Pesquisa foi feita com 230 famílias e mostra que 95% dos cuidadores são mulheres, muitas com sofrimento emocional ligado à sobrecarga diária cuidados
Uma pesquisa brasileira sobre a rotina de famílias que convivem com síndromes genéticas raras revelou que o cuidado diário recai quase sempre sobre as mulheres. O levantamento, que avaliou 230 famílias em 19 estados, aponta que 95% dos cuidadores são do sexo feminino e que uma parcela significativa apresenta sinais de sofrimento emocional associados à sobrecarga.O estudo é conduzido pela geneticista Mariana Moysés-Oliveira, da Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (AFIP), e analisa pessoas com síndromes raras ligadas ao neurodesenvolvimento, muitas delas associadas ao transtorno do espectro do autismo (TEA). Ao todo, 460 participantes já foram incluídos na pesquisa, entre pacientes e responsáveis.
Os dados mostram que alterações no sono estão entre as principais dificuldades enfrentadas pelas famílias. Entre 80% e 100% dos pacientes apresentam queixas relacionadas ao descanso noturno, o que acaba afetando diretamente a rotina de quem cuida. Entre os responsáveis, cerca de 30% apresentam sintomas depressivos, índice superior ao observado na população em geral.
“Não basta tratar todos da mesma forma. Quando se coloca tudo em um mesmo pacote, perde-se a oportunidade de oferecer um cuidado personalizado, que considere as especificidades genéticas e clínicas de cada síndrome”, explica a cientista Mariana Moysés.A pesquisa também aponta que a qualidade do sono dos cuidadores costuma acompanhar a dos pacientes. Em muitos casos, noites interrompidas e a necessidade de vigilância constante tornam o descanso insuficiente, aumentando o cansaço físico e emocional, realidade vivida principalmente por mães.
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Entre as histórias reunidas no estudo está a da médica Sandra Doria Xavier, mãe de Luis Fernando, de 20 anos, diagnosticado ainda no primeiro mês de vida com a síndrome de Cri du Chat. Ela conta que a maternidade ganhou novos contornos após o diagnóstico. “Deixei de ser só médica para ser mãe de uma criança com uma síndrome rara. Não havia respostas claras sobre o que esperar”, relata.
As dificuldades com o sono do filho nos primeiros anos aumentaram o desgaste da família e influenciaram até mesmo sua trajetória profissional. “Quanto melhor eu estiver comigo mesma, melhor consigo cuidar do meu filho. Se o cuidador não está saudável, o cuidado também se fragiliza”, afirma. Para a pesquisadora responsável, o predomínio feminino entre os cuidadores revela também uma questão social.
“Mesmo sem direcionarmos o recrutamento para mães, são elas que aparecem como cuidadoras primárias. Estamos falando de uma sobrecarga que é também social e de gênero”, ressalta Mariana.
Fonte: com informações iG
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