Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro foram os destaques de terça-feira, 17, e madrugada de quarta, 18
O terceiro e último dia de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, realizado na noite de terça-feira, 17, e madrugada desta quarta, 18, transformou a Marquês de Sapucaí em um grande palco de celebração às raízes afro-diaspóricas, à história do samba e à potência criativa da cultura brasileira.
Passaram pela avenida a Paraíso do Tuiuti, a Unidos de Vila Isabel, a Acadêmicos do Grande Rio e a Acadêmicos do Salgueiro, encerrando o Carnaval 2026 com enredos marcados por fé, memória e identidade.
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Tuiuti leva o Ifá Lucumí à avenida
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Abrindo a noite, a Paraíso do Tuiuti levou à avenida o enredo “Lonã Ifá Lucumí”, expressão em iorubá que significa “O Caminho do Ifá Lucumí”. A escola de São Cristóvão apresentou a jornada do oráculo sagrado de Orunmila, conectando a cidade africana de Ilé Ifé à chegada do culto ao Brasil, pelas mãos do babalaô cubano Rafael Zamora.
Com concepção do carnavalesco Jack Vasconcelos, a Tuiuti apostou em cores vibrantes, simbologias religiosas e na união entre Brasil e Cuba para abordar respeito, espiritualidade e história. O enredo foi inspirado em obra do pesquisador Nei Lopes, que acompanhou o desfile e destacou a importância de diferenciar o sagrado das distorções criadas pelo preconceito. O samba foi interpretado por Pixulé, enquanto a bateria comandada por mestre Marcão sustentou a cadência de um desfile que apostou na pedagogia da avenida para ampliar o olhar sobre as religiões de matriz africana.
Vila Isabel resgata a história de Heitor dos Prazeres e da Pequena África
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Segunda escola a desfilar, a Unidos de Vila Isabel emocionou a Sapucaí com o enredo “Macumbembê, Samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, dedicado ao multiartista Heitor dos Prazeres. Antes mesmo do primeiro carro cruzar a avenida, os intérpretes pediram que o público acendesse as lanternas dos celulares. “Macumba precisa de luz”, explicaram. Sob o brilho de milhares de pontos iluminados, a escola revisitou a Pequena África carioca, com referências à Pedra do Sal, à Praça Onze e ao Pedaço Baiano como territórios de fé, festa e resistência.
Cantor, compositor e pintor, Heitor participou da fundação de agremiações históricas, mas nunca havia sido homenageado no Grupo Especial. Na apresentação, Martinho da Vila representou o tio do artista, enquanto Sabrina Sato, rainha de bateria, surgiu com fantasia inspirada nas aquarelas do homenageado. Com 27 alas, cinco carros alegóricos, três tripés e cerca de 3 mil componentes, a azul e branco buscou saldar uma dívida histórica da Sapucaí com um dos pilares do samba.
Grande Rio transforma o manguebeat em espetáculo na Sapucaí
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A terceira a cruzar a Sapucaí foi a Acadêmicos do Grande Rio, que transformou o movimento manguebeat em espetáculo com o enredo “A Nação do Mangue”. Surgido em Pernambuco nos anos 1990, o movimento liderado por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A misturava maracatu, rock, hip-hop e crítica social. Na avenida, o carnavalesco Antônio Gonzaga apresentou essa estética híbrida em 24 alas, cinco carros alegóricos, três tripés e cerca de 3.200 componentes.
Um dos momentos marcantes foi a participação de Louise França, filha de Chico Science, que destacou o legado do pai ao falar sobre raízes e transformação. O desfile também marcou a estreia da influenciadora Virgínia Fonseca como rainha de bateria da escola. Ovacionada ao cumprimentar o setor 1, ela celebrou a acolhida da comunidade e definiu a experiência como única.
Salgueiro reverencia o legado criativo de Rosa Magalhães
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Fotos: REUTERS
Encerrando o Carnaval 2026, a Acadêmicos do Salgueiro apresentou o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, em homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães. Com 28 alas, cinco carros alegóricos, dois tripés e 3.200 componentes, a vermelho e branco celebrou a trajetória da artista, que conquistou sete títulos ao longo da carreira, cinco deles pela Imperatriz Leopoldinense, e participou das cerimônias dos Jogos Pan-Americanos de 2007 e dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Viviane Araújo, ícone da escola, desfilou em um tripé em formato de navio, celebrando 18 anos à frente da bateria “Furiosa”, comandada pelos mestres Guilherme e Gustavo Oliveira.
Apuração no Rio de Janeiro
A campeã do Carnaval 2026 será conhecida na tarde desta Quarta-feira de Cinzas (18). A apuração das notas do Grupo Especial está prevista para começar às 15h, definindo qual das escolas conquistará o título deste ano e encerrará oficialmente a maratona de desfiles na Sapucaí.
Fonte: Com informações Revista IstoÉ
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