Aos 31 anos, a cofundadora da Pet Food Solution, fábrica da holding Akron, conseguiu acesso exclusivo à matéria-prima no Brasil
Em 2016, Eugênio Marraccini apareceu na mídia por conta de seu amor pelos animais de rua. Na época, aos 82 anos, ele madrugava todos os dias para alimentar os mais de 40 gatos que viviam no Parque da Independência, na região do Ipiranga, em São Paulo. Para atrair os bichinhos, ele assobiava trechos de músicas clássicas e chacoalhava o saco de alguma ração superpremium que tinha em casa. O amor pelos animais passou de pai para filho, e Nelo Marraccini, filho de Eugênio, construiu sua carreira como executivo no setor.
Foi nesse ambiente, junto do avô e do pai, que Caroline Marraccini, cofundadora da Pet Food Solution, cresceu. “Eu vivia no meio das sacarias”, conta a empreendedora que, hoje aos 31 anos, desenvolveu uma ração para animais enriquecida com uma alga da Escandinávia, algo inédito no país. “Eu frequentava eventos pet a semana toda por conta do trabalho do meu pai.
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Em casa, observava meu avô conversando com pássaros e cuidando de gatos abandonados. Ele também era, já naquela época, adepto de uma dieta sem carne vermelha e contava que meu bisavô também era assim, então acho que é algo de família.” Mas, embora fosse apaixonada pelos animais, Carol não tinha ideia de que sua carreira seguiria nessa direção. De certa forma, mesmo tendo crescido no meio, o interesse pela área demorou para se manifestar.
A partir dos 15 anos, a jovem começou a fazer intercâmbios e a se interessar pelos estudos no exterior. Aos 17, mudou-se definitivamente para a Europa para cursar negócios internacionais na European School of Economics, na Itália.
Naquele espaço, cercada por arte e história, decidiu se especializar no mercado de luxo, iniciando sua carreira em meio às grandes marcas italianas de moda. De 2007 a 2014, construiu sua vida no velho continente, até uma oportunidade a aproximar novamente do Brasil. “Eu já estava com vontade de voltar, então poder fazer isso representando a empresa na qual eu estava trabalhando era incrível”, conta.

No entanto, quando chegou em solo nacional, percebeu que seu cargo na grife de moda- cujo nome ela prefere não citar – já não despertava a mesma paixão. De novo em sua terra natal, decidiu que era hora de buscar novos desafios e ingressou no setor de joias. “Nesse meio tempo, eu conversava muito com meu pai sobre negócios.” Até que, em um encontro de família, ele lhe apresentou uma proposta interessante. Então diretor de distribuição da Royal Canin no Brasil, Nelo havia comprado, ao longo dos anos, algumas empresas com o objetivo de criar seu próprio espaço no mercado pet. Dono de marcas de acessórios e alimentos para animais silvestres, ele acabou por fundar a holding Akron, mas ainda sonhava com a galinha dos ovos de ouro: uma fábrica de alimentos para cães e gatos.
“O Brasil é o segundo maior mercado pet do mundo em volume. Só no ano passado, foram gastos R$ 40,8 bilhões em produtos para animais de estimação, e a alimentação representa 50% desse valor”, destaca a empreendedora. Sonhando em alavancar essa frente na empresa, Nelo fez uma proposta clara e objetiva para a filha: que ela assumisse o projeto da Pet Food Solution. “Minha primeira reação foi negar”, recorda, com bom humor. “Eles precisavam de alguém com experiência em marketing e mercado internacional. Achavam que eu poderia agregar muito valor ao negócio. Mas eu nunca tinha trabalhado com nada parecido.”
Embora tivesse negado o convite, Carol foi dormir naquele dia pensando se a proposta era realmente tão louca quanto parecia. Naquele momento, reviveu todo o seu histórico familiar e se deu conta de que fazia sentido investir na área. “Com o tempo, conversando mais, eu vi que a oportunidade de começar uma fábrica praticamente do zero era o desafio que eu precisava aos 26 anos.” No município de Elias Fausto, no interior de São Paulo, a empreendedora começou uma nova etapa de sua vida.

Fotos: Reprodução/Instagram
Mais do que amor, Caroline também diz ter tido uma escola de empreendedorismo dentro de casa, o que impacta em sua forma de enxergar o mundo dos negócios atualmente. “Tenho 31 anos e sigo explorando novos mercados e desenvolvendo startups de impacto social.” De modo discreto, ela planeja o lançamento de duas empresas ainda no segundo semestre de 2021, trabalho que vem desenvolvendo há mais de três anos.
Um deles ainda é guardado a sete chaves, mas o outro é uma espécie de Airbnb de vestidos. “É um site que criamos para conectar pessoas e fazer com que elas possam rentabilizar as roupas de festa que estão paradas em casa”, explica. “Assim como a empresa de hospedagem, vamos criar um ambiente seguro para que essas transações sejam feitas entre os usuários da plataforma. O maior acervo de vestidos está na casa das pessoas, mas essa é a primeira empresa dessa natureza no Brasil. Só achei algo parecido em Nova York e na Austrália.” Focada em economia circular, ela acredita que esse seja um futuro promissor para o mundo da moda.
De certa forma, Caroline não deu um adeus definitivo à indústria de luxo. Apenas aprendeu como adaptar esse mercado aos desafios atuais de sua carreira, seja no setor pet ou em startups inovadoras.
Fonte: com informações do Portal Forbes
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