10 de Junho de 2026

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Mulher na Política - 10/06/2026

Cármen Lúcia e o Caso Henry Borel: o que realmente significa ser mãe?

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Foto: Reprodução/Google

As declarações da ministra Cármen Lúcia sobre o caso Henry Borel reacenderam um debate que ultrapassa os limites do Direito e alcança uma dimensão humana, ética e social: afinal, o que significa ser mãe?

Ao afirmar que as decisões judiciais relacionadas à mãe de Henry, Monique Medeiros, não têm relação com misoginia ou preconceito de gênero, mas sim com a análise dos fatos e das condutas atribuídas a ela, a ministra trouxe à tona uma reflexão necessária. Em uma sociedade que frequentemente associa a maternidade a uma condição quase sagrada, é preciso compreender que ser mãe não é apenas um vínculo biológico. É, acima de tudo, uma responsabilidade permanente de proteção, cuidado e amor.

 

Quando a maternidade vai além da biologia

 

A natureza concede a capacidade de gerar uma vida. No entanto, a maternidade verdadeira é construída diariamente por meio de atitudes. Ser mãe é velar pelo filho quando ele está doente, protegê-lo dos perigos, defender sua integridade física e emocional e colocar seu bem-estar acima de interesses pessoais. É uma missão que exige presença, atenção e compromisso. Por essa razão, a sociedade costuma reagir com profunda indignação quando surgem casos em que uma criança sofre violência dentro do ambiente que deveria ser seu principal refúgio: o lar.

 

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A dor coletiva provocada pelo caso Henry Borel não decorre apenas da brutalidade do crime. Ela nasce também da quebra de uma expectativa humana universal: a de que uma mãe seja a primeira guardiã da vida de seu filho. Em março de 2021, Henry Borel, então com 4 anos de idade, morreu após dar entrada em um hospital do Rio de Janeiro com múltiplas lesões pelo corpo. As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público apontaram que a criança teria sido submetida a sucessivas agressões dentro do apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o então namorado dela, o ex-vereador Dr. Jairinho.

 

O peso simbólico da figura materna

 

Ao longo da história, diferentes culturas construíram a imagem da mãe como símbolo de proteção. No cristianismo, a figura de Maria representa acolhimento e cuidado. Na psicologia, o vínculo materno é reconhecido como um dos pilares do desenvolvimento emocional da criança. Na sociologia, a família é vista como a primeira rede de proteção social. Isso não significa idealizar as mulheres ou exigir delas perfeição. Mulheres são seres humanos, sujeitos a erros, limitações e fragilidades.

 

Contudo, quando a função materna é negligenciada diante de situações de violência contra uma criança, a discussão deixa de ser uma questão de gênero e passa a ser uma questão de responsabilidade. Foi justamente essa distinção que Cármen Lúcia procurou destacar: o julgamento não deve ocorrer porque a pessoa é mulher ou mãe, mas pelas condutas concretas atribuídas a ela e pelas consequências dessas ações.

 

Entre a defesa das mulheres e a proteção das crianças

 

 


Nas últimas décadas, o Brasil avançou significativamente na defesa dos direitos das mulheres. O combate à violência de gênero, ao feminicídio e à discriminação tornou-se pauta indispensável para uma sociedade mais justa. Entretanto, defender os direitos das mulheres não significa blindar qualquer mulher de responsabilização quando existem indícios ou provas de participação em crimes. Da mesma forma, cobrar responsabilidades de uma mãe em um caso específico não representa um ataque à maternidade nem ao universo feminino.

 

O desafio está justamente em separar as duas questões.

  

Quando uma criança é vítima de violência, o centro do debate deve ser a proteção da infância. A prioridade precisa ser a garantia do direito fundamental à vida, à segurança e à dignidade dos menores.

 

O que realmente define uma mãe?

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A pergunta permanece. Uma mãe é definida apenas pelo parto? A experiência humana mostra que não. Há mulheres que geram filhos e não exercem a maternidade. Há mulheres que adotam, acolhem, educam e amam crianças que não carregam seu DNA, tornando-se mães em sua essência mais profunda. Ser mãe é assumir um compromisso diário de proteção. É estar presente. É enxergar sinais de sofrimento. É agir diante do perigo. É fazer do amor uma prática concreta.

 

Por isso, quando a sociedade se emociona diante de histórias de mães que enfrentam doenças, pobreza ou dificuldades para salvar seus filhos, ela reconhece justamente essa dimensão da maternidade: a capacidade de colocar a vida da criança em primeiro lugar.

 

Uma reflexão que ultrapassa tribunais

 

Independentemente dos desdobramentos jurídicos do caso Henry Borel, a discussão levantada pelas declarações de Cármen Lúcia nos convida a refletir sobre valores fundamentais. O amor materno não pode ser reduzido a um título biológico. Maternidade é responsabilidade. Maternidade é presença. Maternidade é proteção. E, sobretudo, maternidade é compromisso inegociável com a vida. Quando esse compromisso é honrado, a figura materna se torna uma das maiores expressões de amor que a humanidade conhece. Quando falha, a sociedade inteira é chamada a refletir sobre a importância de proteger aqueles que ainda não conseguem se defender sozinhos.

 
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Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

O Portal Mulher Amazônica defende a valorização da maternidade, dos direitos das mulheres e da proteção integral das crianças e adolescentes. Nenhuma causa social deve se sobrepor ao direito fundamental de uma criança viver com segurança, dignidade e amor. A defesa das mulheres e a defesa da infância não são pautas opostas; são compromissos complementares de uma sociedade verdadeiramente humana e justa.

 

Fontes:
Supremo Tribunal Federal (STF)?
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda)?
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)?
 

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