Deputada do país insular africano defende que o empoderamento tanto de mulheres quanto dos homens e o combate à desigualdade social passam pelo nivelamento escolar
A primeira mulher eleita presidente da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, Celmira de Almeida do Sacramento dos Santos Lourenço nasceu com a conquista do país pela independência de Portugal, em 1975. "Fui eleita para esta legislatura (em 2022), presidente da Assembleia NaciA desigualdade de gênero ainda é bastante sentida no nosso país.
Mesmo no parlamento, que é uma casa legislativa, só recentemente, na legislatura anterior (no fim de 2022), conseguimos aprovar uma lei de paridade, que não é 50-50, é de 60% (homens) para 40% (mulheres). Ela ainda não foi implementada por não ter sido promululgada a tempo de entrar em vigor para as últimas eleições. Portanto, nós só começaremos a tirar partido desta legislação nas próximas eleições legislativas. Mas o nosso tribunal constitucional já está sensibilizado para inviabilizar as listas que não tiverem esta paridade aprovada na Assembleia Nacional. Mas, além das questões sociais, a desigualdade de gênero está muito presente em nossa cultura.
Aos 49 anos, ela é uma das figuras mais proeminentes da política santomense, em um regime democrático recente, com primeiras eleições democráticas há apenas 33 anos. Deputada pelo círculo de Mé-Zóchi desde 2010, Celmira nasceu e cresceu em Trindade, município a 12km da capital, São Tomé. Mais velha de nove irmãos, filhos de um pai professor e uma mãe doméstica, estudou matemática e biologia à luz de uma candeeira a petróleo. "Tinha que fazer doces para pagar o transporte. Eu fazia também pastéis (bolos), só não fazia gelado (sorvete) porque na minha zona não tem energia", conta.
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Foto: Reprodução/Google
Conciliou trabalho, estudos e família e política. Teve um casal de filhos. Em entrevista exclusiva ao Correio, a vice-presidente do seu partido, a Ação Democrática Independente (ADI), e ex-presidente da Rede das Mulheres Parlamentares fez reflexões sobre a trajetória, os desafios da liderança política e as metas para o futuro da nação. A deputada destacou a importância da recente aprovação da lei da paridade, que estabelece uma meta de 40% de representação feminina nas próximas eleições, e as preocupações com a qualidade alimentar no seu país.
A desigualdade de gênero ainda é bastante sentida no nosso país. Mesmo no parlamento, que é uma casa legislativa, só recentemente, na legislatura anterior (no fim de 2022), conseguimos aprovar uma lei de paridade, que não é 50-50, é de 60% (homens) para 40% (mulheres). Ela ainda não foi implementada por não ter sido promululgada a tempo de entrar em vigor para as últimas eleições. Portanto, nós só começaremos a tirar partido desta legislação nas próximas eleições legislativas. Mas o nosso tribunal constitucional já está sensibilizado para inviabilizar as listas que não tiverem esta paridade aprovada na Assembleia Nacional. Mas, além das questões sociais, a desigualdade de gênero está muito presente em nossa cultura.
As próprias mulheres, muitas vezes, não conseguem se libertar. Enquanto parlamentares, precisamos emponderá-las, para que elas possam estar em qualquer lugar onde os homens estejam. Precisamos trabalhar para que, na situação em que ambos tenham a mesma formação (escolar e acadêmica), ela não seja deixada para trás por ser mulher. Nós sabemos que os homens podem não ter qualificação nenhuma, mas quando são chamados podem tudo. Já as mulheres, quando são chamadas, começam a ser muito cobradas.
E, como há de saber, também temos que lidar com o racismo. Uma mulher negra, num país como São Tomé e Príncipe, para conseguir ser erguer, precisa provar ter muitas qualidades, porque é censurada mesmo pelas mulheres. Portanto, temos um trabalho árduo pela frente, para criar essa sensibilização. Mas já demos um passo importante, que foi a lei de paridade.
Fonte: com informações Correio Braziliense
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