Hipólita Jacinta Teixeira de Melo e Inácia Gertrudes de Almeida desempenharam papéis importantes na Conjuração Mineira de 1789
Foi escrito por uma mulher o bilhete destinado a três líderes da Conjuração Mineira de 1789 que os avisou da prisão de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
"Dou-vos parte com certeza [de] que se acham presos, no Rio de Janeiro, Joaquim Silvério [dos Reis] e o alferes Tiradentes para que vos sirva, ou se ponham em cautela; e quem não é capaz para as coisas, não se meta nelas; e mais vale morrer com honra que viver com desonra."
A autora dessas palavras, Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, é a única mulher que se conhece hoje com papel ativo na inconfidência, mas virou uma nota de rodapé.
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Além dela, a história costuma esquecer a viúva Inácia Gertrudes de Almeida, que se arriscou escondendo Tiradentes no Rio de Janeiro, quando aliados o abandonaram, e do destino imposto à companheira dele, Antônia Maria do Espírito Santo, e à filha do casal, Joaquina, única descendente com registros históricos comprovados.
A referência ao bilhete de Hipólita está nos Autos da Devassa, o processo instaurado pela Coroa contra os conspiradores de Minas Gerais, que queriam dar fim ao domínio português.
Apesar de terem seus nomes em documentos públicos desde o século 18, a memória sobre essas mulheres vem sendo resgatada em livros recentes como a biografia "O Tiradentes", do jornalista Lucas Figueiredo, e "Ser Republicano no Brasil Colônia", da historiadora Heloísa M. Starling.
"Os documentos falam, mas a gente tem que saber perguntar a eles. Os historiadores que olharam para os Autos, olharam com outras perguntas", diz Starling.
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