18 de Abril de 2026

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Saúde da Mulher - 15/08/2025

Brasil registra 1º caso de câncer de mama raro ligado ao implante de silicone

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Foto: Reprodução/Google

Paciente jovem tinha silicone de longo prazo, com queixa de aumento acentuado no volume de uma das mamas e dor;

O Brasil registrou o primeiro caso de câncer de mama associado ao silicone, conhecido como carcinoma espinocelular associado ao implante mamário de silicone (BIA-SCC, na sigla em inglês). O caso foi descrito em um estudo coordenado pelo mastologista Idam de Oliveira Junior, sócio titular da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e coordenador do Departamento de Mastologia e Reconstrução Mamária do Hospital de Amor, em Barretos (SP), publicado na revista científica Annals of Surgical Oncology (ASO).

 

Trata-se de uma jovem que tinha implante de silicone, de longo prazo, com finalidade estética. Ela se queixava de aumento acentuado no volume de uma das mamas e dor. Inicialmente, a recomendação foi trocar a prótese e retirar a cápsula que a revestia, devido à presença de seroma (líquido ao redor da prótese) tardio.No entanto, após o procedimento, constatou-se que a cápsula apresentava sinais incomuns e foi encaminhada para a biópsia, que evidenciou a malignidade. Após esta etapa, a jovem foi submetida à retirada da prótese e mastectomia, cirurgia para remover total ou parcialmente a mama.

 

"Mas devido à lesão avançada, houve recidiva de forma precoce e agressiva", conta Oliveira Junior, em comunicado. A partir do diagnóstico, a paciente teve uma sobrevida de 10 meses. Em casos avançados, a doença pode se espalhar para órgãos distantes como pulmões, fígado e mediastino, através da corrente sanguínea ou linfática. A disseminação local e regional é comum.

 

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Apesar do caso, o especialista afirma que os implantes mamários de silicone "são seguros e eficazes tanto para fins estéticos, quanto para a reconstrução das mamas” e que o caso brasileiro não é motivo para alarde. Muito pelo contrário, ressalta, trata-se de uma situação muito rara, mas que requer atenção dos especialistas.

 

"A cada ano, temos mais mulheres vivendo por longo tempo com próteses de silicone. Neste sentido, é importante que qualquer alteração apresentada nos implantes seja considerada e investigada", diz o médico, em comunicado da SBM. A investigação do caso brasileiro se diferencia de outras na literatura também por apresentar uma forma de padronizar o estadiamento e o tratamento da doença. O estadiamento avalia o grau de disseminação do câncer a partir de regras internacionalmente estabelecidas. O estadio de um tumor reflete não apenas a taxa de crescimento e a extensão da doença, mas também o tipo e a relação com a sobrevida.

 

Com base na literatura científica sobre outros casos descritos, o especialista da SBM e sua equipe buscaram informações para entender o comportamento da doença. "A partir de estudos e de conceitos do estadiamento do linfoma associado à prótese de silicone, desenvolvemos um estadiamento para o carcinoma espinocelular, também com atenção ao implante mamário, correlacionando a sobrevida das pacientes", explica.

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Conforme a publicação, o BIA-SCC parece estar relacionado a um processo crônico de irritação e inflamação da cápsula que envolve o implante mamário. Com o tempo, essa irritação pode levar a alterações celulares, como metaplasia e displasia escamosa, que eventualmente evoluem para carcinoma espinocelular. Fatores como o uso prolongado de implantes (geralmente por mais de 10 anos) e a presença de líquido ao redor do implante podem contribuir para o desenvolvimento do tumor.

 

Embora considere a raridade da ocorrência de carcinoma espinocelular associado a implante mamário, o mastologista reforça entre os especialistas a necessidade de exames completos e precisos, especialmente diante de seroma de início tardio. "Como demonstramos no estudo publicado na ASO, estamos diante de uma doença de comportamento agressivo. O diagnóstico precoce permite um tratamento mais eficiente com maior sobrevida para a paciente", destaca.

 

Os procedimentos com implantes mamários de silicone vêm sendo amplamente realizados desde a década de 1960. De acordo com o mastologista, vêm crescendo nos últimos anos as evidências da associação entre implantes de silicone e efeitos imunológicos e inflamatórios que poderiam desencadear neoplasias como o linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários (BIA-ALCL, na sigla em inglês) e a síndrome autoinflamatória induzida por adjuvantes (ASIA, na sigla em inglês). O carcinoma espinocelular associado ao implante mamário de silicone (BIA-SCC, na sigla em inglês) foi descrito pela primeira vez na literatura médica em 1992. De acordo com a literatura científica, as ocorrências ao redor do mundo são poucas, com pouco mais de 20 pacientes diagnosticadas.

 
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"Devido ao número limitado de ocorrências, os fatores de risco para o desenvolvimento deste tipo de tumor altamente agressivo, com prognóstico desfavorável, são desconhecidos", observa Oliveira Junior. Recentemente, a agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) lançou um alerta sobre a ocorrência de casos de carcinoma de células escamosas associado a implantes mamários (BIA-SCC). 

 

Fonte: com informações O Globo

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