E, mesmo assim, o País assiste em silêncio.
Por que os números que deveriam dimensionar a tragédia já não parecem mais impactar? O que está acontecendo com o Brasil que naturaliza o sofrimento de 525 mil pessoas no Amazonas?
De acordo com a Defesa Civil do Estado do Amazonas, 40 dos 62 municípios estão em situação de emergência por causa da cheia dos rios, 18 estão sob alerta e apenas 4 seguem em condição de normalidade. E, mesmo assim, o País assiste em silêncio.
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A cheia de 2025 atinge o Estado como um todo, das vias urbanas aos rios distantes, afetando comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas em abandono e esquecimento. A água parece arrastar e inundar muito além do que se vê. Atinge também a frágil rede de proteção social, desmontada pela ausência de políticas públicas estruturantes e agravada por anos de corrupção, negligência e desmonte ambiental.

Em municípios como Uarini, mais de 2.200 famílias vivem isoladas, com fome, sem acesso à saúde e à educação. Em Manaus, moradores de bairros próximo aos rios como o Educandos convivem com lixo, ratos e esgoto a céu aberto.

A distribuição de cestas básicas e pontes improvisadas virou resposta-padrão de um Estado que só aparece quando a tragédia já se consolidou e que, mesmo assim, se limita a soluções emergenciais, jamais estruturais.

Fotos: Reprodução/Google
Os povos da floresta, que mantêm a Amazônia viva, são os primeiros a sofrer e os últimos a serem ouvidos. Não há plano de adaptação climática, nem investimento real em saneamento, infraestrutura ou segurança alimentar.
As águas seguem um ciclo previsível, assim como a omissão dos governos. Por isso, há necessidade de sempre relembrar que a cheia no Amazonas não é só um evento natural. É um desastre político e social anunciado.
Fonte: com informações Cenarium
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