29 de Abril de 2026

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Comportamento - 09/03/2026

Conexão entre intestino e cérebro pode influenciar comportamento de crianças, alertam especialistas

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Foto: Reprodução/Google

Nutróloga destaca que alimentação e saúde intestinal têm impacto direto no desenvolvimento emocional e neurológico infantil.

A saúde intestinal tem papel cada vez mais reconhecido no desenvolvimento físico, emocional e comportamental das crianças. Estudos recentes indicam que o intestino mantém uma comunicação constante com o cérebro conhecida como eixo intestino-cérebro, influenciando funções neurológicas importantes desde a infância.

 

Diante desse cenário, especialistas em Nutrologia destacam a importância de observar a saúde intestinal, principalmente em crianças neurodivergentes, como aquelas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), atraso no desenvolvimento ou dificuldades de aprendizagem. Nesses casos, a relação entre intestino e cérebro pode ter impacto ainda mais significativo.

 

Segundo a nutróloga Bruna D’Avila, professora do curso de pós-graduação em Nutrologia, a seletividade alimentar é uma característica bastante comum entre crianças atípicas.

 

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De acordo com a médica, esse comportamento geralmente está relacionado a questões sensoriais, como textura, cheiro ou cor dos alimentos, o que pode limitar o consumo de determinados grupos alimentares. Essa restrição alimentar pode provocar alterações no funcionamento do intestino, sendo a constipação um dos problemas mais frequentes nesse público. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a dimensão do tema. O Censo Demográfico de 2022 aponta que cerca de 2,4 milhões de pessoas no Brasil têm diagnóstico de TEA, o equivalente a 1,2% da população. A maior prevalência ocorre entre crianças e adolescentes, especialmente na faixa de 5 a 9 anos, onde o índice chega a 2,6%. No total, mais de 1,1 milhão de crianças entre 0 e 14 anos vivem com o diagnóstico no país.

 

Ainda segundo Bruna D’Avila, problemas intestinais podem refletir diretamente no comportamento infantil. Entre os sinais mais comuns estão irritabilidade, crises comportamentais, dificuldade de concentração, alterações no sono e, em alguns casos, episódios de agressividade ou apatia. Essas manifestações podem estar relacionadas a processos inflamatórios no intestino. A inflamação persistente pode levar à liberação de substâncias inflamatórias capazes de alcançar o cérebro, interferindo em funções como desenvolvimento neurológico, plasticidade neuronal e regulação das emoções.

 

A alimentação tem papel fundamental na manutenção da saúde intestinal. Por isso, especialistas recomendam reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, corantes e conservantes, e incentivar a ingestão de alimentos naturais como frutas, verduras e legumes, que são fontes importantes de fibras e contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Para crianças com seletividade alimentar, a nutróloga orienta que o processo de introdução alimentar seja feito de forma gradual e respeitando o ritmo individual. Estratégias como adaptar textura, temperatura e apresentação dos alimentos podem facilitar a aceitação. Outra alternativa é incluir fibras de forma discreta em preparações já aceitas pela criança, ampliando o repertório alimentar sem gerar estresse.

 

Segundo a especialista, quando a saúde intestinal melhora, muitos pais relatam mudanças positivas no comportamento dos filhos, como melhora na qualidade do sono, redução de dores e desconfortos e maior receptividade a estímulos e terapias. Apesar disso, a médica ressalta que o cuidado com o intestino não substitui outras formas de tratamento, como terapias comportamentais, acompanhamento psicológico, fonoaudiologia ou suporte pedagógico. No entanto, pode potencializar os resultados dessas intervenções.

 

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Outro ponto destacado pela especialista é a importância da educação em saúde para pais e cuidadores, principalmente no reconhecimento de sinais não verbais de desconforto gastrointestinal em crianças que apresentam dificuldades de comunicação. Mudanças no comportamento, no apetite, no sono ou na postura corporal podem indicar dor ou desconforto intestinal.

 

 

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