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Meio Ambiente - 22/07/2025

COP30: A última chance? a urgência de um novo caminho climático

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

O alerta é incisivo e revela o tom de urgência que deve acompanhar os debates da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).

Com o mundo à beira de colapsos ambientais e a inércia política global, especialistas questionam se ainda faz sentido seguir com as Conferências das Partes como estão. A COP30, marcada para novembro de 2025, em Belém do Pará, pode ser decisiva — ou irrelevante.

 

O alerta é incisivo e revela o tom de urgência que deve acompanhar os debates da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). Sediada em Belém, no coração da Amazônia, a conferência acontece em um contexto de ceticismo crescente quanto à real efetividade das decisões tomadas nas últimas décadas.

 

Entre os críticos mais contundentes está o professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, José Eli da Veiga, uma das vozes mais respeitadas no cenário brasileiro de estudos climáticos. Em artigo recente publicado na grande imprensa — intitulado “A COP30 será a última?” —, o pesquisador expressa profunda frustração com os rumos do processo multilateral de combate à crise climática. Para ele, as COPs se converteram em um ritual diplomático vazio, incapaz de promover as transformações sistêmicas exigidas pela realidade planetária.

 

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Desde a criação da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), em 1992, os chefes de Estado dos países signatários reúnem-se anualmente para firmar compromissos — na teoria, vinculantes — de enfrentamento ao aquecimento global. Mas o que se viu foi a continuidade de um modelo econômico baseado na exploração desenfreada de recursos naturais e na dependência dos combustíveis fósseis.

 

José Eli da Veiga é categórico: “São tantas as evidências da nulidade da UNFCCC, que fica impossível decidir qual delas seria a mais simbólica.” Entre os exemplos mais recentes e preocupantes, ele destaca:

 

 

 

• A manutenção (e até aumento) do financiamento global aos combustíveis fósseis, contrariando os próprios compromissos firmados em conferências anteriores;
• O avanço não regulado da Inteligência Artificial, com uma explosão de consumo energético nos “data centers”, que se tornou um novo vetor de emissão de gases do efeito estufa.

 

É inegável que tecnologias emergentes como a IA oferecem potencial para impulsionar modelos sustentáveis, especialmente no contexto da economia circular, que propõe uma ruptura com a lógica do “extrair-produzir-descartar”. Porém, como destaca o professor da USP, esse potencial está longe de ser concretizado. “Nada disso poderá começar a mudar na ausência de ambiciosas regulações e políticas públicas,” escreve. Na prática, continuamos sob as mesmas “regras do jogo” que consolidaram, ao longo dos últimos 80 anos, o crescimento econômico predatório e desigual.

 

O Brasil e o Desafio de Sediar a COP30

 

 

 

Com a responsabilidade simbólica de sediar a conferência em plena Amazônia, o Brasil carrega o peso de representar a esperança de uma guinada real nas negociações climáticas. Mas o cenário é de incerteza. A polarização política global, discursos negacionistas como os do ex-presidente Donald Trump, e a falta de ações concretas das potências econômicas sinalizam que a COP30 poderá ser mais uma oportunidade perdida.

 

 

 

“Nada permite supor, infelizmente, que, na COP30, alguma delegação venha a propor a imprescindível substituição da UNFCCC por nova convenção, cujo propósito essencial deveria ser a promoção de instituições apropriadas ao aproveitamento das vantagens oferecidas pela IA a uma promissora dinâmica de descarbonização,” reforça José Eli da Veiga.

 

A Última COP?

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A pergunta permanece, e ecoa como um grito de socorro da ciência e da sociedade civil: “A COP30 será a última?” Talvez não. Mas, se continuar apenas como um palco de discursos e acordos frágeis, sem ações efetivas, talvez devesse ser. A cada ano perdido, milhões de vidas humanas e não-humanas são impactadas por secas, enchentes, queimadas e eventos extremos que já não fazem parte de um futuro distante — mas do presente que nos consome.

 
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Belém, a Amazônia e o mundo aguardam não apenas boas intenções. Exigem coragem, rupturas e decisões à altura da emergência climática. O tempo da diplomacia climática decorativa acabou. Se não mudarmos agora, talvez não haja tempo nem para a COP31.
 

 

Portal Mulher Amazônica

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