A proposta, apresentada no primeiro dia da cúpula de chefes de Estado que antecede a COP30, pretende remunerar a preservação das florestas tropicais e garantir benefícios diretos a povos indígenas e comunidades tradicionais.
O governo brasileiro anunciou o lançamento oficial do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), uma iniciativa inédita que já reúne o apoio político de 53 países e promete transformar a lógica do financiamento climático. A proposta, apresentada no primeiro dia da cúpula de chefes de Estado que antecede a COP30, pretende remunerar a preservação das florestas tropicais e garantir benefícios diretos a povos indígenas e comunidades tradicionais.
Apesar da expressiva adesão internacional, apenas cinco países confirmaram aporte financeiro até o momento: Noruega (US$ 3 bilhões), Brasil (US$ 1 bilhão), Indonésia (US$ 1 bilhão), França (US$ 500 milhões) e Portugal (US$ 1 milhão). Com isso, o fundo já soma pouco mais de US$ 5 bilhões, metade da meta inicial de US$ 10 bilhões para iniciar as operações.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comemorou os resultados e destacou o interesse crescente de outras nações. “Já temos 50% do que esperávamos conseguir em compromissos até o ano que vem. A China e outros países já sinalizaram apoio”, afirmou, acrescentando que novos anúncios são esperados durante a COP30, incluindo possíveis participações da Alemanha e do Reino Unido.
Veja também

A COP na Amazônia oferece chances aos governos globais
.jpeg)
Maior doador até o momento, a Noruega condicionou sua contribuição à ampliação da base de investidores. “Precisamos ver ao menos US$ 10 bilhões comprometidos até 2036. A Noruega não representará mais de 20% do total, porque este deve ser um esforço compartilhado. Trata-se de um investimento, não apenas de uma doação. O modelo precisa ser financeiramente sólido e capaz de gerar retorno”, explicou o ministro norueguês do Meio Ambiente, Andreas Bjelland Eriksen.
Um novo modelo de financiamento climático
.jpeg)
Apresentado como uma inovação brasileira, o TFFF pagará cerca de US$ 4 por hectare preservado em países tropicais, com reduções em casos de desmatamento ou degradação. Cada país decidirá como aplicar os recursos, desde que respeite as salvaguardas ambientais e destine no mínimo 20% diretamente a povos indígenas e comunidades tradicionais. A ministra Marina Silva destacou que o fundo “representa uma virada na lógica do financiamento climático, com retorno garantido aos investidores e benefícios diretos às populações florestais”. Já a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, ressaltou que o TFFF “garante autonomia e continuidade às comunidades, independentemente de mudanças de governo”.
O modelo prevê ainda uma alavancagem de recursos privados a partir do aporte público inicial. O objetivo é captar US$ 25 bilhões nos primeiros anos e mobilizar mais de US$ 100 bilhões adicionais do setor privado, ampliando a capacidade de investimento e sustentabilidade do mecanismo.
Protagonismo brasileiro no centro da agenda verde global
.jpeg)
Fotos: Reprodução/Google
Em seu discurso de lançamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o papel do Brasil como articulador do novo paradigma ambiental, enfatizando que o TFFF se baseia em pagamentos por serviços ambientais e não em doações. “Estamos falando de mais de um bilhão de hectares de florestas tropicais distribuídos em 73 países em desenvolvimento. O Brasil será o primeiro a investir US$ 1 bilhão nesse fundo. Esperamos também contar com o engajamento do Banco dos BRICS, do Banco Africano e de outros bancos regionais”, declarou.
Lula também defendeu a eliminação gradual do uso de combustíveis fósseis e a criação de metas globais para conter o desmatamento. “Apesar das nossas dificuldades e contradições, precisamos de um mapa do caminho para reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários”, afirmou o presidente. Mesmo com o otimismo internacional, o desafio do Brasil é equilibrar o protagonismo ambiental com as pressões internas, como o avanço de projetos de exploração de petróleo e propostas legislativas que fragilizam a proteção ambiental. Ainda assim, o país se consolida como epicentro de uma nova era do multilateralismo verde.
Fontes confiáveis:
Ministério da Fazenda – Governo Federal
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Itamaraty – Ministério das Relações Exteriores?
InfoAmazonia
Nações Unidas – UN Climate Change
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.