Em 11 de julho de 1972, o Brasil perdia uma professora potiguar cuja trajetória ultrapassava o simples ato de votar.
Celina Guimarães Viana foi uma pioneira que marcou a história do voto feminino no Brasil e deixou um legado de transformação em diversas áreas da sociedade. Nascida em Natal, ela se destacou não apenas como a primeira mulher registrada a votar, mas também como uma educadora inovadora e, possivelmente, a primeira árbitra de futebol do país.
Em 11 de julho de 1972, o Brasil perdia uma professora potiguar cuja trajetória ultrapassava o simples ato de votar. Para a socióloga e cientista política Mayra Goulart, de ênfase na educação progressista, Celina representava o ativismo em ação: ela promovia uma pedagogia que rompia com práticas tradicionais, como os castigos físicos, e incorporava métodos inovadores, como o uso do teatro em sala de aula.
A conquista do direito ao voto feminino não foi fruto de uma ação isolada, mas sim o resultado de uma intensa articulação política e do fortalecimento do movimento feminista na época. No contexto do Rio Grande do Norte, mudanças legislativas ocorreram de forma antecipada. Em 25 de outubro de 1927, novas normas eleitorais passaram a abolir a distinção de sexo no alistamento.
Veja também

No Planalto, Nísia discursa em tom de despedida e é aplaudida de pé; Lula silencia
O dia da conquista do voto feminino: Uma luta histórica pela democracia

Pouco tempo depois, moradora de Mossoró, Celina foi uma das primeiras a solicitar seu registro eleitoral. Seu pedido, formalizado em documento manuscrito e assinado pelo juiz Israel Ferreira Nunes, constava que ela atendia a todas as exigências legais para ser eleitora – um registro que hoje integra o acervo do Museu Histórico Lauro da Escóssia.
Apesar desse avanço, a participação feminina no processo eleitoral enfrentou resistência. Na eleição complementar para preencher a vaga de senador deixada por Juvenal Lamartine de Faria, os votos das mulheres foram posteriormente considerados “inapuráveis” pela comissão de verificação do Senado, demonstrando a persistência do machismo mesmo diante de conquistas importantes.

Fotos: Reprodução
Celina, porém, não se restringiu à esfera política. Entre 1917 e 1919, ela atuou como juíza de futebol, abrindo caminho em um meio tradicionalmente masculino. Essa experiência evidencia seu compromisso com a quebra de barreiras em diferentes segmentos, tanto na educação quanto no esporte.
A história de Celina Guimarães Viana vai além de um simples marco na ampliação dos direitos políticos das mulheres. Ela é um símbolo de coragem e persistência, inspirando não só as futuras gerações de educadoras e eleitoras, mas também todos aqueles que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária. Seu legado permanece vivo, lembrando que as conquistas de ontem pavimentaram as bases para os direitos inegociáveis de hoje.
Portal Mulher Amazônica
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.