Marise Ribeiro Nogueira
Marise Ribeiro Nogueira, 59 anos, foi a primeira mulher negra egressa do programa de ação afirmativa do Itamaraty. Diplomata há 20 anos, atualmente é ministra conselheira da embaixada brasileira no Panamá. Filha de um torneiro mecânico e de uma auxiliar administrativa, viu a família se incluir socialmente por meio do serviço público, que abraçaria anos mais tarde.
Assistiu de perto, também, os avanços da diplomacia brasileira em direção à inclusão: quando entrou para a carreira, os profissionais negros (pretos e pardos) correspondiam a apenas 1% dos quadros, hoje, são cerca de 15%.
Segundo ela, pessoas negras têm se beneficiado de ações afirmativas, como o programa do qual participou e que oferecia bolsas para que candidatos negros pudessem se dedicar aos estudos para o Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, e, mais tarde, das cotas no serviço público, mas a melhora é tímida e lenta.
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“Represento a vitória. Rompi com a invisibilidade, contribuo com a diminuição da sub-representatividade, mas para nós, mulheres negras, ainda há um teto de concreto para o progressão funcional em carreiras de alto escalão do serviço público. Ou seja, sou vitoriosa, mas não quero que essa vitória seja só minha, até porque é um peso muito grande. A diplomacia é uma carreira de grande prestígio, mas também de grande demanda e responsabilidade. Quando a gente representa um grupo social, isso fica ainda mais pesado. Se você erra, é como se toda aquela categoria errasse, e acertar sempre é impossível para humanos”, afirma.
Fluminense, Marise se formou médica, concluiu um mestrado na área de radiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e trabalhou por anos na profissão. Porém, dois intercâmbios, na Alemanha e na França, a fizeram tomar gosto pela vida no exterior e repensar sua trajetória. O desejo de ver mais afro-brasileiros atuando na política internacional foi o ponto de virada para a transição de carreira.
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Fotos: Reprodução Google
Antes do posto no país da América Central, foi lotada em Brasília, quando também exerceu cargos no governo federal e distrital, em Lima, Buenos Aires e Estados Unidos. Sempre de mudança, Marise ainda é mãe de três meninas, que criou entre um país e outro. “É difícil conciliar carreira com maternidade em qualquer profissão, mas a carreira diplomática cria dificuldades extras. Quando saí do Rio, perdi toda minha rede de apoio, e quando saí do Brasil, o desafio foi ainda maior, porque toda família teve que se adaptar à nova cultura. Não é à toa que entre famílias do serviço internacional, um cônjuge é o provedor e o outro o cuidador, e o cuidado, obviamente, costuma recair mais sobre as mulheres”, conta.
Fonte: com informações do Portal Correio Braziliense
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