13 de Dezembro de 2025

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Comportamento - 24/10/2025

Coreia do Sul registra maior número de suicídios em 13 anos: causas, efeitos e o desafio da prevenção

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Foto: Reprodução/Google

Desemprego, dívidas e insegurança econômica são estressores reconhecidos e têm papel importante em suicídios

Em 2024, a Coreia do Sul registrou 14.872 casos de suicídio, o maior número anual desde 2011 um aumento de 6,3 % em relação ao ano anterior. Esse dado corresponde a 29,1 suicídios por 100 mil habitantes, posicionando o país com a taxa mais alta entre os países da OCDE.

 

Curiosamente, por faixa etária, o suicídio tornou-se a principal causa de morte entre pessoas de 10 a 49 anos, e entre aquelas até os 40 anos, é a causa número 1. No panorama de causas gerais de óbito no país, o suicídio está em quinto lugar, representando 4,1 % de todas as mortes, atrás do câncer (24,8 %), doenças cardíacas (9,4 %) e pneumonia (8,4 %) — em conjunto, essas três lideram com mais de 42 % dos óbitos.

 

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Tendência ao longo dos anos

 


• Após a crise financeira asiática nos anos 1990, a Coreia do Sul enfrentou um salto nos casos de suicídio, o que se refle­tia em períodos subsequentes de aumento e queda nas taxas.
• Entre 2011 e 2017, observou-se uma tendência de queda nas taxas de suicídio, após aprovação de políticas e estratégias de prevenção.
• No entanto, desde cerca de 2018, há sinais de reversão e aumento progressivo, sobretudo em grupos mais jovens.
• Por exemplo, em 2022, a taxa padronizada foi estimada em 25,2 suicídios por 100 mil habitantes.
• Segundo análise espacial recente, em 2021 a taxa global bruta foi de cerca de 28,84 por 100 mil.

 

Comparação internacional

 

• Na “Society at a Glance 2024”, relatório da OCDE, observa-se que apenas alguns países (como Bélgica, Japão e Eslovênia) registraram taxas superiores a 15 mortes por 100 mil habitantes — e a Coreia (Korea) está nesse grupo.
• Em 2024, a taxa da Coreia (29,1/100 mil) está muito acima da média da OCDE, que gira em torno de 10,8/100 mil.
• Isso consolida a ideia de que, dentre os países desenvolvidos (membros da OCDE), a Coreia enfrenta uma das crises de suicídio mais agudas.

 

Causas e fatores de risco

 

 

 

O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial. Aqui estão alguns dos fatores mais estudados no caso sul-coreano:
Depressão, transtorno de ansiedade e outras condições de saúde mental são causa frequente de suicídio ou tentativas.
Entre os jovens, houve um aumento significativo no diagnóstico de depressão e ansiedade nos últimos anos.

 

Pressão social, expectativas e estresse

 

Na Coreia do Sul, há uma cultura de alta exigência acadêmica, competitividade no mercado de trabalho e forte ênfase no sucesso individual, fatores que podem gerar estresse crônico. Para muitos jovens, buscar ajuda psicológica ainda carrega estigma social, o que dificulta o acesso a suporte.

 

Fatores econômicos e ocupacionais

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Desemprego, dívidas e insegurança econômica são estressores reconhecidos e têm papel importante em suicídios, especialmente entre adultos em idade ativa. Ambientes de trabalho exigentes, longas jornadas e cultura de “presenteísmo” também são apontados como agravantes.

 

Idade avançada e isolamento

 

A taxa de suicídios tende a aumentar com a idade, sendo especialmente elevada entre idosos. Fatores como solidão, baixa rede de apoio social, doenças crônicas e pouca assistência à saúde emocional elevam o risco nessa população. Homens têm taxas muito mais altas de mortalidade por suicídio do que mulheres, em grande parte por métodos mais letais. Estudos mostraram que áreas com menor acesso a serviços de saúde mental e maior proporção de domicílios unipessoais apresentam taxas mais elevadas.

 

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O fato de a Coreia do Sul ter atingido, em 2024, o maior número de suicídios em 13 anos e de posicionar essa prática como principal causa de morte entre pessoas jovens sinaliza um alerta urgente. Apesar das várias políticas já existentes, os desafios persistem: o crescimento das taxas entre os mais jovens, o estigma ainda forte, a falta de dados rápidos e a limitação de recursos para saúde mental mostram que a luta é complexa.
Essa tragédia humana exige uma resposta ampla: sociedade, governo e indivíduos devem unir esforços para transformar a cultura de pressão em cultura de cuidado.
 

 

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