A visibilidade do tema na mídia e o compromisso de portais, instituições e lideranças sociais são fundamentais para abrir espaços de diálogo, cuidado e proteção.
O uso de substâncias psicoativas para intensificar a experiência sexual não é uma novidade. No entanto, essa prática tem se intensificado de forma preocupante, especialmente entre homens que fazem sexo com homens (HSH), e passou a ser conhecida mundialmente como chemsex — uma abreviação de chemical sex, ou “sexo químico”.
Misturando prazer, drogas e longas jornadas sexuais, o chemsex se tornou um fenômeno que desafia especialistas em saúde pública e mental. Por estar associado ao uso de drogas potentes como metanfetamina, GHB/GBL (popularmente conhecido como “boa noite, Cinderela”) e mefedrona, os riscos à saúde física e psicológica aumentam de forma alarmante.
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O que é Chemsex?
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O termo surgiu no Reino Unido e passou a ser amplamente utilizado por pesquisadores, profissionais de saúde e organizações LGBTQIA+. Ele descreve o uso intencional de drogas para facilitar ou prolongar o sexo, geralmente com múltiplos parceiros, por longos períodos de tempo — que podem durar horas ou até dias.
As substâncias mais comuns no chemsex incluem:
• Metanfetamina (cristal): potente estimulante que reduz a fadiga e aumenta a libido;
• GHB/GBL: depressor do sistema nervoso central que induz relaxamento e euforia, mas com alto risco de overdose;
• Mefedrona: droga sintética que causa euforia e estimula o desejo sexual.
Quais os riscos associados?
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Apesar da busca pelo prazer, o chemsex envolve sérios riscos à saúde:
1. Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs): O uso de drogas compromete o julgamento, levando ao sexo desprotegido e à troca frequente de parceiros. Há aumento significativo nos casos de HIV, sífilis, hepatites B e C, além de outras ISTs.
2. Dependência química: O uso recorrente das substâncias leva à tolerância e à necessidade de doses cada vez maiores, favorecendo a dependência e quadros de abstinência intensos.
3. Overdose e morte: Drogas como o GHB têm uma margem muito estreita entre a dose recreativa e a letal, o que aumenta drasticamente o risco de overdose.
4. Riscos psicológicos: Usuários relatam quadros de depressão, ansiedade, paranoia e psicose induzida por drogas, agravados pelo estigma e isolamento social.
Quem está mais vulnerável?
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Pesquisas apontam que a prática é mais comum entre homens gays, bissexuais e outros HSH, muitas vezes em busca de aceitação, prazer intensificado ou fuga de traumas e pressões sociais. Grupos marginalizados, que já enfrentam discriminação ou barreiras no acesso à saúde, tornam-se ainda mais vulneráveis aos impactos do chemsex.
Como os profissionais de saúde estão lidando com isso?
A crescente demanda por atendimento levou ao desenvolvimento de serviços especializados, como:
• Clínicas de Redução de Danos
• Atendimento psicossocial integrado
• Testagem e profilaxia de ISTs
• Espaços de escuta acolhedora e sem julgamento
Especialistas apontam a necessidade urgente de formação continuada para profissionais da saúde, além de campanhas de conscientização voltadas ao público LGBTQIA+, respeitando suas especificidades e buscando promover práticas mais seguras. A abordagem de redução de danos propõe práticas que minimizam os riscos associados ao uso de drogas e ao sexo desprotegido, sem criminalizar ou moralizar os usuários.
Algumas medidas incluem:
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Fotos: Reprodução/Google
• Uso de preservativos e lubrificantes
• Testagem regular para ISTs
• Uso moderado e consciente das substâncias
• Informações sobre doses seguras e interações perigosas
• Disponibilização de kits de primeiros socorros e apoio psicológico
Muitas pessoas que praticam chemsex não falam sobre o assunto nem com amigos, muito menos com profissionais da saúde, por medo de julgamento, discriminação ou estigma. Esse silêncio contribui para o agravamento de problemas físicos, emocionais e sociais. A visibilidade do tema na mídia e o compromisso de portais, instituições e lideranças sociais são fundamentais para abrir espaços de diálogo, cuidado e proteção.
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