Jeito inusitado de começar a aula sobre a cultura da África chamou a atenção não apenas pelo que os alunos expuseram conhecer do continente
"O que vocês pensam quando eu falo 'África'?". Foi com essa pergunta que a professora de história Lavínia Rocha viralizou nas redes sociais. O jeito inusitado de a escritora de 25 anos começar a aula sobre a cultura do continente chamou a atenção não apenas pelo que os alunos de 9 e 10 anos expuseram - "pessoas magras", "pobreza", "pessoas escravizadas" -, mas pela mudança de percepção depois da aula.
"A gente sempre ouve que conhecimento liberta, e essa experiência com o 5º ano me mostrou isso na prática", destaca Lavínia, em entrevista ao Terra. Questionados mais uma vez sobre o que imaginavam ao ouvir "África", os alunos apresentaram outras referências, como: conhecimento em agricultura, riqueza em sal e ouro, resistência e cultura, clãs, Egito, Nigéria e Rio Nilo.
"Foi muito importante acompanhar o crescimento deles durante as aulas sobre o continente africano", acrescenta. Hoje com 25 anos, Lavínia Rocha se destaca ao utilizar metodologias próprias no ensino de história da África. Ao ensinar as crianças a terem uma visão positiva sobre o continente, ela mostra o poder de transformação que a educação antirracista pode provocar na sociedade.
Veja também
.jpg)
Ex-aluna do Liceu Claudio Santoro participa da orquestra do 'The Voice' em Los Angeles
Prodígio, nadadora Amazonense de 12 anos conquista 7 medalhas em Campeonato Brasileiro
O jeito diferente de ensinar garantiu à professora não só visibilidade, mas também o prêmio Perestroika, na categoria Educação Básica. A honraria nacional reconhece professoras e professores com iniciativas e práticas inovadoras na educação.
Pedagogia do afeto

A proximidade com os alunos e o uso do conhecimento que eles têm para construir as aulas não são práticas soltas. Lavínia já publicou 13 livros infantis e adultos, de uma carreira que começou aos 11 anos.
Motivada também pelo amor pela disciplina que leciona, ela passou a buscar outras metodologias para envolver os alunos em sala de aula. Disso saíram danças para o TikTok no final das atividades, atividades criativas e até um "Lavigames", espécie de torneio de perguntas e respostas.
O entrosamento entre a professora e os alunos é tão grande que hoje eles fazem fila para serem usados como exemplo em aula.

"Uma vez eles reclamaram quando o sinal bateu e a aula seguinte era de educação física. Nesse dia, eu falei: 'Hoje eu venci'", brinca.
Apesar de ser sucesso entre os alunos e na internet, o ensino da cultura afro-brasileira e africana nas escolas ainda não é um compromisso levado a sério pelo Brasil. Pesquisa realizada pelo Instituto Alana e pelo Geledés Instituto da Mulher Negra mostram que 71% das Secretarias Municipais de Educação do País não cumpre a Lei 10.639/03, que há 20 anos incluiu essa disciplina nas escolas.

Fotos: Reprodução
Por outro lado, a professora Míghian Danae Ferreira Nunes, da Universidade Internacional da Integração da Lusofonia Afro-brasileira, destaca como uma abordagem leve, didática e próxima dos estudantes é positiva para o ensino.
"É muito importante a inclusão de temas que abordem as relações étnico-raciais, da matriz africana e que dizem respeito à população negra, de uma forma que envolva a atenção total dos alunos em sala de aula", avalia.
Fonte: com informações do Portal Terra
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.