17 de Maio de 2026

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Direitos da Mulher - 22/07/2022

Corregedora decide abrir apuração contra procurador que associou feminismo a transtorno mental

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Foto: Reprodução

Entre as punições que podem ser aplicadas estão advertência, censura, suspensão e, em caso extremo, demissão

A corregedora-geral do Ministério Público Federal (MPF), Célia Regina Delgado, decidiu nesta quarta-feira (20) abrir uma apuração contra o procurador da República Anderson Vagner Gois dos Santos, que provocou indignação no órgão ao defender a “obrigação sexual” de mulheres e associar o feminismo a "transtorno mental".

 

A portaria formalizando a abertura do procedimento disciplinar deve ser publicada nos próximos dias. Entre as punições que podem ser aplicadas estão advertência, censura, suspensão e, em caso extremo, demissão.

 

As mensagens de teor machista, disparadas em uma lista de e-mails que reúne centenas de integrantes do MPF em todo o país, foram reveladas pela coluna na última terça-feira (19).

 

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Santos se tornou alvo de ao menos duas representações na Corregedoria do MPF. Procurado pela reportagem na noite de terça-feira, ele afirmou: “Irei responder com altivez”. Ele não quis se manifestar hoje.

 

Para integrantes do MPF, o comportamento de Santos escancarou uma discriminação contra as mulheres e pode ser interpretado como quebra de decoro funcional.

 

Segundo relatos obtidos pela coluna, as mensagens provocaram indignação e constrangimento entre integrantes do MPF.

 

“A feminista normalmente é uma menina que teve problemas com o (sic) pais no processo de criação e carrega muita mágoa no coração. Normalmente é uma adolescente no corpo de uma mulher. Desconhece uma literatura de qualidade e absorveu seus conhecimentos pela televisão e mais recentemente pela internet”, escreveu Anderson Santos na última segunda-feira (18).

 

“Na maioria das vezes, a sua busca por empoderamento é na verdade uma tentativa de suprir profundos recalques e dissabores com o sexo masculino gerado pelas suas próprias escolhas de parceiros conjugais. Muitas em verdade tem vergonha da condição feminina. Acredito que daqui a algum tempo deverá existir um CID para esse transtorno mental”, acrescentou.

 

O texto – intitulado “Feministos e Feministas” – foi disparado em uma lista de e-mails que reúne centenas de integrantes do MPF, de procuradores a subprocuradores.

 

O procurador também escreveu sobre o “casamento e débito conjugal”, frisando que é “de fundamental importância recuperar a ideia do débito conjugal no casamento”.

 

“O progressismo nos convenceu que o cônjuge não tem qualquer obrigação sexual para com o seu parceiro, levando muitos à traição desnecessária, consumo de pornografia e ao divórcio”, escreveu Santos.

 

“Esse é um drama vivido muito mais pelos homens diante das feministas ou falsas conservadoras. A esposa que não cumpre o débito conjugal deve ter uma boa explicação sob pena de dissolução da união e perda de todos os benefícios patrimoniais”, defendeu.

 

Na opinião de um subprocurador ouvido reservadamente pela equipe da coluna, a rede interna é um espaço plural e democrático, mas acabou se tornando terreno para a divulgação de posições ultraconservadoras.

 

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Fotos: Reprodução

 

"O que temos percebido é que colegas, como ele, se sentiram inicialmente estimulados a expressar suas opiniões conservadoras e mesmo reacionárias, especialmente quando o governo de Jair Messias Bolsonaro assumiu", comentou.

 

Logo após a coluna revelar o teor das mensagens, Santos disse que reiterava o teor das postagens -- e alegou que não é nem bolsonarista nem petista, ainda que a postura esteja alinhada à do atual ocupante do Palácio do Planalto.

 

"O que eu percebo hoje no Brasil, dentro das instituições, é um grande aparelhamento de esquerda, que dificulta enormemente qualquer governo que não compactue com uma série de agendas, dentre as quais a agenda feminista, LGBT, racialista, a agenda ambientalista extrema, que no final das contas nos impede de nos desenvolvermos economicamente, e isso causa muitos dissabores", afirmou na ocasião.

 

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Segundo o procurador, as mensagens de repúdio ao feminismo se inserem nesse "contexto maior". "Estou demonstrando que existe uma ala do nosso órgão, que em função da adesão a essa agenda, não aceita que um governo conservador se estabeleça."

 

Fonte: Portal O Globo

 

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