Entre as obras previstas, destaca-se a Ferrogrão (EF-170), ferrovia de mais de 900 quilômetros projetada para ligar Sinop, no Mato Grosso, a Miritituba, no Pará.
A região Norte consolidou-se, nas últimas décadas, como o novo corredor de exportação dos grãos produzidos no Centro-Oeste. A chamada “saída pelo Norte”, integrada ao Arco Norte, reúne um conjunto de hidrovias, portos e projetos ferroviários que prometem reduzir custos logísticos e ampliar o escoamento da produção agrícola pelos rios Tapajós, Tocantins e Madeira. Entre as obras previstas, destaca-se a Ferrogrão (EF-170), ferrovia de mais de 900 quilômetros projetada para ligar Sinop, no Mato Grosso, a Miritituba, no Pará.
Mas, para as populações que habitam esses territórios, o avanço desse complexo logístico representa o aprofundamento de conflitos socioambientais. Essa é a denúncia levada por cerca de 300 participantes da Caravana da Resposta, mobilização que percorreu o trajeto da soja desde o Mato Grosso até Belém. O grupo seguiu de ônibus até Santarém e depois embarcou em balsas pelo Rio Amazonas, chegando à capital paraense na última terça-feira, 11, para participar da COP30, da Cúpula dos Povos e da COP do Povo.
Segundo Pedro Charbel, integrante da Aliança Chega de Soja — articulação formada por mais de 40 organizações da Amazônia e do Cerrado — o objetivo é evidenciar os impactos de um modelo que, segundo ele, ameaça vidas e ecossistemas. Ele afirma que o agronegócio tem avançado sobre territórios indígenas, quilombolas e de agricultores familiares, contaminando rios e alimentos com agrotóxicos, ampliando desmatamento e contribuindo para o agravamento da crise climática. Ao mesmo tempo, Charbel reforça que os povos da floresta apresentam alternativas concretas e sustentáveis, fundamentadas em seus modos de vida e práticas tradicionais.
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A Caravana reúne representantes de diversas etnias — Kayapó, Panará, Arapiun, Borari, Kumaruara, Munduruku, Apiaká, entre outras — além de quilombolas, ribeirinhos, agricultores, pescadores, extrativistas, ativistas e movimentos sociais. A diversidade da delegação reflete a amplitude dos impactos e a convergência das lutas.
Parte da delegação Munduruku que chegou a Belém em balsa participou das manifestações em frente à Zona Azul. O protesto reafirmou as reivindicações da Caravana da Resposta, posicionando-se duramente contra projetos de infraestrutura considerados ameaçadores para os povos do rio Tapajós, como a hidrovia do Tapajós e a Ferrogrão. As lideranças Munduruku destacaram que essas obras violam direitos territoriais, fragilizam a segurança alimentar, restringem o acesso aos rios e intensificam a pressão sobre áreas de proteção e florestas ancestrais.

Fotos: Reprodução/Google
Na COP30, onde o planeta discute soluções para mitigar a crise climática, o grito dessas comunidades ecoa como alerta e como proposta. A Caravana da Resposta reafirma que os povos da Amazônia não estão apenas denunciando: estão apresentando caminhos reais de sustentabilidade, proteção da biodiversidade e justiça climática. É no cruzamento entre resistência, ancestralidade e ciência que eles reivindicam o direito de existir, preservar seus modos de vida e definir o futuro da floresta.
fontes:
Caravana de povos da Amazônia e Cerrado percorre rota da soja para denunciar impactos do agronegócio na COP30 — InfoAmazonia
Durante Cúpula do Clima, indígenas interceptam balsas no Rio Tapajós e cobram fim da Ferrogrão — reportagem sobre protesto contra os projetos de infraestrutura do Arco Norte
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