A nova carta de Corrêa do Lago e suas propostas demonstram que o Brasil está empenhado em fazer da COP30 um marco global ? não apenas de diplomacia, mas de ação, ética e justiça climática.
Faltando poucos meses para a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, o presidente do evento e embaixador de carreira André Corrêa do Lago divulgou uma carta pública que sinaliza um novo e ambicioso rumo para o debate climático mundial.
Em sua quarta carta desde que assumiu a presidência da COP, Corrêa do Lago propõe uma “Agenda de Ação Climática” integrada, com metas concretas e uma abordagem inédita de participação coletiva e ética.
A proposta vai além das tradicionais negociações diplomáticas entre chefes de Estado: ela convida empresas, estados, municípios, comunidades tradicionais, juventudes, povos indígenas e o setor privado a assumir responsabilidades e compromissos reais diante da emergência climática. Em suas declarações mais recentes, o presidente da COP30 reafirmou que a conferência não será palco de “novas promessas vazias”, mas um chamado urgente à implementação dos compromissos já assumidos pelos países no Acordo de Paris e reforçados no Global Stocktake de 2023. “Esta deve ser a COP da entrega. Precisamos parar de empurrar com a barriga e começar a mostrar resultados concretos”, afirmou Corrêa do Lago.
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Agenda de Ação com 6 eixos e 30 metas
A “Action Agenda” apresentada pelo Brasil está estruturada em seis eixos estratégicos:
1. Transição energética justa e inclusiva
2. Desmatamento zero e restauração florestal
3. Cidades sustentáveis e resilientes
4. Financiamento climático acessível e transparente
5. Tecnologia e inovação para adaptação
6. Educação climática e justiça social
Cada eixo possui metas mensuráveis – como expandir o uso de energias renováveis, acelerar o reflorestamento, criar fundos de financiamento direto para comunidades vulneráveis e investir em formação ambiental desde o ensino básico.
GDC: um novo modelo de compromisso global
Dentre as principais inovações propostas, está a criação do conceito de “Globally Determined Contributions” (GDCs) – contribuições climáticas determinadas por estados, cidades e empresas, além dos compromissos nacionais (as NDCs). “É uma resposta prática à realidade: não basta esperar só pelos governos centrais. Precisamos envolver quem está fazendo a diferença em escalas menores, mas muito significativas”, defendeu o embaixador.
O peso da ética e da urgência
Em parceria com a ONU, a presidência da COP lançou o “Balanço Ético Global”, que propõe uma avaliação moral dos esforços climáticos. A proposta parte da premissa de que não se trata apenas de “quem polui menos”, mas de quem age com responsabilidade, justiça e respeito à vida humana e não humana. “Negar a mudança do clima, retardar ações ou fingir que há tempo é uma escolha ética. E escolhas éticas têm consequências. A COP30 tem que ser o ponto de inflexão moral da nossa era”, diz um trecho da carta divulgada por Corrêa do Lago.
A idealizadora do Portal Mulher Amazônica e do Ela Podcast, Maria Santana, se posicionou sobre os recentes anúncios da presidência da COP. Para ela, “a briga geopolítica entre potências precisa ceder espaço para as urgências da vida cotidiana de povos que já estão enfrentando inundações, secas, insegurança alimentar e doenças”.

Fotos: Reprodução/Internet
“A COP precisa olhar para a Amazônia real e para suas mulheres. Aquelas que estão cuidando da água, das crianças, da terra e da memória. A COP30 pode ser a primeira conferência que escuta a floresta com voz feminina”, declarou Maria Santana, que deve levar ao evento uma delegação de lideranças comunitárias e comunicadoras da Amazônia.
A COP30 acontecerá entre 10 e 21 de novembro de 2025. Será a primeira vez que a maior conferência climática do mundo será realizada na Amazônia, o que aumenta as expectativas por um evento verdadeiramente representativo e transformador. Mais de 30 mil participantes são esperados na capital paraense, incluindo chefes de Estado, cientistas, ONGs, ativistas e comunidades tradicionais de todos os continentes. A nova carta de Corrêa do Lago e suas propostas demonstram que o Brasil está empenhado em fazer da COP30 um marco global — não apenas de diplomacia, mas de ação, ética e justiça climática.
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