06 de Maio de 2026

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Mulher na Política - 15/12/2024

Conteúdos nas redes geram 'gama de ódio' contra mulheres, afirma ministra

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Foto: Reprodução

Relatório lançado nesta sexta-feira, 13/12, mostra como conteúdos de misoginia no YouTube geraram lucro para influenciadores e para a plataforma

Um estudo devastador realizado pelo Ministério das Mulheres, em parceria com o NetLab da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trouxe à tona uma realidade alarmante: a disseminação de ódio contra mulheres está se transformando em um mercado lucrativo no Brasil. Com a análise de mais de 76 mil vídeos de 7.812 canais no YouTube, o relatório revelou que esses conteúdos já acumulam 4,1 bilhões de visualizações e 23 milhões de comentários, alimentando um ciclo de misoginia amplamente monetizado.

 

A pesquisa, apresentada na sexta-feira, 13, em um evento que contou com as presenças da ministra Cida Gonçalves e da ministra Anielle Franco, expôs frases perturbadoras que incentivam a destruição psicológica de mulheres, como “destrua o ego dela” e “com essas dicas você acaba com a autoestima de qualquer mulher”. Além disso, questionamentos sobre direitos conquistados pelas mulheres e discursos conspiratórios que colocam os homens como “vítimas” são utilizados como ferramentas de manipulação e lucro.

 

A ministra Cida Gonçalves alertou para a gravidade dessa epidemia de ódio, destacando que "esse fenômeno está se espalhando por toda a sociedade brasileira". Ela defendeu a necessidade urgente de regulamentação das redes sociais, argumentando que "o mínimo de regulamentação já permitiria ações concretas contra essa propagação".


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Os números impressionam. Entre os canais analisados, cerca de 80% utilizam ferramentas de monetização, alcançando uma média de 152 mil inscritos cada. Esses criadores de conteúdo também lucram com cursos, e-books e mentorias que chegam a custar até R$ 1 mil. Para a ministra Anielle Franco, os dados são chocantes: “É cruel saber que essas pessoas estão ganhando dinheiro promovendo o ódio. E ainda mais cruel é perceber o alcance dessas mensagens.”

 

Um dos aspectos mais perturbadores é o uso da própria imagem pelos influenciadores, em um contraste com outros discursos de ódio que frequentemente dependem do anonimato. Essa confiança na impunidade é reforçada por um ecossistema que não apenas sustenta, mas alimenta a lucratividade desse tipo de conteúdo, inclusive para as plataformas digitais.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A diretora da pesquisa, Marie Santini, chamou atenção para a omissão das empresas de tecnologia, afirmando que "as plataformas declaram que proíbem esses conteúdos em seus termos de uso, mas, na prática, eles florescem e geram lucro". Ela reforçou a importância de avançar com discussões sobre regulamentação no Congresso e no STF, destacando o fracasso da autorregulamentação por parte das gigantes digitais.

 

Enquanto isso, as consequências se agravam. Mães solo, mulheres acima dos 30 anos e outras que ousam defender seus direitos são frequentemente alvos desses ataques, consolidando uma narrativa que transforma vítimas em inimigos. As estratégias discursivas incluem a criação de vocabulários específicos para reforçar o ódio e unir os seguidores em torno de um senso distorcido de comunidade.

 

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Os dados são uma denúncia contundente de como a misoginia está sendo naturalizada e mercantilizada no Brasil. Em resposta ao relatório, o YouTube afirmou que está analisando as conclusões antes de emitir um posicionamento, mas a mensagem do estudo é clara: o ódio contra as mulheres não só floresce nas plataformas digitais, como é transformado em uma fonte inesgotável de lucros.


Fonte: com informações do Correio Braziliense

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