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Mulher em pauta - 21/11/2023

Conheça a trajetória da doutora Thais Vieira, a primeira mulher a comandar a Esalq/USP

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Foto: Reprodução/Google

Conheça a trajetória da doutora Thais Vieira, a primeira mulher a comandar a Esalq/USP em seus 122 anos de existência

Maneca, ou melhor, a hoje doutora Thais Maria Ferreira de Souza Vieira, 50 anos, pisou pela primeira vez no campus da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP), ainda criança. O pai, maestro do coral da universidade, era a ponte para os frequentes passeios de bicicleta e os piqueniques.

 

Maneca foi o apelido que Vieira ganhou dos colegas, em 1991, como caloura do disputadíssimo curso de engenharia agronômica, uma tradição entre os aprovados à universidade e sua frenética convivência nas centenas de repúblicas estudantis. Maneca foi cunhado pela turma da república Copacabana, que neste ano completa 100 anos – a Esalq tem 122 anos.

 

No dia 17 de janeiro deste ano, exatos 40.927 dias depois da criação da universidade, Vieira pisou no campus ostentando mais um título em sua carreira, desta vez quebrando uma barreira histórica: ela se tornou a primeira mulher a assumir o cargo de diretora da mais prestigiada instituição de ciências agrárias do Brasil, reconhecida em vários rankings internacionais entre as primeiras universidades do mundo. A cerimônia de posse, embora já tenha assumido a função, está marcada para 17 de março. “Olha que ainda não havia dado nenhuma entrevista depois que assumi o cargo, acho que falei demais”, disse ela, ao final de uma conversa exclusiva com a Forbes.

 

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Vieira faz parte de um movimento de mulheres em cargos de comando, que é irreversível e que ganha velocidade nos dias atuais. Inteligente, esperta, antenada e focada na sua missão, é fácil ouvi-la sem se dar conta do tempo corrido. A alma do didatismo que cunha os grandes mestres está fortemente presente nas suas falas. Aliás, mesmo como diretora, ela diz que não deixará as salas de aula. “Preciso agora adequar os horários para me dividir entre as duas funções”, diz.

 

Sala de aula é mais um modo de dizer.  Logo no começo da entrevista à Forbes, ela se desculpou pelo pequeno atraso. O motivo?  Estava no campo dando uma aula prática e aberta sobre produção de tilápias para 55 alunos em curso multidisciplinar de férias, oferecido pela universidade. “É o terceiro ano que reunimos os vários departamentos da universidade para esse tipo de aula”, diz ela. “Com alunos de quatro cursos, em uma transversal interdisciplinar na abordagem de assuntos de cada cadeia produtiva.” 

 

A nova sala de serviço de Vieira dá vista para o vasto gramado que se estende à frente do edifício construído entre os anos de 1905 e 1907, e ampliado em 1945, como é até hoje. São 182 janelas e as dela são as centrais. “Tenho uma memória afetiva desse gramado e do que ele representa”, diz ela. Essa memória tem lastro na sua longa e movimentada jornada acadêmica. Entre terminar o curso em 1995 e novo cargo, Vieira se tornou doutora em Tecnologia de Alimentos pela Unicamp (Universidade de Campinas), com passagem pelo Cirad, organização francesa de pesquisa agrícola e cooperação internacional com foco em regiões tropicais e mediterrâneas, em Montpellier.

 

 

 

Também foi pesquisadora visitante na Universidade da Califórnia, em Davis (EUA), e pesquisadora da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) na unidade Agroindústria de Alimentos, localizada em Guaratiba, no Rio de Janeiro. A livre docência na USP veio em 2015, depois de ganhar dois prêmios: o de excelência em docência – termo designado para o exercício do magistério –, na graduação da Esalq, e também em docência da USP, ambos em 2013. O currículo de Vieira não termina aqui, mas foi sua entrada em coordenadorias de cursos e depois como presidente da comissão de graduação da Esalq, desde 2019 até agora, que pavimentou o caminho ao cargo de diretora. São sete cursos de graduação (além de agronomia, há administração, ciências biológicas, ciências dos alimentos, ciências econômicas, engenharia florestal e gestão ambiental), duas licenciaturas, 12 departamentos de ensino e 140 laboratórios.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

“Ensino, pesquisa e extensão têm muita atividade administrativa e de processos”, diz ela. Ainda assim, esse conjunto de qualificações não responde por completo a sua indicação por um grupo de professores, para que concorresse ao cargo. Aprender também faz parte de sua docência. “Ser presidente da comissão de graduação, com reuniões muito agitadas, com muito para debater e deliberar – principalmente considerando uma pandemia no meio do caminho – acabou sendo um ponto muito relevante para a decisão de apresentar minha candidatura à diretoria”, diz ela.
Historicamente ocupados por homens, desde as décadas de 1990/2000 os cursos da Esalq/USP têm se tornado mais balanceados.

 

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Hoje, a graduação e a pós-graduação são quase parelhas entre gêneros, sendo que em alguns cursos a presença de mulheres já supera a de homens. Mas no corpo docente isso ainda não ocorre: dos cerca de 180 professores, apenas 25% são mulheres. Em relação a essa disparidade, Vieira tem uma crença: “Já me perguntaram se é preciso romper as barreiras. Eu enxergo que não, pela hierarquia imposta pela sociedade. A gente tem de eliminar as barreiras e deixar o caminho livre para a equidade daqui para a frente”, afirma. “Estamos avançando, felizmente muito rapidamente e especialmente nessa nossa área, no setor da agricultura.”

 

Fonte: com informações do Portal Forbes
 

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