A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky
A Comissão Europeia emitiu nesta sexta-feira uma recomendação para que seja concedido à Ucrânia o status de candidata oficial ao ingresso na União Europeia (UE), condicionando a adesão a uma série de reformas. É o primeiro passo de um processo que pode levar ao redor de uma década, mas dá momento à campanha do presidente Volodymyr Zelensky e ao seus esforços frente à invasão russa, que está prestes a entrar em seu quinto mês.
Comemorado por Zelensky e criticado pela Rússia, o aval do Executivo da UE já era tido como inevitável desde sábado, quando Von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, viajou pessoalmente a Kiev para discutir os detalhes do processo. Endosso ainda maior veio na quarta, quando foi a vez do presidente da França, Emmanuel Macron, do premier italiano, Mario Draghi, e o do chanceler alemão, Olaf Scholz, viajarem à capital ucraniana e declararem seu apoio à candidatura "imediata" do país à UE.
A Comissão Europeia também deu um sinal verde para a candidatura da Moldávia, que deu entrada no seu pedido logo após a Ucrânia, preocupada com os avanços do Kremlin na região. Negou, contudo, a concessão do status à Geórgia, que travou uma breve guerra com a Rússia em 2008, considerando que o país ainda não está pronto e dando-lhe apenas uma "promessa".
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As decisões, contudo, não dão automaticamente aos países o status de candidatos à UE. O assunto agora será discutido na cúpula continental, marcada para os dias 23 e 24 deste mês, e é necessário que haja aval unânime de todos os integrantes da UE para que seja confirmado — algo que, neste momento, é incerto.
É só quando a partir do consenso entre os países-membros que começa o processo oficial de candidatura, com anos de negociações e reformas internas para que o país se adeque aos termos do bloco. Segundo Von der Leyen, Kiev já implementa cerca de 70% das regras, normas e padrões continentais, mas grandes mudanças adicionais serão necessárias:
— Os ucranianos estão prontos para morrer pela perspectiva europeia (...). Queremos que eles viva conosco nosso sonho europeu — disse ela, vestindo uma camisa azul e um blazer amarelo, as cores da bandeira ucraniana. — Isso, é claro, com o entendimento de que o país realizará uma série de reformas importantes.
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Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante anúncio oficial
A recomendação da comissão é um documento técnico e burocrático que analisa a compatibilidade de um país com a UE, levando em conta aqueles que são conhecidos como os "critérios de Copenhague". O bloco avalia temas como governança, justiça e economia — ambas questões em que Ucrânia e Moldávia pecam.
Em Kiev, a corrupção endêmica e os desafios de reconstrução após a invasão russa, em particular, geram preocupações. As reformas que Bruxelas considera indiscutíveis, na prática, possibilitariam uma grande transformação interna na Ucrânia, que se afastaria de vez da órbita de Moscou.
— As conversas sobre adesão estão mais a frente — disse Oliver Varhelyi, o responsável no bloco pela coordenação de novas candidaturas. — Hoje não é sobre isso. Assim que as condições forem cumpridas, então teremos que voltar e refletir.

Fotos: Reprodução
A decisão foi comemorada por Zelensky, defensor da ideia de que o título de país-membro reduziria sua vulnerabilidade geopolítica. Segundo o presidente, o anúncio desta sexta irá ajudar os ucranianos a lutar contra os avanços do Kremlin:
"A conclusão positiva da Comissão Europeia sobre o status de candidatura é louvável", tuitou o mandatário, agradecendo e afirmando esperar um bom resultado na cúpula europeia da semana que vem. "É o primeiro passo no caminho para a adesão à UE que, certamente, nos deixará mais perto da vitória."
Fonte: Portal O Globo
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