismo tem sido um aliado na apuração e nas denúncias, mas estamos longe de uma mudança verdadeira

Com tantas denuncias de assédio que acabaram com carreiras ou colocaram os protagonistas delas num hiato infinito, cria-se a falsa impressão de que o mundo está virando uma página e que esse tipo de comportamento que mais afeta mulheres não será mais tolerado.

 

Qualquer pessoa minimamente informada e com um pouquinho de juízo pensará duas vezes em investir sexualmente em colegas, conhecidos e mesmo desconhecidos se não tiver um claro consentimento, certo? Errado.

 

As mulheres descobriram por meio de campanhas na internet que tem um poder que jamais tiveram em outro momento da história. As palavras mobilizam, encontram conforto e empatia e promovem mudanças. O jornalismo tem sido um aliado na apuração e nas denúncias. Mas estamos longe de uma mudança verdadeira.

 

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O episódio que envolve o agora ex-presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e pelo menos meia dúzia de funcionárias, vítimas do predador, mostra que mesmo quem tem informação, acesso a advogados, à mídia, ainda demora a se sentir segura para botar a boca no trombone.

 

Os casos que envolvem o banco estatal aconteciam desde 2019, com a cumplicidade de outros executivos, que sabiam sobre as investidas criminosas do presidente. Por que o setor responsável por esse tipo de assunto foi negligente com essas mulheres? Porque sabemos que as empresas ainda não sabem como conduzir as denúncias e preferem adotar medidas paliativas: transferências, promoções, tratamento psicológico. Não é incrível que o mundo coorporativo continue tóxico se os assediadores continuam ganhando bônus do final do ano?

 

Veja fotos do protesto de bancários da Caixa contra Pedro Guimarães por caso de assédio

 

Não quero imaginar o ambiente de terror que as funcionárias da Caixa tiveram que enfrentar e engolir até que conseguiram se manifestar e ter apoio. Outras renunciaram a cargos, mudaram de cidade ou de país, tudo para manter uma espécie de pacto de silêncio sobre a conduta de um homem poderoso, covarde e antiético.

 

Vítimas de assédio no trabalho vão ter mais proteção

Fotos: Reprodução

 

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Vemos uma luzinha bem fraquinha lá dentro de algum arquivo numa sala de Recursos Humanos. O número de denúncias aumentou, o que não significa que vivíamos à sombra da subnotificação, mas que nem #metoo, nem ameaça de cancelamento fazem com que homens controlem a mão e os pintos longe de suas colegas de trabalho.

 

Fonte: Portal Folha de São Paulo

 

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