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Meio Ambiente - 22/10/2021

Cozimento solar pode ser solução para desmatamento e emissões de carbono

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Foto: Reprodução

Um fogão solar sendo usado para preparar comida em Madhya Pradesh, na Índia

De cordilheiras europeias frescas e úmidas, florestas da Ásia Central, até a expansão urbana na América do Norte e as paisagens áridas do continente africano, milhões de pessoas estão cozinhando usando apenas os raios do sol como combustível.

 

Essa magia culinária é conhecida como cozimento solar. Ao invés de queimar uma fonte de combustível, o cozimento solar usa superfícies espelhadas para canalizar e concentrar a luz do sol em um espaço pequeno, cozinhando os alimentos sem produzir emissões de carbono.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 2,6 bilhões de pessoas em todo o mundo cozinham suas refeições diárias em fogueiras. Alimentadas com madeira, resíduos de animais, querosene e carvão, essas chamas produzem fumaça altamente poluente e contribuem para o desmatamento, a erosão do solo e, em última instância, a desertificação – mas os fogões solares podem ser uma alternativa.

 

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Fogões solares e florestas em declínio

 

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A Solar Cookers International (SCI) (Cozinheiros Solares Internacionais, em tradução livre) é uma organização sem fins lucrativos que defende a adoção de tecnologias de cozimento térmico solar. A SCI contabiliza mais de 4 milhões de fogões solares em todo o mundo, que as pessoas estão usando para cozinhar e assar sob o sol direto ou através de nuvens claras.

 

Uma dessas pessoas é Janak Palta McGilligan. A senhora de 73 anos é membro do Conselho Consultivo Global da SCI e diretora do Centro Jimmy McGilligan para o Desenvolvimento Sustentável em Madhya Pradesh, Índia, que ela fundou com seu falecido marido em 2010.

 

Em um país onde até 81% das comunidades rurais dependem de combustíveis poluentes para cozinhar, Palta McGilligan percebeu que as pessoas estavam sendo prejudicadas ao cozinhar com lenha de ecossistemas em declínio. Sua saúde foi afetada e o ambiente natural ao redor deles corroído. “As meninas não podiam ir à escola porque passavam o dia todo procurando lenha”, acrescenta Palta McGilligan.

 

Com uma estimativa de 300 dias de sol por ano, a Índia tem uma oportunidade substancial de usar a energia solar térmica.

 

Palta McGilligan introduziu fogões solares para essas comunidades, com o Jimmy McGilligan Center cobrindo todos os custos de treinamento e 90% do preço dos fogões, tanto para proteger as florestas da degradação, quanto para fornecer oportunidades iguais para as mulheres – que poderão exercer atividades como os estudos e trabalho, a partir de uma maior praticidade na alimentação.

 

Até o momento, o Centro já treinou mais de 126.000 pessoas em práticas sustentáveis, como cozimento solar e técnicas de cura e desidratação de alimentos, além do uso de energia solar térmica para aquecer ferros para passar roupas.

 

É uma questão de meio ambiente, mas também é uma questão de igualdade.

 

Janak Palta McGilligan, diretora do Centro Jimmy McGilligan para o Desenvolvimento Sustentável

 

Uma solução simples?

 

Existem muitos tipos de fogões solares: de caixas espelhadas, a sistemas de telhado e fogões de tubo a vácuo – um dispositivo mais complexo que funciona bem em climas mais frios.

 

Palta McGilligan defende globalmente os benefícios do cozimento solar para a saúde. “Até a saúde econômica é beneficiada”, diz ela. “Todos os combustíveis poluentes são caros, mas o cozimento solar é gratuito – sempre.”

 

Qualquer pessoa pode usar um fogão solar, o treinamento é simples: “Você tem que aprender a posicionar o fogão solar, como alinhá-lo com o sol. Isso é tudo”, explica Palta McGilligan.

 

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