Você pode estar pensando agora: ?espera, será que eu estou dentro dessa estatística?
Nunca fomos tão ansiosos, dizem por aí. Não sabemos se isso é verdade, mas é um fato que os números da ansiedade no Brasil são alarmantes: 9,3% da nossa população sofre com o chamado transtorno de ansiedade, doença psiquiátrica que afeta a saúde mental.
Você pode estar pensando agora: “espera, será que eu estou dentro dessa estatística?”. Afinal, você provavelmente já deve ter se sentido alguma vez ansioso, antecipando alguma situação. Isso ocorre porque a ansiedade é um sentimento comum e natural do ser humano. Quando excessiva é que ela se torna um problema classificado até pelos manuais médicos. Entenda melhor essa diferença e como lidar com o lado patológico dessa sensação:
Veja também

Vacina para covid passa a ser de rotina para gestante e idoso
O que é a ansiedade?
(19).jpeg)
“Ansiedade é uma reação normal do nosso corpo, ela sinaliza que devemos nos defender, nos preocupar ou até mesmo fugir de alguma situação incomum”, explica a psiquiatra Jéssica Martani, observership em neurociências pela Universidade de Columbia
em Nova York (EUA) e pós-graduada em psiquiatria pelo Instituto Superior de Medicina e em endocrinologia pela Faculdade CENBRAP.
Antecipar-se ante a uma ameaça é fundamental e trouxe o ser humano até onde estamos hoje. Mas essa preocupação merece atenção quando começa a ser provocada por gatilhos pequenos e situações que normalmente não precisariam de uma reação desse tamanho. Sabe quando se usa uma bazuca para atacar uma mosquinha? Existem momentos em que a pessoa ansiosa nem sabe explicar por que exatamente está se sentindo assim.
Quando falamos em condição psiquiátrica diagnosticada, temos o transtorno de ansiedade generalizada (CID F41. 1), o quadro mais comum nas ansiedades patológicas. “Ele é caracterizado por preocupações excessivas, sensação de que algo ruim vai acontecer, dentre outros. Tudo isso numa duração constante de em torno de seis meses”, descreve Martani. Já o transtorno de pânico (CID F41. 0) é outro quadro comum de ansiedade marcado por crises que ocorrem abruptamente e incapacitante naquele momento.
Causas da ansiedade
(10).jpeg)
Não se sabe ao certo quais são as causas dos transtornos de ansiedade. A ciência hoje trabalha com a ideia de que seja um problema de origem multifatorial, ou seja, existem diversos pontos envolvidos e certamente nem todos são conhecidos. No entanto, há algumas teorias, como:
Desequilíbrio das monoaminas
Muitos especialistas acreditam que possa haver uma desregulação de alguns neurotransmissores cerebrais, como a serotonina, a noradrenalida e a dopamina. Neurotransmissores são as substâncias que levam mensagens de um neurônio ao outro e estão intimamente relacionados ao nosso humor e sentimentos.
“Essas substâncias, dentre outras, como glutamato, poderiam estar associadas a uma hiperreatividade do Sistema Nervoso Central, ocasionando um sistema de luta e fuga que se dispara múltiplas vezes com gatilhos desproporcionais e reações com duração e intensidades muito superiores ao que as desencadeou”, descreve Martani.
Nossa atual sociedade e as tecnologias
(133).jpeg)
Outro ponto é que, se estamos falando do tal “mal do século”, então isso está certamente relacionado ao estilo de vida atual. “Vivemos em uma sociedade que proporciona a ansiedade: estamos em meio a tecnologia tão rápida que nosso cérebro é incapaz de processar tanta informação, nos sentimos cada vez mais soterrados, correndo contra o tempo, tentando digerir novos conteúdos e essa sufocação de estímulos nos faz sentir pressionados”, descreve Martani. E nossa, só de ler já dá um cansaço, né?
Além disso, percebemos uma maior individualização na sociedade atual, que vem aliada a uma grande competição do ‘eu’ com os ‘outros’. “Observamos cada vez mais o estilo narcisista de sempre ‘ter mais’ e ‘ser melhor’ do que o outro. Toda essa junção de pressão, aceleração e falta de acolhimento nos deixa cada vez mais angustiados e acelerados correndo para buscar algo que já nem sabemos o que é”, resume a psiquiatra. Parece familiar?
A infância também influencia
(7).jpeg)
Fotos: Reprodução/Google
Não podemos esquecer que muitos dos sofrimentos psíquicos que o adulto sofre provavelmente tem um pézinho na infância. Martani explica que a ansiedade é muito comum em pessoas que cresceram em lares com muitas situações estressante, como brigas sem motivo entre os pais, reações negativas aleatórias dos cuidadores com aquela criança. “Isso as deixava em estado constante de alerta sem saber quando o gatilho estressor pode chegar”, arremata.Como aliviar a ansiedade
A ansiedade patológica é uma condição médica e é muito importante buscar ajuda de um psiquiatra e apoio psicológico. Isso alertado, vale saber que existem medidas que você pode tomar para reduzir essas sensações ruins quando elas ocorrem no dia a dia. Mas, antes de tudo, é importante você se conhecer: o que engatilha suas crises e o que ajuda a contê-las. “Não há uma receita de bolo, é necessário muito autoconhecimento para entender qual é a técnica que vai ajudar cada indivíduo em cada situação”, alerta Martani.
Fonte: com informações Portal Nova Mulher
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.