O prefeito de Parintins, Mateus Assayag, afirmou que a decisão da empresa é puramente comercial, mas os impactos vão muito além das questões empresariais
A decisão da Gol Linhas Aéreas de suspender as vendas de passagens para o Festival Folclórico de Parintins 2025 gerou surpresa e preocupação entre agentes de viagem, autoridades locais e a população amazonense. A empresa, que em 2024 operou voos fretados para o evento, recolheu os equipamentos de venda disponibilizados aos parceiros e optou por não operar na cidade este ano, mesmo após a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para o pouso de jatos no Aeroporto Júlio Belém.
O prefeito de Parintins, Mateus Assayag, afirmou que a decisão da empresa é puramente comercial, mas os impactos vão muito além das questões empresariais. O festival, marcado para o fim de junho, é o maior evento cultural do estado e um dos maiores do Brasil, atraindo turistas do país inteiro e do exterior.
Com a saída da Gol, a responsabilidade sobre o transporte aéreo recai exclusivamente sobre a Azul Linhas Aéreas, que anunciou 196 voos extras entre os dias 25 de junho e 1º de julho. As aeronaves utilizadas serão ATR 72-600 e Cessna Grand Caravan, com capacidade limitada a 70 e 9 passageiros, respectivamente, o que pode ser insuficiente para atender à grande demanda.
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Para Maria Santana, idealizadora do portal Mulher Amazônica e Ela Podcast, a suspensão dos voos pela Gol não é apenas uma questão logística, mas sim um retrocesso para a visibilidade e valorização da cultura amazônica.

“Essa decisão da empresa é lamentável e injusta com o povo da Amazônia. O Festival de Parintins não é apenas uma festa, é um patrimônio cultural, é resistência. Ao se retirar desse cenário, a Gol prejudica diretamente não só a economia local, mas também a divulgação da nossa identidade para o mundo. Menos voos significam menos turistas, menos oportunidades e menos visibilidade para quem luta o ano inteiro para manter viva essa tradição”, afirma Maria Santana.
O cancelamento também pode acarretar aumento no valor das passagens disponíveis, tornando a viagem inviável para muitas pessoas. A expectativa é de que o transporte fluvial seja mais procurado, o que, embora tradicional, não oferece a mesma rapidez e conforto que o transporte aéreo, sendo uma viagem de mais de 18 horas a partir de Manaus.

Fotos: Reprodução/Google
Especialistas temem que essa limitação afete o fluxo turístico, a movimentação econômica e a capacidade de projeção internacional do evento. Além disso, patrocinadores e empresas que investem no festival podem rever suas ações devido à previsão de um público reduzido.
Enquanto isso, a mobilização da sociedade civil e das autoridades locais pode pressionar por soluções alternativas e pela retomada da participação da Gol em edições futuras. Para muitos, garantir acesso aéreo à ilha é mais do que uma necessidade comercial — é um compromisso com a valorização da Amazônia e sua cultura.
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