27 de Maio de 2026

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Interior em Destaque - 27/05/2026

Cheia dos rios acende o alerta para problemas de saneamento, em especial o abastecimento de água no interior do AM

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Foto: Divulgação

Cheia dos rios acende o alerta para problemas de saneamento, em especial o abastecimento de água no interior do AM

O avanço do período de cheia no Amazonas acende o alerta para a fragilidade da infraestrutura sanitária dos municípios do interior. A rápida subida dos rios afeta o abastecimento das cidades, com risco de contaminação da água consumida por populações ribeirinhas e indígenas. Conforme balanço da Defesa Civil do estado, 16 municípios já se encontram em situação de emergência, com milhares de famílias começando a sentir os efeitos do isolamento.

 

Especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública, o engenheiro civil Marcellus Campêlo avalia que o agravamento das cheias, com a crise climática, exige soluções permanentes e tecnologias adaptadas à realidade amazônica. Por mais de sete anos à frente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), ele defende a ampliação de políticas públicas voltadas à segurança hídrica e ao saneamento nos municípios do Amazonas.

 

“Precisamos avançar em projetos sustentáveis de abastecimento de água, drenagem, tratamento de esgoto e monitoramento dos rios. A realidade da Amazônia exige soluções específicas para comunidades isoladas e municípios afetados pelas enchentes todos os anos”, afirma Marcellus Campêlo, que se desincompatibilizou da Sedurb e da UGPE em março deste ano, colocando o nome à disposição da Federação União Progressista, como pré-candidato a deputado estadual.

 

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Uma das iniciativas desenvolvidas no âmbito da Sedurb foi a criação da Microrregião de Saneamento Básico (MRSB), instituída por lei em janeiro de 2025. O modelo permite a gestão compartilhada do saneamento entre estado e municípios do interior, ampliando assim a capacidade de trabalho e de atração de investimentos para que possam alcançar a meta de universalização dos serviços de água e esgoto.

 

Parte da estrutura de apoio aos municípios na área de saneamento foi fortalecida pela Sedurb e UGPE, com ampliação das redes em Manaus e no interior. Em Manaus, com o Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+). No interior, com o Programa de Saneamento Integrado (Prosai), executado em Maués e em andamento em Parintins, cidades historicamente afetadas pelas grandes cheias.

 

 

Fotos: Divulgação

 

Em Maués, o Prosai ampliou em 50% a cobertura de esgotamento sanitário e elevou a capacidade de armazenamento de água de 227 mil litros para 1,7 milhão de litros, passando a atender toda a população urbana. Já em Parintins, o programa, que iniciou em 2024, já solucionou o problema de contaminação dos poços que abasteciam o município e iniciou a implantação da rede de esgoto, com previsão de elevar a cobertura do serviço de zero para 25%.

 
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Para Marcellus Campêlo, experiências como as de Maués e Parintins mostram que o Amazonas precisa transformar o saneamento em uma política permanente de estado, principalmente nos municípios mais afetados pelas cheias. “O desafio do saneamento no interior não passa apenas pela execução de obras, mas pela criação de projetos permanentes, capazes de integrar abastecimento de água, drenagem urbana, tratamento de esgoto, monitoramento dos rios e planejamento das cidades”, enumera.

 

Segundo ele, a Amazônia exige soluções diferentes das adotadas nos grandes centros urbanos do país, com tecnologias adaptadas à realidade ribeirinha e maior integração entre engenharia, gestão ambiental e adaptação climática. “Quando levamos água tratada e esgotamento sanitário para uma comunidade, reduzimos doenças, melhoramos a qualidade de vida e criamos condições para o desenvolvimento local”, pontua. 

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