20 de Abril de 2026

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Política - 28/08/2025

COP 30 em Belém: uma sede de inclusão com exclusão local

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Foto: Reprodução/Google/MontagemPortalMulher Amazonica

Enquanto o mundo discursa sobre inclusão, a cidade enfrenta uma dura realidade: a sustentabilidade ganhou prazo de validade ? e mora caro.

A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP 30, caminha rumo a Belém com discursos de justiça social e sustentabilidade — mas muitos moradores da cidade vivenciam o oposto. Famílias que mantinham seus compromissos em dia estão sendo expulsas de suas casas, abrindo espaço para aluguéis temporários e lucrativos durante o evento. Enquanto o mundo discursa sobre inclusão, a cidade enfrenta uma dura realidade: a sustentabilidade ganhou prazo de validade — e mora caro.

 

Caos no mercado imobiliário: despejos e preços escandalosos

 

Reportagens apontam uma grave distorção imobiliária em Belém: contratos atípicos, despejos por conveniência e valores exorbitantes se multiplicam. Inquilinos que sempre honraram aluguéis estão sendo obrigados a desfazer lares que, em muitos casos, eram suas únicas garantias de estabilidade. Proprietários, pressionados pela possibilidade de ganhos extremos com visitantes da COP, vêm preferindo alugar para curtas estadias e faturar muito mais.

 

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Além disso, moradores denunciam que estão sendo despejados sem justificativa, mesmo com pagamentos em dia, enquanto proprietários buscam faturar com a corrida por hospedagem durante a conferência.

 

Preços extorsivos e ação tardia das autoridades

 

O colapso imobiliário inclui anúncios absurdamente caros: diárias de até R$ 6.500 em hotéis ou imóveis simples cotados em mais de R$ 1 milhão para o período da COP 30 — muito acima dos valores normais praticados em Belém e até comparáveis a Nova Iorque. Em janeiro de 2025, ainda faltando quase um ano para o evento, a crise já se tornava evidente: especulação, contratos com cláusulas para liberação durante o evento e leitos bloqueados para locações curtas se tornaram rotina.

 

A resposta governamental chegou, mas tarde: o estado notificou plataformas como Airbnb, Booking e Decolar para que removam anúncios com diárias três vezes acima da média do mercado — com prazo de 10 dias para notificar os anunciantes e 48 horas para ajustes, sob risco de suspensão.

 

Uma sede de inclusão com exclusão local

 

 

 

Enquanto líderes internacionais prometem “transição justa” e “direitos humanos” no palco global, moradores são silenciados por contratos de despejo e preços inatingíveis. A infraestrutura que deveria acolher o mundo está dilacerando as bases de famílias que vivem ali há anos.

 

Embora o governo federal tenha ofertado leitos adicionais — via navios, escolas adaptadas e novas hospedagens — e destinado R$ 300 milhões ao setor hoteleiro, o acordo regulador entre governo e setor ainda não foi firmado, em julho de 2025. A consequência? Delegações internacionais cancelaram sua participação e apenas uma minoria teve hospedagem garantida até então.

 

Reflexões para além dos discursos

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

• Direito à moradia vs. lucro especulativo: Um lar não deveria ser tratado como mercadoria desejável diante da ganância momentânea.
• Descompasso entre retórica e realidade: Promover justiça social exige praticá-la onde o evento acontece — não apenas lá fora.
• Responsabilidade coletiva: Governos, plataformas e a sociedade civil devem agir em sinergia, assegurando que infraestrutura não signifique expulsão nem desumanização.

 
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Belém vive um paradoxo cruel: enquanto agrega mobilização global pelo clima, rompe vidas locais. A luta pela sustentabilidade climática não se sustenta se falha com quem nela vive. A COP 30 precisa ser repensada — não apenas no palco das grandes decisões, mas nas ruas e lares que a acolhem.
 

 

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