03 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Inspiração Amazônica - 12/09/2025

Cestaria Yanomami: tradição, cosmovisão e sustentabilidade em cada trançado

Compartilhar:
Foto: Reprodução/Google

Cada peça carrega não apenas uma função prática, mas também uma herança cultural e espiritual, transmitida entre gerações.

O trançado da cestaria Yanomami começa muito antes das mãos se encontrarem com as fibras. Ele nasce das caminhadas na urihi a – a terra-floresta –, quando as mulheres coletam cuidadosamente o cipó titica e o Përisi, fungo que dá origem aos fios negros utilizados nas tramas. Cada peça carrega não apenas uma função prática, mas também uma herança cultural e espiritual, transmitida entre gerações.

 

Arte ancestral que chega às casas brasileiras

 

As peças únicas, como os cestos Wiia, Xotehe, Tipiti e Sotea ose, foram reunidas no Catálogo Arte Yanomami, lançado em 28 de agosto pela Hutukara Associação Yanomami (HAY) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA). O catálogo detalha nomes, formatos e dimensões dos cestos, facilitando a comercialização justa e ética, valorizando o trabalho artesanal e garantindo renda às comunidades.

 

Veja também

 

Defensoria realiza capacitação sobre povos originários e prepara audiência para construir protocolo de atendimento a indígenas

Em Parintins, cachorro 'vira gato', sobe no telhado e é resgatado pelo Corpo de Bombeiros

Cada cesto, uma história

 

 

• Wiia: cesto alongado e resistente, usado para carregar produtos da coleta, alimentos e lenha. É confeccionado por mulheres, com cipó titica e fios de Përisi.
• Xotehe: raso, pode ter trama fechada (para alimentos) ou aberta (para pesca). É feito com cipó titica e raízes da palmeira paxiubinha.
• Tipiti: tubular e trançado por homens do grupo Sanöma, funciona como prensa para a mandioca brava, essencial para o preparo do tucupi e da farinha.
• Sotea ose: espécie de peneira de bordas baixas, usada como travessa ou utensílio para o preparo e consumo coletivo de alimentos.

 

Cada detalhe tem significado. O fio negro do Përisi, por exemplo, é considerado na cosmologia Yanomami como os pelos pubianos do espírito da floresta, e sua coleta envolve rituais conduzidos por mulheres em diálogo com xamãs.

 

Detalhe do cesto Xotehe feito de cipó titica com fios de fungo negro

 

 

Recentemente, o Përisi foi identificado cientificamente como uma nova espécie de fungo: o Marasmius yanomami, descrito em pesquisa intercultural envolvendo cientistas indígenas e não indígenas. O conhecimento sobre ele foi registrado no livro Për?s?: o fungo que as mulheres Yanomami usam na cestaria, publicado pela Associação de Mulheres Yanomami Kumirãyõma em parceria com o ISA, em edição bilíngue (Yanomami e português).

 

Economia da sociobiodiversidade

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A comercialização das cestarias é organizada pela Hutukara Associação Yanomami, fundada em 2004 pelo xamã e líder Davi Kopenawa Yanomami. A HAY atua para defender os direitos territoriais e fortalecer a cultura e a autonomia indígena. Toda a renda obtida com as vendas é revertida para a compra de matihipë – objetos de uso comunitário – conforme solicitado pelas aldeias.

 

Atualmente, em parceria com o ISA, a Hutukara coordena projetos que envolvem 78 comunidades e cerca de 900 indígenas, fortalecendo economias sustentáveis ligadas a produtos da floresta, como cestarias, cogumelos, castanhas e cacau.

 
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.
 

Da floresta para o mundo

 


Mais do que utilitários, os cestos Yanomami carregam cosmovisão, espiritualidade e resistência cultural. Para o cotidiano indígena, são indispensáveis; para a sociedade não indígena, podem se transformar em fruteiras, revisteiros ou adornos artísticos, levando para dentro de casa não apenas um objeto, mas uma parte da floresta amazônica. Ao adquirir uma peça, o consumidor participa de um ciclo que fortalece o território, preserva saberes e garante condições dignas de vida às comunidades Yanomami.
 

 

Portal Mulher Amazônica

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.