Delegação amazonense retorna a Manaus com desempenho histórico, destaque no atletismo e natação, e histórias de superação que marcaram a competição em São Paulo
Com histórias de superação e oito recordes, Amazonas brilha com 44 medalhas nas Paralimpíadas Escolares Delegação amazonense retorna a Manaus com desempenho histórico, destaque no atletismo e natação, e histórias de superação que marcaram a competição em São Paulo
A delegação do Amazonas desembarcou em Manaus na noite de sábado (29) com a sensação do dever cumprido e a bagagem repleta de conquistas. Foram 44 medalhas conquistadas nas Paralimpíadas Escolares 2025, realizadas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, entre os dias 17 e 28 de novembro.
Mais do que números, o Estado escreveu um novo capítulo na história do desporto escolar paralímpico brasileiro, quebrando oito recordes escolares e consolidando-se como uma potência em formação de novos talentos.
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O show do atletismo e os recordes históricos
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A primeira fase da competição, encerrada no dia 21 de novembro, foi marcada pelo domínio avassalador do atletismo amazonense. Foram 35 medalhas conquistadas, sendo 17 de ouro, 11 de prata e 7 de bronze, colocando o Amazonas na 13ª posição no ranking geral. Mas o que realmente impressionou foi a quebra de oito recordes escolares, um feito inédito que elevou o patamar técnico da delegação.
Ismael Martins Tavares foi um dos grandes destaques, conquistando três medalhas de ouro na classe T45, Sub-18, sendo duas com quebra de recorde escolar: nos 400m e nos 100m. O jovem atleta ainda completou sua participação brilhante com o ouro no salto em distância.
Na mesma toada de superação, Efraim Costa da Silva cravou dois recordes escolares nas provas de 800m e 1500m, classe T38, Sub-18, além de conquistar o bronze nos 100m. Cleonor Camarão também entrou para a galeria dos recordistas ao vencer os 800m, classe T37, Sub-18, completando sua participação com duas pratas nos 400m e 100m.
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No feminino, o show ficou por conta de Raianne Vitória Rabelo e Débora Vitória. Raianne estabeleceu novo recorde escolar nos 800m, classe T53, Sub-18, e ainda faturou dois ouros nos 400m e 100m. Débora, por sua vez, também quebrou o recorde nos 200m, classe T72, Sub-18, e dominou completamente sua categoria ao conquistar três medalhas de ouro.
Abraão de Almeida Moura foi outro nome que brilhou intensamente, quebrando o recorde escolar nos 800m, classe T20, Sub-18, além de conquistar o ouro nos 1500m e a prata nos 400m.
Douglas, o 'Phelps da Amazônia'
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Se o atletismo foi o carro-chefe da primeira fase, a natação roubou a cena no segundo bloco da competição. Douglas Daniel, nadador da classe S5, conquistou quatro medalhas e ganhou um apelido carinhoso da delegação: o "Phelps da Amazônia", em referência ao lendário nadador norte-americano Michael Phelps.
O jovem atleta conquistou duas pratas (50m peito e 50m costas) e dois bronzes (50m livre e 100m livre), medalhando em todas as provas que disputou. Ao lado dele, Samuel Félix, da classe S10, também brilhou nas piscinas paulistas com um ouro nos 100m costas e dois bronzes (50m livre e 100m livre).
O chefe da delegação, professor Joniferson Vieira, não escondeu o orgulho ao falar sobre Douglas: "A gente está até apelidando ele de ‘Phelps da Amazônia’. Ele ainda tem muitas competições pela frente por causa da idade dele", comemorou.
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Além das conquistas na natação, o segundo bloco ainda rendeu medalhas de bronze no tênis de mesa em duplas, com Micaela Vitória, e no badminton, com Kemily Cristina.
Thayla Pereira : exemplo de superação e resiliência
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Entre tantas histórias inspiradoras, uma se destaca pelo poder de superação. Thayla Pereira, atleta transplantada de rim, passou 45 dias em tratamento em Porto Alegre (RS), período em que ficou completamente afastada dos treinos de alto rendimento.
"Ela foi para passar uma semana em Porto Alegre e ficou 45 dias, então ela não treinou e quando voltou teve que voltar devagar", contextualizou o professor.
Mesmo sem a preparação ideal, Thayla Pereira conquistou uma prata nos 400m e um bronze nos 200m, ambos na classe T54, Sub-16. Das três provas que disputou, medalhando em duas e ficando em quarto lugar na outra, sua performance foi além de qualquer expectativa.
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"Para nós foi um exemplo de superação de uma estudante-atleta transplantada e que ficou um tempo sem treinar. Para o alto rendimento, que no caso dela, 45 dias seria um ciclo perdido. Mas ela voltou devagar. Ela se classificou no meeting de julho para essa competição", explicou.
Parceria estratégica e apoio governamental
O sucesso da delegação amazonense não aconteceu por acaso. Foi resultado de um trabalho intensivo e de uma parceria estratégica entre a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Associação Paradesportiva do Norte, que uniram esforços para democratizar o paradesporto no Estado e preparar os atletas para grandes competições nacionais.
O professor Joniferson Vieira fez questão de agradecer o apoio recebido. "Agradeço ao governador Wilson Lima por esse crédito que ele deu na nossa equipe, agradecer a secretária de Estado de Educação e Desporto Escolar, Arlete Mendonça, porque se empenhou bastante", declarou o chefe da delegação.
A secretária Arlete Mendonça foi destacada como peça fundamental nessa conquista. "A secretária Arlete foi uma parceira da Paralimpíada Escolar, dos nossos estudantes, dos nossos professores. A gente sabe das dificuldades que a gente passou e ela estava junto com a gente, mas não nos deixou perder a esperança. Então, a gente agradece e acho que ano que vem a gente vem mais forte ainda em renovação", ressaltou Joniferson.
Balanço final: qualidade acima da quantidade
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Ao fazer o balanço da participação amazonense, Joniferson Vieira destacou que a delegação superou todas as expectativas iniciais. "A gente está trazendo aí 44 medalhas, onde a gente imaginava que pudesse trazer em torno de 40, no máximo. Então, a gente superou as expectativas, sim, porque sabia que estava renovando, sabia que estava trazendo um número menor de atletas, mas a gente trouxe qualidade", analisou.
O chefe da delegação explicou que a estratégia foi priorizar a qualidade sobre a quantidade. "Balanço positivo, a gente sai superando todas as nossas expectativas. A gente teve as 35 medalhas na primeira fase, o primeiro bloco lá no atletismo. A gente trouxe mais qualidade, a gente não trouxe quantidade e no final a gente ficou muito feliz", celebrou.
Joniferson também destacou o desempenho dos nadadores: "Os meninos da natação deram um show trazendo sete medalhas, dois atletas com sete medalhas, um com três e outro com quatro medalhas, ou seja, eles trouxeram medalhas em todas as provas que eles participaram".
Apesar de terem ficado próximos do recorde de medalhas do Estado (45), o professor reconheceu que o resultado foi positivo. "A gente bateu na trave de igualar o recorde de medalhas (de 2019), mas com a certeza de que a gente poderia ter tido melhores resultados. A gente sabia que seria difícil", ponderou.
Renovação e busca por novos talentos
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Olhando para o futuro, a delegação amazonense já planeja o processo de renovação para as Paralimpíadas Escolares de 2026. Alguns atletas estarão estourando a idade limite, o que abre espaço para a descoberta de novos talentos.
"Temos aí a Bocha estourando, um dos meninos do halterofilismo também está estourando a idade, veio para essa participação. Temos uma perspectiva de que a idade até atualmente pode ser que os que estão estourando fiquem mais um ano, a gente vai aguardar essas decisões, mas no fundo a gente sabe e está consciente de que temos que buscar novos atletas, buscar novos talentos", projetou Joniferson.
Para essa missão de garimpar novos talentos, o professor destacou a importância da equipe técnica. "Os professores Joaquim Filho, keegan Ponce, Janssen Feffreys, Esmeralda Lavareda, Rosa Alves, Grazi Moraes, Fernando Tafarel Luiz Cláudio e André Louis, têm a missão de buscar novos talentos em idade escolar para que a gente reforce nosso time da Paralimpíada Escolar", listou.
O objetivo é ambicioso: "Nosso teto é chegar a 80 pessoas, 80 passagens, e superar o número de 50 atletas na competição", revelou o chefe da delegação.
Otimismo para 2026
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Fotos: Jhonny Lima/A CRÍTICA
A delegação amazonense mira horizontes ainda mais altos. A confiança está em alta, e a expectativa é de que os resultados de 2025 sejam apenas o prenúncio de algo ainda maior.
"Agora é comemorar o resultado, fazer relatório para a secretaria e dizer que ela pode contar com a gente para frente e a gente vai estar trazendo com certeza bons resultados. Eu creio que esse resultado de agora faz com que a gente vislumbre um 2026 melhor de todos os tempos", finalizou Joniferson Vieira, com o entusiasmo de quem sabe que o melhor ainda está por vir.
As 44 medalhas conquistadas em São Paulo são mais do que metal. São sonhos realizados, limites superados e a certeza de que o Amazonas tem um futuro brilhante no paradesporto escolar brasileiro.
Fonte: Com informações acrítica
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