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Saúde da Mulher - 20/03/2024

Brasileiras entram na menopausa em média aos 48 anos, diz pesquisa

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Foto: Reprodução

Terapia de reposição hormonal, que é o padrão ouro para lidar com os incômodos da menopausa, é realizada por apenas 22% das mulheres

A mulher brasileira entra na menopausa quando tem, em média, 48 anos de idade e o início da transição e a irregularidade menstrual começam aos 46 anos. Além disso, 73,1% delas sentem os sintomas do climatério (entre eles, as ondas de calor) no período entre a pré-menopausa e a menopausa e 78,4%, na pós-menopausa. A conclusão é de um amplo estudo brasileiro que traçou o perfil da mulher brasileira na menopausa, publicado na revista científica Climateric.

 

O trabalho colaborativo envolveu pesquisadores da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Faculdade de Medicina do ABC, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Pavia, na Itália. Ao todo, 1,5 mil mulheres, com idades entre 45 e 65 anos, foram entrevistadas para que os autores pudessem estabelecer o perfil brasileiro da menopausa.

 

“Os estudos feitos exclusivamente com a nossa população nos ajudam a saber como são as mulheres brasileiras e como precisamos agir diante das situações clínicas que vão aparecendo. Eles também são essenciais para a criação de estratégias de saúde de enfrentamento dos problemas no climatério. Os sintomas da menopausa afligem mais de 70% das mulheres e podem ser amenizados”, afirmou Rogério Bonassi Machado, um dos autores do estudo, professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí e presidente da Sociedade Brasileira do Climatério (Sobrac).

 

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O ginecologista Sérgio Podgaec, do Hospital Israelita Albert Einstein, diz que os estudos com a população nacional são importantes porque os países têm diferenças culturais e diferenças de clima (alguns locais mais quentes, outros mais frios), e isso pode impactar a forma como as mulheres encaram a menopausa e enfrentam os sintomas, entre eles as ondas de calor. “É muito importante sabermos como a menopausa se apresenta na mulher brasileira. Ainda dentro desse estudo, é interessante poder avaliar diferentes regiões do Brasil, que têm respostas diversas”, disse.

 

Segundo Machado, autor do estudo, a alta prevalência de sintomas climatéricos é algo que chamou a atenção nos resultados, já que as ondas de calor (popularmente chamadas de fogachos) foram citadas por 73% das mulheres. Esses sintomas?estão ligados à diminuição do estrogênio, o principal hormônio feminino, e normalmente surgem de maneira súbita, especialmente durante a noite, enquanto a mulher está dormindo, provocando um calor intenso na região do tórax e um grande desconforto. O fogacho pode ser tão grande que algumas mulheres relatam sentir o rosto “queimando” e o suor escorrendo.

 

“Essa é uma característica interessante da mulher brasileira. Talvez o clima seja a principal explicação para isso, porque o centro termorregulador é sensível às mudanças da temperatura externa. Com a diminuição do estrogênio no hipotálamo, qualquer variação de temperatura ativa o centro termorregulador e o faz querer perder calor. Outro estudo recente mostrou diferenças nos relatos de ondas de calor entre mulheres brasileiras e de países europeus”, recorda Machado.

 

Somente a metade faz tratamento

 

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Fotos: Reprodução Google

 

O estudo apontou também que, apesar de os efeitos indesejados da menopausa afetarem a maioria das mulheres, somente 52% delas fazem algum tipo de tratamento, sendo que as mulheres de classes sociais mais altas foram as que mais procuraram atendimento. Entre as que se tratam, apenas 22% fazem a terapia de reposição hormonal. As demais recorrem a outras opções, como uso de antidepressivos e terapias alternativas, entre elas a prática de ioga e a acupuntura.

 

“Vários fatores podem explicar por que as mulheres não buscam tratamento, e a falta de acesso à infraestrutura de saúde é um deles. O Brasil é imenso e três quartos da população não têm acesso à saúde suplementar e acabam tendo dificuldade de acesso à rede pública. Além disso, ainda existe certo preconceito em relação ao tratamento. Muitas mulheres ainda têm receio de fazer a reposição hormonal por medo de câncer de mama e de trombose”, disse o ginecologista do Einstein.

 

Outro dado que chama a atenção no estudo é que, além de poucas mulheres fazerem o tratamento, elas abandonam os cuidados em pouco tempo – cerca de oito meses depois. Segundo a pesquisa, os efeitos colaterais foram um dos motivos relatados para a descontinuação. As reações adversas mais comuns são sangramento irregular ou dor nas mamas, que pode acontecer no início da terapia hormonal para as mulheres que têm o útero.

 

Na avaliação de Machado, a falta de informação, o medo de desenvolver um câncer de mama e até mesmo a falta de acesso aos medicamentos são os principais fatores que explicam a baixa procura pela reposição hormonal e a interrupção do tratamento. Mas é importante ressaltar que as contraindicações da terapia hormonal existem somente para aquelas que já tiveram câncer de mama previamente.

 

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“Os resultados mostram que somente metade das mulheres realiza algum tipo de tratamento, e nem todas a terapia hormonal, que seria o tratamento considerado padrão ouro. O que a maioria delas faz? Muitas usam antidepressivos porque eles podem melhorar as ondas de calor. Não na mesma intensidade da terapia hormonal, mas eles costumam apresentar resultados. Mas, quando começam a melhorar os sintomas da onda de calor, muitas mulheres que estão em tratamento hormonal resolvem interrompê-lo porque têm medo de usar a longo prazo”, disse o ginecologista. 

 

Fonte: com informações Portal Metrópoles

 

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