O crescimento tem preocupado neurologistas, cardiologistas e profissionais de saúde.
Nos primeiros meses de 2025, centros de reabilitação em todo o Brasil registraram um aumento expressivo no número de jovens atendidos por sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), fenômeno que até pouco tempo era mais associado a idosos. Dados preliminares indicam um crescimento superior a 60% nos atendimentos a pessoas entre 18 e 59 anos no país no comparativo com o mesmo período de 2024, segundo levantamento citado em reportagem recente. O crescimento tem preocupado neurologistas, cardiologistas e profissionais de saúde.
Tendência nacional e mundial
Estudos nacionais mostram que aproximadamente 18% dos AVCs no Brasil ocorrem em indivíduos entre 18 e 45 anos, uma proporção significativa para uma condição tradicionalmente associada a idades mais avançadas. No ano de 2024, mais de 7.000 jovens entre 20 e 49 anos morreram no Brasil em decorrência de AVC, segundo dados do Ministério da Saúde e do sistema de informações hospitalares (DATASUS). Pesquisas internacionais reforçam essa tendência global: um estudo publicado na revista The Lancet Neurology indica um aumento de cerca de 15% nos casos de AVC em pessoas com menos de 70 anos em todo o mundo, com tendência de crescimento também nas faixas mais jovens.
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Fatores de risco: além da idade

Especialistas alertam que o avanço dos casos entre jovens está diretamente relacionado a fatores de estilo de vida e condições de saúde que vêm se tornando mais presentes já na juventude:
• Sedentarismo, associado à redução de atividade física regular.
• Má alimentação, com ingestão frequente de alimentos ultraprocessados.
• Obesidade, hipertensão e diabetes, cada vez mais prevalentes em adultos jovens.
• Tabagismo e uso de cigarro eletrônico, considerados fatores clássicos de risco cardiovascular.
• Estresse crônico, sono irregular e consumo de álcool em excesso.
Médicos também destacam que a poluição ambiental e exposição a substâncias diversas podem contribuir indiretamente ao risco.
Além dos fatores tradicionais, estudos recentes apontam para fatores não tradicionais, como enxaqueca (com ou sem aura), doenças autoimunes, transtornos de coagulação sanguínea e condições metabólicas específicas que tornam alguns jovens mais suscetíveis a AVC, mesmo na ausência de fatores clássicos.
Tipos de AVC e sinais de alerta

O AVC pode ocorrer de duas formas principais:
• Isquêmico: causado por obstrução de vasos que levam sangue ao cérebro (responsável por cerca de 85% dos casos).
• Hemorrágico: decorrente do rompimento de um vaso sanguíneo, causando sangramento cerebral.
Independentemente do tipo, os sintomas tendem a surgir de forma súbita e exigem atendimento médico imediato: fraqueza ou perda de força de um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, visão turva ou perda de visão, desequilíbrio, tontura e dor de cabeça intensa sem causa aparente.
Profissionais de saúde reforçam que muitas das condições de risco podem ser identificadas e controladas precocemente:
• Verificação regular da pressão arterial e dos níveis de glicose e colesterol.
• Adoção de hábitos alimentares equilibrados e prática regular de exercícios.
• Abandono do tabagismo e moderação no uso de álcool.
• Sono de qualidade e gestão do estresse.
“A prevenção começa com o reconhecimento de que condições antes consideradas de risco tardio hoje podem afetar adultos jovens”, diz neurologista consultado por fontes oficiais de saúde.
Importância do diagnóstico rápido

Fotos: Reprodução/Google
O atendimento precoce é fundamental para reduzir o risco de sequelas graves. Intervenções dentro da chamada “janela terapêutica” (primeiras horas após o início dos sintomas) podem melhorar significativamente o prognóstico, especialmente em casos de AVC isquêmico.
Fontes:
Agência Brasília – Saúde do DF alerta para prevenção e diagnóstico precoce de AVC entre jovens: agenciabrasilia.df.gov.br
Brazil Health – Aumento de 15% nos casos de AVC em jovens: brazilhealth.com
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