Mulheres fazem história com recorde de candidatas à Presidência, mas enfrentam desafios Conheça perfil das oito mulheres que participam da corrida ao Palácio do Planalto em 2022
As eleições de 2022 terão participação feminina recorde na disputa pelo Palácio do Planalto, embora as chapas exclusivamente masculinas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com Geraldo Alckmin (PSB), e do atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), com Walter Braga Netto (PL) sejam, por ora, as favoritas.
No primeiro debate presidencial, realizado na noite de domingo (28), a senadora Simone Tebet (MDB), que tem como vice a também senadora Mara Gabrilli (PSDB), foi a mais bem avaliada entre os participantes, de acordo com pesquisa Datafolha realizada com eleitores indecisos. O tema central do evento se tornou o respeito e políticas para as mulheres, depois de Bolsonaro atacar a jornalista Vera Magalhães.
Da esq. para a dir., as candidatas à Presidência Simone Tebet (MDB), Soraya Thronicke (União Brasil), Vera Lúcia (PSTU) e Sofia Manzano
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Tanto Tebet e Gabrilli, que transitam por um espectro mais conservador, quanto as esquerdistas Vera Lúcia e Raquel Tremembé, do PSTU, buscam o que seria uma inédita vitória de uma chapa 100% feminina.
As eleições de outubro marcam também o maior número na história brasileira de candidatas ao Planalto: quatro, cifra que sobe para oito com as vices —além de Gabrilli e Tremembé, há Ana Paula Matos, que disputa o pleito com Ciro Gomes (PDT), e Samara Martins, vice na chapa de Léo Péricles (UP).
Haveria ainda uma nona candidata, Fátima Pérola Neggra, que disputaria a Vice-Presidência pelo Pros. O partido, porém, trocou de comando e indicou apoio a Lula. A Justiça Eleitoral ainda dará a palavra final.
Em suas trajetórias, as postulantes relatam desafios, ceticismo e, em alguns casos, fogo amigo.
CONHEÇA AS CANDIDATAS:
Vera Lúcia (PSTU), candidata a presidente
Raquel Tremembé (PSTU), candidata a vice
Simone Tebet (MDB), candidata a presidente
Mara Gabrilli (PSDB), candidata a vice
Soraya Thronicke (União Brasil), candidata a presidente
Sofia Manzano (PCB), candidata a presidente
Ana Paula Matos (PDT), candidata a vice
Samara Martins (UP), candidata a vice
VERA LÚCIA (PSTU), CANDIDATA A PRESIDENTE

Militante do PSTU há quase 30 anos, Vera Lúcia, 54, disputou a eleição de 2018 em chapa 100% negra e nordestina –seu vice era o professor Hertz Dias. Ambos receberam 55.762 votos (0,05%).
Nascida em Inajá (PE), é costureira de sapatos e formada em ciências sociais. Em 2004, fundou a Central Sindical e Popular. Antes de entrar no PSTU, militou no PT. Ela critica a possibilidade de o ex-partido voltar ao poder e contesta a chapa de Tebet, a quem chama de defensora dos interesses ruralistas.
"Como pode uma mulher dessas corresponder a necessidades que são nossas? Somos vítimas inclusive da exploração e da opressão da classe que ela representa." Vera Lúcia defende a legalização do aborto.
RAQUEL TREMEMBÉ (PSTU), CANDIDATA A VICE

A pedagoga Raquel, ou Kunã Yporã, nasceu em Vargem Grande (MA). Ela pertence ao povo tremembé, da aldeia de São José de Ribamar, território que, afirma, é afetado por grilagem de terra e exploração ilegal.
Ativista do movimento indígena, Raquel, 39, integra a Articulação da Teia e Povos de Comunidades Tradicionais do Maranhão e a Secretaria Executiva Nacional da Central Sindical e Popular (CSP)-Conlutas.
A vice de Vera Lúcia cita como preocupação a mortalidade infantil e obstétrica, em especial entre indígenas. "Existem questões sanitárias indígenas, mal tem estrutura física. Quando tem um profissional, não é capacitado para essas especificidades. Temos uma diversidade de mais de 274 línguas."
SIMONE TEBET (MDB), CANDIDATA A PRESIDENTE

Fotos: Reprodução
Tebet, 52, vem de uma família ligada à política. Seu pai, Ramez Tebet, ocupou diversos cargos públicos e foi presidente do Senado. Advogada e professora, foi prefeita, deputada estadual, vice-governadora de MS e senadora, posição na qual se tornou mais conhecida devido às participações na CPI da Covid.
Enfrentou resistência interna, com alas do MDB apoiando outros candidatos e trabalhando para miná-la. Tebet foi líder da bancada feminina do Senado, mas enfrenta questionamentos por sua posição contrária ao aborto. Defende apenas as possibilidades de interrupção de gravidez previstas hoje na legislação.
Uma de suas promessas é montar um ministério com o mesmo número de homens e mulheres.
Fonte: UOL
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