Vice-presidente, que adotou uma postura mais rígida no passado após sua gargalhada ser alvo de críticas, tem mostrado uma face mais divertida em seus comícios, mesmo quando ataca oponentes
Houve um momento, no início da sua vice-presidência nos EUA, em que Kamala Harris, ciente da quantidade de notícias de portais conservadoras que criticavam suas gargalhadas estridentes, questionou confidentes em particular se ela deveria continuar rindo ou demonstrar senso de humor.
Eles lhe garantiram que ela deveria, de acordo com duas pessoas familiarizadas com as discussões na época. Ainda assim, Kamala agiu com cautela, adotando uma postura mais rígida em uma série de aparições públicas, concentrando-se em questões como o direito ao aborto e trabalhando para destacar suas habilidades em política externa. À frente do cargo, ela fez viagens emocionalmente impactantes, em que aprimorou cuidadosamente sua imagem. Mas, ao longo do caminho, o riso nunca a abandonou de fato.
Não é por acaso que a alegria — ou uma versão dela testada em batalha — tenha se tornado a espinha dorsal da campanha de Kamala nos últimos dias. O que gostamos no trabalho árduo é que nos divertimos fazendo o trabalho árduo — disse ela em um evento de campanha com trabalhadores do setor automotivo na quinta-feira em Wayne, Michigan. — Porque sabemos o que defendemos. Quando você sabe o que defende, sabe pelo que luta.
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Seu companheiro de chapa recém-chegado, o governador Tim Walz, de Minnesota, está improvisando muitos dos elogios que faz a Kamala na campanha, enquanto tenta estabelecer um contraste com o que ele considera a visão sombria do ex-presidente Donald Trump e de outros republicanos. A única coisa que não os perdoarei é o fato de tentarem roubar a alegria deste país — disse Walz, que se apresenta como uma espécie de abraço de urso ambulante, na quarta-feira em Detroit. — Mas sabe de uma coisa? Nossa próxima presidente traz alegria. Ela emana alegria.
Não que alguém deva pensar por um segundo que esta campanha será sobre diversão e jogos: adotar a alegria como um escudo político também permitiu que Kamala e Walz dessem alguns socos em Trump e em seu companheiro de chapa, o senador JD Vance, de Ohio. Kamala, uma ex-promotora da Califórnia, atacou Trump por seus muitos problemas legais:
Eu conheço o tipo de Donald Trump — gosta de dizer, sob aplausos estrondosos e gritos de "prendam-no" da plateia, que ela só recentemente começou a desencorajar. Walz criticou Trump por "servir a si mesmo" em vez de ajudar os outros, e fez uma referência de mau gosto a um boato já desmentido sobre Vance. Ambos os democratas fazem isso com um sorriso, e a plateia adora.
Desconforto entre republicanos
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Na fortaleza à beira-mar de Trump, Mar-a-Lago, ele e seus assessores não estão, é claro, muito felizes com a atenção. Tony Fabrizio, o principal pesquisador de opinião do ex-presidente, disse a repórteres reunidos na Flórida na quinta-feira que a empolgação com a chapa Harris-Walz constituía "uma espécie de experiência fora do corpo que suspende a realidade por algumas semanas".
Mas nos comícios renovados e lotados de Kamala, ser otimista é praticamente um pré-requisito para participar. Os apoiadores estão resistindo ao calor de agosto, ignorando as longas filas e os engarrafamentos. Voluntários recém-recrutados estão vasculhando grandes caixas de papelão cheias de camisetas "Kamala for Everybody" ("Kamala por Todos", em tradução livre) e distribuindo água. A música é alta e há muita dança, ao som de Beyoncé, Cher e Whitney.
Na Internet, há memes. Há coqueiros. Mas há também, como Kamala poderia dizer, o contexto de tudo o que veio antes: esse período de entusiasmo quase febril com a campanha dela depende da falta de entusiasmo comparável com o presidente Joe Biden, um líder impopular que só deixou a disputa depois de uma revolta dentro de seu próprio partido.
Se você bater em uma mão com um martelo, a outra mão se sentirá bem — disse Donald Green, professor de ciências políticas da Universidade de Columbia. — Acho que a questão aqui foi o tipo de sensação crescente de desgraça que os democratas sentiram ao contemplar a espiral descendente da candidatura de Biden e, em particular, o fato de que os jovens, que serão a espinha dorsal de qualquer esforço de comparecimento, não se sentiram nada satisfeitos com ele.
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Kamala, que teve baixos índices de aprovação durante grande parte de seu mandato, também está se beneficiando do que Green disse ser sua reintrodução enérgica — e, sim, sorridente — aos eleitores: Ela está em toda parte, organizada — disse ele. — Acho que o fato de ela estar superando as expectativas a ajudou muito.
Pesquisas recentes mostram que Kamala está ganhando terreno com os eleitores jovens e fechando as lacunas nos estados-pêndulo em que ela precisa vencer. Cerca de 370 mil voluntários se inscreveram nos primeiros 12 dias de sua candidatura, de acordo com um funcionário da campanha. Ainda assim, a distância na disputa ainda não é grande.
Em Mar-a-Lago, Trump parecia visivelmente irritado com o tamanho da multidão de Kamala e se concentrou em sua falta de entrevistas e outros compromissos com a imprensa desde o início de sua campanha. Ela não é inteligente o suficiente para dar uma coletiva de imprensa — disse Trump a um grupo de repórteres reunidos diante dele na quinta-feira.
Vance juntou-se a seus oponentes democratas em campanha na quarta-feira em Detroit e Eau Claire, Wisconsin. Ele acusou Walz de embelezar seu histórico militar — uma alegação que a campanha de Kamala negou — e pareceu zombar da ideia de que a felicidade poderia ser suficiente para vencer uma eleição presidencial.
Estratégia de marketing político
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Fotos: Reprodução Google
É claro que a abordagem alegre e guerreira de Kamala não é substantiva do ponto de vista político, disse John G. Geer, cientista político da Universidade de Vanderbilt. Em seus comícios, Kamala não fala longamente sobre imigração, economia ou guerras no exterior — na verdade, ela calou a plateia em Detroit com um olhar incisivo e uma frase firme: "Estou falando", sem sorrir.
Mas Geer disse que as eleições eram frequentemente decididas por questões de valor que poderiam gerar um amplo consenso entre os eleitores. As ideias não são complicadas: antes e agora, melhor ou pior, feliz ou triste. Em 1932, Franklin D. Roosevelt adotou a música "Happy Days Are Here Again" ("Dias felizes estão aqui de novo", em tradução livre) para oferecer a promessa de um futuro brilhante aos americanos atingidos pela Grande Depressão. Faltando 88 dias para o dia da eleição, Kamala está refinando sua mensagem e a si mesma em tempo real. Ela está se posicionando como a policial sorridente que pede aos eleitores que escolham entre o futuro e o passado.
Fonte: com informações do Portal Globo
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