05 de Maio de 2026

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Mulher na Política - 03/02/2025

De liderança estudantil à vereança: as mulheres que ocupam a política institucional em Florianópolis

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Foto: Reprodução/Google

Os números baixos e as trajetórias extensas de mulheres indicam uma defasagem de políticas públicas de formação, inclusão e incentivo à participação institucional.

Da esquerda à direita, a representatividade feminina na política institucional continua baixa. Na capital de Santa Catarina, as mulheres são mais da metade do eleitorado, foram cerca de 36% das candidaturas à Câmara de Vereadores em 2024 e 17,5% das pessoas eleitas. Mulheres de diferentes espectros políticos sentem na pele as dificuldades para ingressar e permanecer nos espaços formais de atuação, como as casas legislativas e o executivo. É na percepção dos preconceitos e do lento progresso das políticas públicas que as visões se encontram.

 

Florianópolis elegeu sua primeira vereadora indígena nas eleições municipais de 2024. Ingrid Sateré Mawé, bióloga eleita pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol), começou a trajetória política no grêmio estudantil quando era secundarista – termo que se refere aos estudantes de ensino médio – e assim deu início a sua formação na política.

 

Foi coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação de Santa Catarina (SinteSC), assessora especial no Congresso Nacional e concorreu ao governo do estado pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) em 2018. “Eu nunca almejei estar nessa posição, foi algo muito construído. Eu nunca pensei em me candidatar a governadora. Me convidaram e eu entendi o papel que eu tinha naquela tarefa”, conta.

 

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A trajetória política de mulheres é composta por locais de formação, seja de política partidária, institucional ou mais ampla, como em movimentos sociais. Ingrid faz parte de um grupo chamado A Tenda das Candidatas. O projeto, fundado pela advogada Laura Astrolabio e pela cientista política Hannah Maruci, realiza formações políticas para mulheres candidatas, assessoras e ativistas.

 

Munah Mulek, diretora executiva da Tenda, explica que esse processo de instrução política abrange a esfera jurídica, comunicativa, organizacional e outras, contando com especialistas e lideranças, como Ingrid. A base que sustenta a inserção de mulheres na política é, além de intelectual e prática, emocional. “Coragem e força para enfrentar todos os desafios que não são fáceis, mas também não só isso. É essa rede de apoio de pessoas que apostaram em mim”, destaca a vereadora.

 

Ingrid, que é mãe de três filhos, ressalta a importância da família na sua jornada e o papel de seu parceiro na criação dos filhos, o que lhe permite tempo de dedicação à sua carreira política.

 

Além de Ingrid, mais três mulheres foram eleitas para a Câmara Municipal da capital de Santa Catarina. Manu Vieira, eleita pelo Partido Liberal (PL), é a mulher mais votada para vereança pela segunda vez. Em 2020, concorreu pelo Novo e conquistou 3.522 votos. Em 2024, foi reeleita com 6.727 votos e também foi a segunda pessoa mais votada. A empresária se filiou pela primeira vez em 2016, cansada de apenas sofrer as consequências da política sem poder interferir. Na época, encontrou espaço no Novo. Em 2024, viu no PL a possibilidade de crescer e ter novas conquistas.

 

 

A ideia de agressividade, que é associada à política partidária, vai no sentido contrário do estereótipo da mulher, vista como dócil e passiva. Manu foi a primeira da família a seguir com carreira política, o que gerou certo receio. “Nossa, mas você é tão boazinha”, a família questionava. “Essa questão da imagem da política afasta principalmente as mulheres, porque é um meio muito combativo”, afirma a vereadora.

 

Manu acredita que as políticas públicas, como as cotas, precisam ser reavaliadas para uma maior eficiência de inserção das mulheres na política institucional. Para ela, em primeiro lugar, as mulheres têm o direito de acessar espaços de formação, já que a preparação é fundamental para ampliar a presença feminina.

 

“Antes, eu não gostava de segregar mulheres de homens. Mas, na minha experiência, eu entendi que é mais confortável para as mulheres estar em um lugar só entre elas”, avalia, sobre a sua experiência em fóruns de educação política. A vereadora ainda ressalta que o maior impasse é a agenda das mães que têm duas ou até três jornadas diárias.

 

“A gente precisa dar um jeito de envolver a família nesse cenário, trazer sim as mães junto com as suas crianças. A gente precisa pensar mais formatos para deixar essa discussão mais ampla”.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Com bandeira de proteção aos animais, Pri Fernandes foi reeleita em 2024 pelo Partido Social Democrático (PSD) com 3.589 votos, mais de 1.400 votos a mais do que foi eleita pela primeira vez em 2020. Na época, concorreu pelo Podemos e se elegeu com 2.092 votos. Até a publicação desta reportagem, a assessoria da vereadora não respondeu às perguntas sobre sua trajetória política.

 

Nas redes sociais, Priscila conta que foi convidada a se candidatar pela primeira vez em 2016 para a vereança, mas não aceitou. Em 2018, se candidatou a deputada estadual pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) no que seria um teste de seu nome nas urnas para identificar seu desempenho. Os mais de 6.000 votos teriam encorajado Priscila à candidatura em 2020 para a Câmara Municipal de Florianópolis, onde ganhou mais uma legislatura em 2024.

 

Carla Ayres, formada em Ciências Sociais, é mais uma mulher reeleita na Câmara. Se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) em 2004, aos 16 anos, e lá começou sua formação política. Posteriormente, entrou para movimentos sociais feministas, LGBTQIA+ e de direitos humanos, onde se tornou uma figura de liderança. Mais de dez anos depois da filiação, se candidatou pela primeira vez, em 2016, para vereança em Florianópolis. Na época, o impeachment da presidente Dilma Rousseff era um fator central e motivo de tensão para o PT. “Foi uma discussão nacional da necessidade de que a gente elegesse os nossos, de ter alguém falando por nós naquele momento”, relembra.

 

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A iniciativa própria, o convite do partido e a construção dessa necessidade de uma figura que representasse movimentos sociais no legislativo não foram suficientes para que Carla fosse eleita em 2016. Naquele ano, apenas uma mulher foi eleita: Maria da Graça, que pertencia ao antigo PMDB, hoje MDB. Em 2020, Carla foi eleita com 2.094 votos e, em 2024, foi reeleita com 5.743 votos. A vereadora concorreu para deputada federal em 2022 e assumiu em junho de 2024 como suplente, onde esteve até outubro do mesmo ano.

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